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Como lucro de R$ 1,22 bilhões da Localiza (RENT3) mexe com o mercado, incluindo elétricos

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A mineira Localiza (RENT3) registrou lucro líquido de R$ 1,22 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio acima das estimativas do mercado e reforçou a posição da companhia mineira como uma das empresas mais influentes do setor automotivo brasileiro.

O Ebitda, indicador de geração operacional de caixa, chegou a R$ 4,1 bilhões, crescimento de 23,7% em um ano. A receita líquida avançou 21,2%, para R$ 12,28 bilhões.

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A companhia, fundada em Belo Horizonte em 1973, deixou há muito tempo de ser apenas uma locadora de veículos. Hoje, a Localiza atua em aluguel diário, gestão de frotas, carro por assinatura, venda de seminovos, franquias e soluções para motoristas de aplicativo.

Essa presença em várias etapas do ciclo do automóvel ajuda a explicar por que o balanço da empresa tem leitura mais ampla que a Bolsa.

Localiza compra e vende carros em escala nacional

No primeiro trimestre, a Localiza comprou 83,5 mil veículos e vendeu 95,9 mil unidades. Um ano antes, os volumes eram de 33,9 mil veículos comprados e 75 mil vendidos.

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Ao fim de março, a frota da companhia somava 645,8 mil veículos. Pela própria escala, as decisões de compra e venda da empresa têm impacto sobre montadoras, concessionárias, locadoras menores, lojistas de usados e consumidores.

A empresa acaba movimentando toda uma rede. Quando a Localiza compra carros novos, movimenta vendas diretas de montadoras. Quando renova a frota, coloca milhares de veículos seminovos no mercado. Esse ciclo ajuda a influenciar oferta, preço, giro e percepção de valor dos modelos usados. Pelo próprio volume, a companhia é capaz de influenciar números de todo o setor.

Seminovos puxaram atenção no resultado

A operação de seminovos foi um dos principais destaques do trimestre. A receita líquida desse segmento no Brasil chegou a R$ 7,1 bilhões, alta de 34,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

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A companhia compra carros novos, usa esses veículos nas operações de aluguel e frotas e, depois, revende diretamente ao consumidor final. Ao vender por meio de rede própria, a empresa tenta recuperar mais valor dos veículos e reduzir o impacto da depreciação. Para o mercado, isso transforma a Localiza em uma grande formadora de oferta no segmento de usados recentes.

Como a gestão de frotas e eletrificados entram na estratégia

A empresa também tem influência crescente em frotas corporativas. Nessa divisão, empresas contratam veículos por prazos mais longos, geralmente entre 24 e 84 meses, sem precisar comprar os carros diretamente. Esse modelo afeta a forma como companhias brasileiras lidam com mobilidade, manutenção, IPVA, seguro e renovação de veículos. Em vez de imobilizar capital na compra de frota própria, empresas podem terceirizar a gestão para uma locadora.

No primeiro trimestre, a receita líquida da gestão de frotas foi de R$ 2,32 bilhões. A margem Ebitda ajustada, sem efeito de venda de subsidiárias, ficou em 75,9%. O segmento também tem efeito sobre o mercado de carros novos. Contratos corporativos de longo prazo geram demanda previsível por veículos zero quilômetro, o que interessa diretamente a montadoras e concessionárias.

Carros elétricos em. minas gerais
BYD – Divulgação

A relação da Localiza com carros eletrificados ganhou novo peso em 2026. Em fevereiro, a companhia anunciou acordo com a BYD para compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos ao longo de dois anos. Os modelos devem atender aluguel diário, mensal, carro por assinatura, gestão de frotas e venda futura na rede de seminovos.

A parceria também tem efeito de teste para o mercado brasileiro. Locadoras grandes ajudam a popularizar tecnologias novas porque permitem que consumidores e empresas experimentem veículos sem assumir imediatamente o custo de compra.

No caso dos eletrificados, isso pode ser relevante para adoção gradual da tecnologia. O consumidor pode alugar, assinar, usar em frota corporativa e, depois, encontrar o mesmo tipo de modelo no mercado de seminovos.

Influência além do próprio balanço

A Localiza terminou março com dívida líquida de R$ 30,2 bilhões, caixa de R$ 10,9 bilhões e alavancagem de 2,08 vezes, abaixo das 2,61 vezes registradas no primeiro trimestre de 2025.

O resultado mostra melhora financeira, mas a empresa ainda opera em um setor sensível a juros, preço de carros novos, depreciação, crédito ao consumidor e demanda por viagens, aplicativos e frotas corporativas. A diferença é que, pelo tamanho, a Localiza não apenas reage ao mercado automotivo. Ela também ajuda a organizar parte dele.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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