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Pesquisas Quaest e Datafolha trarão dados diferentes ao Governo de Minas e Senado

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A safra de pesquisas eleitorais de agosto trará aos mineiros retratos elaborados por dois dos maiores institutos do país: Datafolha e Quaest. À primeira vista, quando os gráficos forem publicados nas telas de TV e portais de notícias, os levantamentos parecerão idênticos, apresentando os mesmos postulantes nas acirradas disputas pelo Palácio Tiradentes e pelas duas vagas ao Senado Federal.

Contudo, uma análise minuciosa dos formulários (os questionários submetidos aos eleitores nas ruas), realizada pelo Moon BH, revela que os institutos estão, na verdade, buscando respostas para perguntas fundamentalmente diferentes sobre a cabeça do eleitor mineiro em 2026.

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Enquanto o Datafolha jogará luz sobre a “fotografia” do momento, focando na rejeição imediata e na influência do tabuleiro presidencial, a Quaest mergulha na dinâmica estadual, investigando o peso da transferência de votos dos chamados “padrinhos políticos” e mapeando os cenários de segundo turno.

Em termos práticos, um instituto mostrará com clareza matemática quem lidera a corrida agora. O outro oferecerá pistas mais densas sobre por que o eleitor fez aquela escolha e, principalmente, o que ainda pode fazê-lo mudar de voto até outubro.

A nacionalização da eleição no microscópio do Datafolha

A divergência metodológica mais gritante entre os dois formulários reside na abordagem da corrida pela Presidência da República.

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O Datafolha (cujos resultados das 1.204 entrevistas serão divulgados na próxima sexta-feira, 21 de agosto) inicia seu questionário medindo a intenção de voto espontânea para todos os cargos. Em seguida, apresenta cenários estimulados para o Planalto que testam, por exemplo, a presença ou ausência de Pablo Marçal.

O grande diferencial do Datafolha, no entanto, é uma pergunta qualitativa inusitada: o instituto questiona se o eleitor escolheu seu candidato a presidente por acreditar que ele tem as melhores propostas e preparo, ou se a escolha se deu primariamente para “impedir a vitória de outro concorrente”. Essa métrica permitirá quantificar o tamanho do “voto útil” ou defensivo no estado. A pesquisa custou à Globo R$ 162 mil.

Quaest disseca os cenários do Governo de Minas e os “padrinhos”

No cenário estadual, a balança se inverte. O Datafolha limita-se a apresentar os 11 candidatos ao Governo de Minas, medir a intenção de voto, a rejeição e a avaliação do governador Mateus Simões, mas não inclui nenhuma simulação de segundo turno para a disputa estadual.

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A Quaest, por sua vez, testa seis cenários de confronto direto para o Palácio Tiradentes:

  • Alexandre Kalil x Cleitinho
  • Kalil x Mateus Simões
  • Kalil x Patrus Ananias
  • Cleitinho x Simões
  • Cleitinho x Patrus
  • Simões x Patrus

Gabriel Azevedo e Flávio Roscoe não serão testados pelo instituto para um eventual segundo turno.

Esses cruzamentos são vitais porque a liderança isolada no primeiro turno muitas vezes esconde um “teto de vidro”. As simulações revelam quais candidatos têm capacidade de agregar votos de eleitores derrotados quando o funil estreita para apenas duas opções.

A Quaest também aprofunda a análise individual: pergunta se o eleitor “não conhece”, “conhece e poderia votar” ou “conhece e não votaria de jeito nenhum” em cada um dos 11 postulantes. Isso ajuda as campanhas a diferenciar um candidato nanico por ser desconhecido de um candidato com baixa intenção por ser altamente rejeitado.

Outro ponto de inflexão na Quaest é o mapeamento do peso dos padrinhos políticos. O instituto quer saber se o eleitor prefere um governador “aliado de Lula”, “aliado de Flávio Bolsonaro” ou “independente”. Mais do que isso: o formulário pergunta diretamente se um eventual apoio público de Lula, Flávio Bolsonaro ou Romeu Zema aumentaria, diminuiria ou não alteraria a chance de voto.

Em uma eleição onde o PL lançou Flávio Roscoe, mas o senador Cleitinho (Republicanos) declara apoio ao bolsonarismo, saber exatamente quem o eleitor identifica como o “candidato de Flávio” é o dado que vale ouro para as campanhas. A Globo pagou R$ 212 mil pela pesquisa do instituto.

O raio-x do Senado e a nova régua ideológica

Na corrida pelo Senado, que oferta duas cadeiras em 2026, os dois institutos listam praticamente os mesmos 17 nomes.

A diferença tática? O Datafolha colhe a escolha dupla (espontânea e estimulada) e encerra o bloco. A Quaest insere uma etapa de “filtro”, perguntando o nível de conhecimento e a rejeição prévia sobre todos os 17 nomes antes de pedir a escolha final, o que ajudará a depurar o percentual de intenção de voto real.

Por fim, os institutos diferem na forma como medem a ideologia do mineiro. O Datafolha utiliza uma escala numérica de 1 a 5 (entre “bolsonarista” e “petista”) e de 1 a 7 (entre “esquerda” e “direita”). A Quaest trabalha com perfis identitários mais complexos: lulista; eleitor não-lulista com ideias de esquerda; independente; eleitor com ideias de direita (mas não bolsonarista); e bolsonarista puro-sangue.

No final das contas, as duas pesquisas se complementam, mas quem ler apenas a “manchete” dos resultados numéricos na sexta-feira correrá o risco de perder a riqueza dos bastidores que os institutos estão, silenciosamente, tentando mapear.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.