A nova pesquisa Quaest sobre as eleições em Minas Gerais, prevista para ser divulgada nesta quarta-feira (23), vai medir bem mais do que a intenção de voto para governador e senador. O questionário obtido pelo Moon BH mostra que o instituto tenta identificar o grau de consolidação das escolhas, rejeição aos candidatos, força dos apoios de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema e três cenários específicos de segundo turno.
A rodada ouviu 1.506 eleitores mineiros entre 19 e 22 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento estadual está registrado como MG-03276/2026 e foi contratado pela Globo.
O formulário identifica o levantamento como a terceira rodada estadual de Minas Gerais. Há uma particularidade: Presidência, Governo de Minas e Senado integram o mesmo instrumento aplicado aos entrevistados, embora a pesquisa tenha registros eleitorais distintos por causa das regras do sistema PesqEle.
Pesquisa vai medir rejeição e se o voto já está consolidado
Para o Governo de Minas, a Quaest começa sem mostrar nomes: pergunta se o eleitor já escolheu em quem votar e, caso positivo, registra espontaneamente a resposta.
Depois, cada candidato passa por uma espécie de teste individual. O eleitor informa se nunca ouviu falar daquele nome, se o conhece e poderia votar nele ou se conhece, mas não votaria “de jeito nenhum”. É daí que saem os indicadores de conhecimento, potencial de voto e rejeição.
Na sequência vem a intenção estimulada. O cenário principal reúne 11 candidatos, incluindo Cleitinho Azevedo, Alexandre Kalil, Patrus Ananias, Mateus Simões, Flávio Roscoe e Gabriel Azevedo. Há ainda uma segunda simulação de primeiro turno, com dez nomes, sem Henrique Áreas. O questionário não explica a razão dessa segunda composição.
Quem aponta um candidato também responde se sua decisão é definitiva ou ainda pode mudar até a eleição. Esse número será particularmente relevante na reta final. Na rodada divulgada em 8 de setembro, Cleitinho tinha 32%, enquanto Patrus e Kalil apareciam com 11% cada e Mateus Simões, com 8%.
Quaest escolheu três confrontos para o segundo turno
O desenho do segundo turno também chama atenção. A Quaest apresentará exatamente três confrontos: Cleitinho x Alexandre Kalil, Cleitinho x Mateus Simões e Cleitinho x Patrus Ananias. O questionário não testa nesta rodada combinações entre Kalil, Simões e Patrus sem Cleitinho.
A escolha desses cenários é uma decisão metodológica do instituto e não significa antecipação sobre quais candidatos chegarão ao segundo turno.
Lula, Flávio Bolsonaro e Zema terão capacidade de transferência medida
Talvez o bloco politicamente mais interessante venha logo depois. Sem apresentar alternativas, a Quaest pergunta aos mineiros quem eles acreditam ser o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro, depois faz a mesma pergunta sobre Lula e, em seguida, sobre Romeu Zema.
Isso permitirá medir algo diferente de intenção de voto: se as alianças construídas pelas campanhas já são percebidas pelo eleitor.
No caso de Zema, há uma pergunta adicional: independentemente do próprio voto, o entrevistado deverá dizer se considera que o ex-governador “merece ou não merece eleger um sucessor que ele indicar”. Logo depois, a Quaest mede aprovação e avaliação do governo Mateus Simões e pergunta, espontaneamente, qual é atualmente o problema mais grave de Minas.
Presidência terá Lula x Flávio e uma pergunta incomum
O mesmo questionário medirá a disputa presidencial em Minas. São 13 nomes no primeiro turno, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos. Depois, o eleitor informa se o voto está definido. Para o segundo turno presidencial, há apenas uma simulação: Lula x Flávio Bolsonaro.
O instituto também pergunta sobre a aprovação do governo Lula e apresenta uma questão específica sobre o que provoca mais receio no eleitor: “a volta da família Bolsonaro ao poder” ou “mais um mandato de Lula”. O formulário ainda pergunta quem o entrevistado acredita que vencerá a eleição, independentemente de seu próprio voto.
Senado terá primeiro e segundo votos medidos separadamente
No Senado, onde cada mineiro poderá votar em dois candidatos, o formulário tenta capturar as duas escolhas separadamente. Primeiro pergunta espontaneamente pelo primeiro nome; depois, pelo segundo. Em seguida, mede conhecimento, potencial de voto e rejeição de 16 candidatos, entre eles Aécio Neves, Marília Campos, Carlos Viana, Domingos Sávio, Marcelo Aro, Áurea Carolina e Marco Antônio Superman.
Na estimulada, o eleitor escolhe inicialmente sua primeira opção e depois recebe novamente a lista, já sem o candidato escolhido, para definir a segunda. Também responde se a escolha está consolidada ou pode mudar. Na Quaest anterior, Marília tinha 13%, Aécio 10%, Carlos Viana 8%, Domingos Sávio 6% e Marcelo Aro 4%.
Pesquisa tentará identificar quem realmente pode mudar de voto
O questionário termina com variáveis que poderão ajudar a interpretar esses números. A Quaest pergunta o nível de interesse na eleição, histórico e intenção de comparecimento às urnas e divide a identificação política entre lulistas, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista e bolsonaristas.
Há até uma novidade ligada ao consumo de informação: entre TV, rádio, sites, redes sociais e WhatsApp, o instituto pergunta se o eleitor utiliza chats de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Claude, como principal fonte para se informar sobre política.
A própria Quaest afirma ter reforçado em 2026 sua metodologia para observar probabilidade de comparecimento e decisão tardia do voto, além da simples intenção declarada.
Assim, os percentuais de governador e Senado serão apenas a primeira leitura da pesquisa desta quarta. O questionário permitirá observar também quem conhece os candidatos, quem os rejeita, quanto voto permanece móvel e até que ponto os principais padrinhos políticos já conseguiram ser associados às candidaturas mineiras.


