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Mater Dei diz que está barata no mercado e aprova recompra de até 9,3 milhões ações

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A Rede Mater Dei decidiu usar uma ferramenta conhecida do mercado financeiro para tentar reforçar uma mensagem à Bolsa: suas ações estariam baratas. A companhia mineira aprovou um novo programa de recompra de até 9,3 milhões de ações ordinárias, em um movimento que busca mostrar confiança no próprio negócio em meio a um setor de saúde privada ainda pressionado por dívida, margens e desconfiança dos investidores.

O programa poderá recomprar até 9.307.045 ações, o equivalente a 2,79% do total de papéis emitidos pela empresa e a 16,11% das ações em circulação no mercado. A autorização vale de 1º de junho de 2026 a 1º de dezembro de 2027, com duração de até 18 meses.

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No comunicado ao mercado, a Mater Dei afirmou que o valor atual de suas ações não reflete o valor real dos ativos da companhia, nem sua perspectiva de rentabilidade e geração de resultados futuros. É uma frase técnica, mas com recado claro: a administração entende que a Bolsa está subavaliando a rede hospitalar.

A recompra não obriga a companhia a adquirir todo o volume autorizado. A diretoria poderá decidir o momento e a quantidade de ações a serem compradas, sempre em Bolsa e a preço de mercado. Depois, os papéis podem ficar em tesouraria, ser cancelados, vendidos novamente, usados em planos de remuneração baseados em ações ou até em aquisições.

Na prática, a recompra funciona como uma defesa do valor da empresa. Quando uma companhia compra suas próprias ações, ela reduz a quantidade de papéis em circulação e pode aumentar a participação proporcional dos acionistas que permanecem. Também costuma sinalizar que a gestão acredita que o mercado exagerou no desconto aplicado ao papel.

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Mater Dei quer mostrar força no mercado

Esse sinal ganha força porque a Mater Dei vem tentando se diferenciar dentro de um setor que perdeu prestígio na Bolsa nos últimos anos. Empresas de saúde que cresceram por aquisições, hospitais, laboratórios e grupos especializados passaram a conviver com juros altos, aumento de custos médicos, pressão de operadoras, dívidas elevadas e dúvidas sobre a capacidade de transformar expansão em lucro.

O contraste mais sensível está na Oncoclínicas, que virou símbolo recente da crise de confiança no setor. A empresa enfrenta aperto financeiro, questionamentos sobre endividamento e discussões no mercado sobre alternativas para normalizar sua operação. Esse ambiente contaminou parte da percepção dos investidores sobre companhias de saúde listadas, mesmo quando os modelos de negócio são diferentes.

A Mater Dei tenta se colocar em outra posição. No primeiro trimestre de 2026, a rede registrou receita líquida de R$ 575 milhões, alta de 15,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado chegou a R$ 130 milhões, crescimento de 34,6%, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 36,3 milhões, avanço de 79,8%.

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A melhora veio com maior ocupação hospitalar, aumento do valor médio por leito e foco em procedimentos de maior complexidade. A companhia também tem destacado a estratégia de fortalecer áreas como oncologia e atendimentos premium, segmentos que tendem a gerar tíquete mais alto, mas exigem controle rigoroso de custo e eficiência operacional.

Relevância em Minas e protagonismo em BH

A Mater Dei é uma das poucas companhias mineiras de saúde listadas na B3 e uma marca tradicional de Belo Horizonte. A rede cresceu para além da capital, avançou em outras praças e passou a disputar investidores nacionais desde a abertura de capital. Agora, tenta convencer o mercado de que a queda ou o desconto das ações não combinam com a qualidade dos ativos e com a geração futura de caixa.

Ainda assim, recompra de ações não resolve tudo sozinha. O investidor continuará olhando ocupação, margem, endividamento, expansão, relação com operadoras e capacidade de crescer sem comprometer o balanço. O programa ajuda a passar confiança, mas o preço da ação dependerá de resultados consistentes ao longo dos próximos trimestres.

Também há uma leitura de disciplina de capital. Em vez de acelerar aquisições em um mercado ainda incerto, a companhia pode usar parte dos recursos para comprar o próprio papel, caso entenda que essa é uma alocação melhor. É uma forma de dizer que, no preço atual, investir na própria empresa pode gerar mais valor do que buscar novos ativos.

A recompra, portanto, não deve ser lida como uma promessa de valorização imediata. É um sinal. A Mater Dei está dizendo ao mercado que se vê mais forte do que a cotação sugere. A Bolsa, agora, vai exigir que essa convicção apareça nos números.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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