A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 já começou na Bolsa, mas o calendário que interessa diretamente a Minas Gerais ganha força a partir da segunda metade de julho e se concentra em agosto. Para o investidor, é uma agenda de resultados. Para o estado, funciona como um raio-x de mineração, aço, energia, saneamento, construção, saúde, educação, tecnologia, logística, varejo e mercado imobiliário.
O 2T26 cobre o período de abril a junho. A temporada nacional começou em 14 de julho e se espalha pelas semanas seguintes, com agosto concentrando a maior parte das divulgações. Agendas de mercado como InfoMoney e Investidor10 listam dezenas de companhias, mas o recorte mineiro exige olhar além das empresas com sede formal em Minas. Há grupos nascidos em BH, companhias com forte operação no estado e empresas estrangeiras que têm ativos decisivos em território mineiro.
A lista abaixo prioriza empresas mineiras ou com forte DNA mineiro. As datas de companhias como Patrimar, Vale, Usiminas, Localiza, Cemig, Copasa, MRV, Mater Dei e Ânima foram conferidas em páginas de RI ou comunicados oficiais; outras vêm de agendas de mercado e devem ser acompanhadas nos canais de Relações com Investidores, pois podem mudar.
Calendário prioritário das empresas ligadas a Minas
16 de julho — Patrimar — prévia operacional do 2T26
Incorporadora mineira relevante em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. O dado ajuda a medir vendas, lançamentos e ritmo do mercado imobiliário local antes do balanço completo.
30 de julho — Vale (VALE3) — resultado do 2T26
É o principal balanço para Minas. Minério de ferro, China, custos, dividendos, investimentos, Mariana, Itabira, Brumadinho e a crise de governança devem dominar a leitura do mercado. A companhia também divulga produção e vendas em 21 de julho.
30 de julho — Vallourec (VK, Paris) — resultado do 2T26
A empresa tem operação industrial relevante em Minas, especialmente em tubos, mineração, energia e siderurgia. É uma leitura importante para entender a cadeia industrial fora das empresas brasileiras listadas na B3.
31 de julho — Usiminas (USIM3/USIM5) — resultado do 2T26
O balanço recoloca Ipatinga e o Vale do Aço no centro do radar. A atenção estará em aço chinês, margens, custos, demanda automotiva e competitividade da indústria nacional.
5 de agosto — CSN Mineração (CMIN3) — resultado do 2T26
Apesar de não ser mineira de origem, tem operação relevante no Quadrilátero Ferrífero. O balanço ajuda a medir minério, exportação, custo logístico e demanda chinesa.
5 de agosto — Ânima Educação (ANIM3) — resultado do 2T26
Empresa de origem mineira, dona de marcas como Una e UniBH. O trimestre deve ser lido à luz da compra da FMU, da pressão sobre EAD, dos cursos de medicina e da dívida.
5 de agosto — Banco Mercantil (BMEB3/BMEB4) — apresentação de resultados do 2T26
Banco mineiro com força no público 50+, INSS, crédito consignado e presença física. É uma pauta de finanças fora do eixo dos grandes bancos nacionais.
5 de agosto — Méliuz (CASH3) — ITR do 2T26
Empresa mineira de tecnologia e finanças. O interesse passa por cashback, Bitcoin, governança, caixa e reposicionamento depois de anos difíceis na Bolsa.
6 de agosto — Patrimar — resultado do 2T26
Além da prévia operacional de julho, a incorporadora divulga o resultado completo em agosto. É um dos melhores termômetros de alto padrão, média renda e mercado imobiliário em BH e RMBH.
6 de agosto — Inter & Co (INBR32/INTR) — resultado do 2T26
Banco digital nascido em Belo Horizonte. O mercado deve olhar crédito, inadimplência, clientes, rentabilidade, operação nos Estados Unidos e a tese de transferências internacionais.
6 de agosto — Localiza (RENT3) — resultado do 2T26
Uma das empresas mineiras mais importantes da Bolsa. A atenção estará em seminovos, depreciação, frota, aluguel de carros, juros, consumo e preço residual dos veículos. A companhia confirma divulgação em 6 de agosto e webinar no dia 7.
6 de agosto — Log Commercial Properties (LOGG3) — earnings release do 2T26
Empresa ligada ao setor de galpões logísticos. O resultado conversa com e-commerce, vacância, aluguéis, Contagem, Extrema, Betim e corredores de distribuição.
6 de agosto — Energisa/Denerge (ENGI11) — resultado do 2T26
Grupo com raiz histórica em Cataguases. É uma pauta de energia fora do eixo Cemig, relevante para entender distribuição, concessões e investimentos em rede.
11 de agosto — Direcional (DIRR3) — resultado do 2T26
Construtora mineira com exposição direta ao Minha Casa Minha Vida. A leitura passa por vendas, lançamentos, margem, baixa renda, Contagem, RMBH e juros.
12 de agosto — MRV (MRVE3) — resultado do 2T26
Outra gigante de origem mineira na construção. O mercado vai olhar Minha Casa Minha Vida, Resia nos EUA, geração de caixa, dívida, distratos e velocidade de vendas.
