As últimas pesquisas para presidente em Minas Gerais chegaram à eleição apontando uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. As urnas confirmaram a concentração da votação nos dois candidatos, mas revelaram uma vantagem maior do que aquela captada pelos principais levantamentos.
Uma comparação entre os números finais dos institutos e o resultado das urnas mostra que o Datafolha foi o que apresentou o menor erro médio entre os seis principais candidatos no estado.
O cálculo considera a diferença absoluta, em pontos percentuais, entre a última pesquisa disponível de cada instituto e o percentual efetivamente obtido na eleição. Quanto menor o número, mais próxima a pesquisa ficou da urna.
Com 100% da apuração, Flávio Bolsonaro terminou com 48,24% dos votos válidos em Minas Gerais, contra 43,33% de Lula. Augusto Cury teve 3,42%, Renan Santos ficou com 2,06%, Ronaldo Caiado obteve 1,92% e Romeu Zema, 0,82%.
Datafolha teve erro médio de 1,59 ponto
Na pesquisa final do Datafolha, Lula e Flávio apareciam empatados, ambos com 44% dos votos válidos. Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema tinham 3% cada.
Considerando os seis candidatos, a distância média entre a pesquisa e a votação efetiva foi de 1,59 ponto percentual.
O principal erro ocorreu justamente com Flávio Bolsonaro. O Datafolha apontava 44%, enquanto o candidato terminou com 48,24%, diferença de 4,24 pontos.
Em sentido oposto, a estimativa para Lula ficou muito próxima da urna: 44% na pesquisa e 43,33% no resultado, um erro de apenas 0,67 ponto. Também houve boa aproximação na votação de Augusto Cury, estimado em 3% e que terminou com 3,42%.
- *Atlasintel: refizemos a conta sem os 0,6% de brancos.
- *Quaest: transformamos os números em votos válidos. eles traziam 35% lula e 31% flávio em votos totais.
- Leia também: Qual pesquisa mais acertou a eleição para governador de Minas? Veja o resultado
- Leia também: Qual pesquisa eleitoral mais acertou para o Senado em Minas Gerais? Veja o resultado
Atlas ficou logo atrás
A AtlasIntel apresentou o segundo menor erro médio da comparação, com 1,75 ponto percentual. O levantamento divulgado antes da eleição mostrava Lula com 44,7% e Flávio Bolsonaro com 43,9% dos votos totais.
Como o resultado oficial da eleição é apresentado em votos válidos, os percentuais da Atlas foram recalculados excluindo os 0,6% de votos brancos e nulos informados pelo próprio levantamento.
Depois da normalização, Lula ficou com aproximadamente 44,97% e Flávio com 44,16%. Nesse caso, o erro em relação à votação de Flávio foi de 4,08 pontos. Para Lula, a distância ficou em 1,64 ponto.
Real Time teve bom desempenho, mas subestimou Flávio
A Real Time Big Data terminou em terceiro lugar na comparação, com erro médio de 1,95 ponto percentual. O instituto havia registrado Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 42% dos votos válidos.
A pesquisa praticamente acertou o resultado de Ronaldo Caiado: apontou 2%, diante dos 1,92% obtidos nas urnas, diferença de apenas 0,08 ponto percentual. Por outro lado, Flávio Bolsonaro foi subestimado em 6,24 pontos, maior diferença individual do instituto entre os principais candidatos.
Quaest ficou mais distante
A Quaest apresentou erro médio de 3,20 pontos percentuais, o maior entre os quatro institutos analisados.
Há uma ressalva importante: o último levantamento estadual localizado para presidente havia sido divulgado em 29 de setembro, antes das pesquisas finais dos demais institutos.
Na ocasião, Lula aparecia com 35% das intenções de voto, Flávio com 31% e Augusto Cury com 5%, além de 14% de indecisos e 6% entre brancos, nulos e eleitores que declaravam não votar.
Após a conversão dos números para votos válidos, Flávio aparecia com cerca de 38,75%, quase dez pontos abaixo dos 48,24% obtidos nas urnas.
Todos subestimaram a votação de Flávio Bolsonaro
A comparação revela um padrão comum aos quatro levantamentos: todos subestimaram o desempenho final de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.
A diferença foi de 4,24 pontos no Datafolha, 4,08 na Atlas, 6,24 na Real Time e 9,49 na Quaest. Com Lula ocorreu o contrário. Os levantamentos ficaram consideravelmente mais próximos do resultado final do petista. No ranking geral, considerando a distância média dos seis principais candidatos, o resultado ficou assim:
| Instituto | Erro médio |
|---|---|
| Datafolha | 1,59 p.p. |
| AtlasIntel | 1,75 p.p. |
| Real Time Big Data | 1,95 p.p. |
| Quaest | 3,20 p.p. |
O levantamento não mede margem de erro estatística nem determina isoladamente a qualidade metodológica de cada instituto. Trata-se de uma comparação retrospectiva simples entre a última fotografia publicada por cada empresa e o resultado efetivamente registrado nas urnas.
Nesse critério, porém, o resultado é objetivo: o Datafolha foi o instituto que, em média, chegou mais perto da eleição presidencial em Minas Gerais em 2026.


