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Kalil tem votos, mas falta partido: por que sua candidatura virou peça de negociação

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Alexandre Kalil chega à reta final das convenções em uma situação contraditória. O ex-prefeito de Belo Horizonte possui uma das candidaturas mais competitivas nas pesquisas, mas ainda não conseguiu formar uma aliança partidária proporcional ao seu desempenho eleitoral.

A fragilidade, portanto, não está necessariamente nos votos. Pesquisa DATATEMPO divulgada no fim de junho colocou Kalil em segundo lugar, com 18,3%, atrás de Cleitinho, que registrou 27,7%. Os demais nomes testados apareceram abaixo dos 6%.

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O problema está ao redor da candidatura. O PDT confirmou que pretende homologar Kalil para o governo em sua convenção estadual, marcada para domingo, 26 de julho. Carlos Lupi também afirmou que ele será candidato, mesmo com o apoio nacional do partido à reeleição do presidente Lula e com a presença de Patrus Ananias na disputa mineira pelo PT.

Isso afasta, por enquanto, uma desistência. Mas não elimina o fato de que Kalil ainda precisa escolher qual campo político pretende representar: uma centro-esquerda vinculada a Lula ou um projeto de centro, distante da polarização entre PT e PL.

Kalil tem voto, mas o PDT oferece pouca estrutura

O PDT elegeu 17 deputados federais em 2022. Pela projeção da divisão do horário eleitoral, a legenda acrescentaria sozinha cerca de 3% do programa completo destinado aos candidatos ao governo — aproximadamente 16 segundos em um bloco de nove minutos.

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Esse tamanho reduzido torna Kalil dependente de aliados para obter tempo de televisão, estrutura nos municípios, candidaturas proporcionais e recursos partidários.

É nesse ponto que sua pré-candidatura se torna negociável. Kalil pode continuar como cabeça de chapa, mas precisa oferecer espaços ao Senado, à vice e na coordenação política para atrair partidos que deem sustentação ao projeto. Caso contrário, é sua própria candidatura que entra em risco.

Caminho à esquerda ficou mais estreito

A primeira possibilidade seria reconstruir o campo que apoiou Kalil em 2022. Naquela eleição, ele foi o candidato de Lula ao governo mineiro. Em 2026, porém, a relação se deteriorou.

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Patrus Ananias foi confirmado como pré-candidato do PT e será o responsável pelo palanque oficial do presidente em Minas. Kalil, por sua vez, declarou que disputará contra o PT e descartou uma aliança no primeiro turno.

Carlos Lupi admitiu que Kalil ficou “machucado” porque Lula priorizou inicialmente Rodrigo Pacheco para o governo. Segundo o dirigente, o episódio criou incompreensões entre os dois lados. Ainda assim, Lupi prevê que PDT e PT estarão juntos em um eventual segundo turno no qual apenas um dos campos permaneça na disputa.

O espaço à esquerda também diminuiu com a movimentação do PSOL. A direção mineira declarou preferência por contribuir com a candidatura de Patrus e impôs duas condições para apoiar Kalil: compromisso com Lula e ausência de Aécio Neves na chapa.

A Rede chegou a avaliar Kalil como mais competitivo do que Patrus, especialmente pela capacidade de confronto nos debates. Como Rede e PSOL formam uma federação, porém, precisam tomar uma decisão conjunta.

Aliança com Aécio empurra candidatura para o centro

O caminho mais avançado neste momento é uma composição com a Federação PSDB-Cidadania. Kalil e Aécio Neves negociam uma chapa na qual o ex-prefeito concorreria ao governo e o tucano disputaria o Senado.

Interlocutores dos dois grupos afirmaram que o acordo estava próximo, embora a definição dependa da convenção da federação, marcada para 28 de julho.

Aécio procura um palanque de centro e mantém distância tanto do PT quanto do PL. Além de Kalil, o PSDB conversou com Gabriel Azevedo, do MDB, e Jarbas Soares Júnior, do PSB, mas a negociação com o PDT aparece como a mais adiantada.

Essa escolha daria a Kalil maior identidade própria, mas fecharia portas à esquerda. O PSOL já informou que não integrará uma chapa com Aécio. Lideranças da Rede também tratam a presença do tucano como um dificultador.

Por outro lado, uma aliança de centro poderia tentar atrair MDB, PSDB-Cidadania e outras legendas que não desejam integrar os polos comandados por Patrus, Mateus Simões ou uma eventual candidatura da direita bolsonarista.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.