12 de agosto — Mater Dei (MATD3) — resultado do 2T26
Rede de saúde privada nascida em Belo Horizonte. A pauta envolve ocupação hospitalar, receita, dívida, oncologia e disputa com Oncoclínicas, Rede D’Or e outros grupos.
12 de agosto — Oncoclínicas (ONCO3) — resultado do 2T26
Empresa nascida em BH e agora no centro de uma recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões. O balanço será decisivo para entender caixa, dívida, médicos, pacientes e continuidade operacional.
12 de agosto — Azzas 2154 (AZZA3) — resultado do 2T26
Grupo de moda ligado a Arezzo, marca de origem mineira. O foco estará em consumo premium, varejo, Farm Rio, rentabilidade e eventuais movimentos de portfólio.
12 de agosto — Cogna (COGN3) — resultado do 2T26
A antiga Kroton tem raiz mineira e segue relevante no ensino privado. O trimestre deve mostrar EAD, ensino superior, regulação, captação e geração de caixa.
13 de agosto — Cemig (CMIG3/CMIG4) — resultado do 2T26
Balanço central para Minas. Energia, dividendos, rede, data centers, solar, governo estadual, tarifas e qualidade do serviço devem guiar a leitura. A agenda de RI da companhia marca a divulgação para 13 de agosto.
13 de agosto — Banco BMG (BMGB4) — resultado do 2T26
Banco mineiro com força em consignado, crédito, varejo financeiro e público de renda média. A inadimplência e a margem financeira devem ser pontos de atenção.
13 de agosto — Cedro Têxtil (CEDO3/CEDO4) — resultado do 2T26
Companhia têxtil mineira tradicional. O balanço ajuda a medir indústria, moda, custo de matéria-prima, consumo e pressão competitiva.
14 de agosto — Copasa (CSMG3) — resultado do 2T26
Primeiro balanço relevante depois da privatização e da entrada da Equatorial como acionista de referência. O mercado vai olhar tarifas, contratos municipais, esgoto, investimentos e dividendos. A Copasa marca a divulgação para 14 de agosto e teleconferência no dia 21.
14 de agosto — Biomm (BIOM3) — ITR do 2T26
Empresa de biotecnologia instalada em Nova Lima. A pauta envolve saúde, insulina, indústria farmacêutica, escala produtiva e política industrial.
14 de agosto — Sigma Lithium (SGML/S2GM34) — resultado financeiro e operacional do 2T26
Empresa ligada ao Vale do Jequitinhonha, lítio e projeto Grota do Cirilo. É uma das agendas mais importantes para acompanhar exportação, CFEM, caixa, produção e a tese do Vale do Lítio.
Empresas que não são mineiras, mas importam para Minas
23 de julho — Anglo American — relatório de produção do 2T26
A pauta é Minas-Rio, Conceição do Mato Dentro, minério premium e projeto Serpentina.
30 de julho — Anglo American — resultado semestral de 2026
O resultado global pode trazer leitura sobre Minas-Rio, custos, produção, minério premium e estratégia no estado.
30 de julho — ArcelorMittal — resultado do 2T26/1º semestre
Importa por causa de operações em Minas, aço, mineração, indústria, exportação e herança da antiga Belgo-Mineira.
30 de julho — Multiplan — resultado do 2T26
BH Shopping e DiamondMall entram no radar. É uma leitura de consumo premium, varejo, restaurantes, estacionamento e fluxo de shopping em BH.
30 de julho — EcoRodovias — resultado do 2T26
Concessões, logística e rodovias com impacto em Minas tornam o balanço relevante para infraestrutura.
30 de julho — Nexa Resources — resultado do 2T26/call
A operação de Juiz de Fora coloca zinco, metalurgia e eventual M&A global no radar mineiro.
3 de agosto — Atlas Lithium — estimativa de resultado/call do 2T26
O gancho é o projeto Neves, no Vale do Lítio, e a licença ambiental. A data aparece como estimativa em plataformas de mercado e deve ser confirmada no RI.
4 de agosto — Gerdau — resultado do 2T26
Ouro Branco, aço, mineração, dólar e projeto Miguel Burnier fazem da empresa uma pauta importante para Minas.
4 de agosto — Metalúrgica Gerdau — resultado do 2T26
Holding ligada à Gerdau, relevante pela exposição ao aço e à operação mineira.
5 de agosto — Nexa Resources — data também indicada por plataformas de mercado
Há divergência entre 30 de julho e 5 de agosto em algumas agendas. O ideal é confirmar no RI antes da publicação final, mantendo Juiz de Fora como gancho mineiro.
12 de agosto — MRS Logística — resultado do 2T26
Corredor do minério de Minas para portos do Rio, contrato com a Vale e logística ferroviária entram no centro da pauta.
12 de agosto — Minerva Foods — resultado do 2T26
Frigoríficos, carne, China e agroindústria fazem o balanço conversar com Minas, mesmo a empresa não sendo mineira.
14 de agosto — Eurofarma — ITR do 2T26
Não é mineira, mas saúde e indústria farmacêutica dialogam com Biomm, Hipolabor e a cadeia de medicamentos no estado.
Meados de agosto — Jaguar Mining — resultado financeiro do 2T26
A empresa atua com ouro no Quadrilátero Ferrífero. A própria companhia indicou que os resultados financeiros completos saem em meados de agosto, depois da atualização operacional.


