A disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado Federal revelou-se o maior desafio estatístico para os institutos de pesquisa nas eleições de 2026. Nenhum dos quatro principais levantamentos analisados na véspera do pleito conseguiu encerrar a corrida com um erro médio inferior a três pontos percentuais considerando os sete candidatos mais votados no estado.
As urnas sacramentaram a eleição de Domingos Sávio (PL), em primeiro lugar, com 24,21% dos votos válidos, e de Marília Campos (PT), na segunda posição, com 19,44%. A ordem de votação seguiu com Carlos Viana (17,46%), Áurea Carolina (12,98%), Marcelo Aro (11,63%), Marco Antônio Superman (9,24%) e Aécio Neves (4,08%). O confronto entre esses resultados oficiais e as projeções de véspera expõe duas formas distintas de avaliar o sucesso de uma pesquisa eleitoral: a precisão numérica geral e a capacidade de antecipar o cenário político decisivo.
Real Time Big Data lidera em precisão numérica
Sob o critério puramente matemático, a Real Time Big Data entregou a fotografia mais próxima do resultado global. O instituto registrou a menor distância média das urnas, com um erro de 3,05 pontos percentuais.
A pesquisa final da empresa apresentava um empate na liderança entre Domingos Sávio e Carlos Viana, ambos com 20%, seguidos por Marília Campos com 19%. Aécio Neves e Marcelo Aro marcavam 9% cada, Superman tinha 8% e Áurea Carolina, 7%. Como o levantamento original incluía 3% de brancos e nulos e 4% de não respostas, os dados precisaram ser normalizados para a base de votos válidos para permitir a comparação direta com as urnas.
Com esse reajuste, Sávio e Viana projetavam 21,51%; Marília, 20,43%; Aro e Aécio, 9,68%; Superman, 8,60%; e Áurea, 7,53%. O instituto obteve alta precisão no desempenho de Marília Campos (diferença inferior a um ponto percentual) e de Marco Antônio Superman (erro de apenas 0,64 ponto). As maiores distorções ocorreram nas projeções para Aécio Neves e Áurea Carolina.
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AtlasIntel foi a única a acertar os vencedores
A AtlasIntel finalizou a disputa com um erro médio ligeiramente superior, na casa dos 3,25 pontos percentuais, mas conquistou o feito politicamente mais relevante da reta final: foi a única das quatro empresas a colocar exatamente Domingos Sávio e Marília Campos nas posições que garantiam as cadeiras, contrariando o cenário de empate triplo apontado pelos concorrentes.
Embora tenha invertido a ordem final — projetou Marília em primeiro com 24,2% e Sávio em segundo com 22,3% —, o instituto cravou os eleitos. Domingos Sávio terminou com 24,21% (desvio de apenas 1,91 ponto), enquanto Marília ficou 4,76 pontos abaixo da estimativa. A AtlasIntel também foi a mais assertiva na medição do desempenho de Aécio Neves, apontando 3,6% de intenções contra os 4,08% registrados nas urnas, uma variação de apenas 0,48 ponto.
Quaest e Datafolha superestimam Aécio Neves
Os maiores desvios da corrida legislativa foram registrados pelos institutos Quaest e Datafolha, impulsionados sobretudo por uma superestimativa atípica do desempenho do ex-governador Aécio Neves.
A Quaest encerrou a eleição com um erro médio de 3,71 pontos percentuais. O levantamento de véspera apresentou Domingos Sávio com 22%, Viana e Marília com 18% cada, mantendo os três primeiros próximos da realidade. No entanto, o instituto cravou Aécio Neves com 17%. Nas urnas, o candidato recebeu apenas 4,08%. A diferença de 12,92 pontos percentuais representou o maior erro individual de toda a eleição entre os nomes competitivos. Em contrapartida, a Quaest subestimou Áurea Carolina, marcando 6% para a candidata que terminaria o domingo com 12,98%.
O Datafolha acumulou o maior erro médio do grupo, atingindo 4,44 pontos percentuais. A sondagem indicava Marília (21%), Viana (19%) e Sávio (17%). O candidato Aécio Neves também foi o epicentro do desvio do instituto, projetado com 13% diante dos 4,08% reais (erro de 8,92 pontos). O Datafolha também subestimou consideravelmente as votações finais de Domingos Sávio e de Marco Antônio Superman, que saltou dos 4% estimados para 9,24% na contagem oficial.


