A candidata Marília Campos (PT) foi matematicamente eleita para o Senado Federal por Minas Gerais na noite deste domingo (4). Com o resultado das urnas no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, a petista assegura um mandato de oito anos em Brasília após enfrentar semanas de forte ofensiva estratégica de adversários políticos, consolidando a divisão das duas cadeiras mineiras entre blocos antagônicos.
Além da dimensão partidária, a vitória impõe um marco de representatividade de gênero no estado. Marília Campos torna-se a primeira mulher eleita como titular do Senado por Minas Gerais em 36 anos. Desde 1990, quando Júnia Marise foi diretamente escolhida nas urnas pelo eleitorado mineiro (exercendo mandato entre 1991 e 1999), nenhuma outra mulher havia conquistado a titularidade de uma vaga pela bancada do estado. Mais tarde, entre 1996 e 1998, Regina Assumpção chegou a atuar na representação de Minas, mas na condição de suplente.
O fantasma de 2018 e a ofensiva da oposição
A fase final da disputa foi marcada por uma articulação intensa da direita para tentar barrar a entrada da candidata do PT no Congresso. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), reeleito neste domingo com votação histórica, assumiu a linha de frente dessa mobilização e apelidou Marília de “Dilma 2.0”. O objetivo era reviver a memória do pleito de 2018, quando a ex-presidente Dilma Rousseff liderava as pesquisas de intenção de voto, mas acabou ultrapassada na contagem final das urnas e perdeu a vaga.
Em vídeos divulgados na semana da votação, Nikolas declarou que “não existe petista boazinha”, vinculou a imagem de Marília ao ministro Alexandre de Moraes e conclamou o eleitorado conservador a votar expressamente em Domingos Sávio (PL) e Marco Antônio Superman (Novo). A estratégia tentava canalizar o chamado “segundo voto” da direita em um nome capaz de empurrar a prefeita de Contagem para fora das duas primeiras colocações.
O clima de acirramento produziu cenas de tensão na reta final da campanha de rua. Quatro dias antes do pleito, durante uma caminhada de campanha organizada no Centro de Belo Horizonte com lideranças conservadoras, manifestantes derrubaram, pisaram e cuspiram em bandeiras de Marília Campos e Patrus Ananias na Praça Sete. O episódio coincidiu com um momento em que diferentes alas de oposição debatiam publicamente a divisão dos votos entre Carlos Viana e Superman para a segunda escolha.
Equilíbrio nas pesquisas de véspera
Apesar de ter figurado numericamente na frente em diferentes momentos do calendário eleitoral, a petista enfrentou um quadro estatístico de incerteza até a abertura das primeiras seções. No levantamento do Datafolha divulgado na véspera, Marília aparecia com 21% dos votos válidos, seguida de perto por Carlos Viana (19%) e Domingos Sávio (17%), em empate técnico dentro da margem de erro.
Já o instituto Quaest colocava Domingos Sávio à frente com 22%, e Marília empatada com Viana com 18%, enquanto a sondagem da AtlasIntel apontava Marília com 23% e Sávio com 21,3%. A distribuição imprevisível da segunda vaga manteve a disputa aberta até o processamento das urnas, que confirmou a eleição conjunta de Domingos Sávio e de Marília Campos.


