A nova pesquisa Genial/Quaest para o governo de Minas Gerais mostra que Cleitinho Azevedo ampliou numericamente sua vantagem enquanto o cenário abaixo dele passou por uma reorganização importante. No primeiro cenário estimulado divulgado nesta terça-feira (28), o senador do Republicanos aparece com 35% das intenções de voto. Em abril, na simulação equivalente, tinha 30%.
A alta de cinco pontos foi acompanhada por uma queda de Alexandre Kalil, que passou de 14% para 12%. Com isso, a diferença entre os dois aumentou de 16 para 23 pontos percentuais em três meses.
A comparação, no entanto, exige cuidado. A lista apresentada aos eleitores mudou entre os levantamentos. Rodrigo Pacheco, que tinha 8% em abril, saiu da disputa, enquanto Patrus Ananias estreou com 10% após ser escolhido pelo PT para concorrer ao Palácio Tiradentes.
Veja a comparação entre abril e julho da pesquisa Quaest MG
No primeiro cenário estimulado, os resultados foram:
| Candidato | Abril | Julho | Variação |
|---|---|---|---|
| Cleitinho Azevedo | 30% | 35% | +5 pontos |
| Alexandre Kalil | 14% | 12% | -2 pontos |
| Mateus Simões | 4% | 6% | +2 pontos |
| Gabriel Azevedo | 2% | 4% | +2 pontos |
| Ben Mendes | 4% | 2% | -2 pontos |
| Flávio Roscoe | 2% | 2% | estável |
| Maria da Consolação | 3% | 1% | -2 pontos |
| Rafael Duda | 0% | 0% | estável |
| Túlio Lopes | 0% | 0% | estável |
| Rodrigo Pacheco | 8% | não testado | — |
| Patrus Ananias | não testado | 10% | — |
| Jarbas Soares | não testado | 0% | — |
| Indecisos | 13% | 15% | +2 pontos |
| Branco, nulo ou não votaria | 20% | 13% | -7 pontos |
A rodada de julho ouviu 1.482 eleitores presencialmente entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-03490/2026. O levantamento de abril também entrevistou 1.482 pessoas, entre os dias 22 e 26 daquele mês, com a mesma margem de erro. O registro foi MG-08646/2026.
Cleitinho concentra quase toda a mudança do cenário
O movimento mais relevante foi o crescimento de Cleitinho. A soma dos votos atribuídos a candidatos passou de 67% em abril para 72% em julho, um avanço de cinco pontos. Essa é exatamente a variação registrada pelo senador. Em outras palavras, numericamente, todo o crescimento agregado das candidaturas no primeiro cenário foi absorvido por ele.
Ao mesmo tempo, a parcela que afirma votar em branco, anular ou não comparecer caiu de 20% para 13%. Os indecisos oscilaram de 13% para 15%.
Não é possível afirmar apenas com esses números que Cleitinho conquistou diretamente eleitores que antes pretendiam anular o voto. As pesquisas entrevistaram amostras diferentes. O resultado, porém, sugere que sua candidatura continua se consolidando enquanto uma parte maior do eleitorado começa a considerar os nomes apresentados.
A vantagem sobre o segundo colocado também deixou de ser apenas confortável. Em abril, Cleitinho tinha pouco mais que o dobro dos votos de Kalil. Agora, seus 35% são quase três vezes os 12% do ex-prefeito de Belo Horizonte.
Kalil recua, mas permanece numericamente em segundo
Alexandre Kalil oscilou de 14% para 12%. Como a variação está dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que houve uma queda consolidada. Politicamente, entretanto, o cenário ficou menos favorável. O ex-prefeito deixou de ser o único adversário mais próximo de Cleitinho e passou a dividir a segunda faixa com Patrus Ananias e Mateus Simões.
Considerando a margem de três pontos, os 12% de Kalil, os 10% de Patrus e os 6% de Simões formam um empate técnico. A distância numérica entre Kalil e Simões é de seis pontos, exatamente o limite das margens máximas dos dois resultados.
Kalil também enfrenta o maior índice de rejeição entre os nomes avaliados. Na rodada de julho, 39% disseram conhecê-lo e não votar nele, enquanto Patrus registrou 35% nesse indicador.
Patrus estreia acima do resultado de Pacheco
A principal mudança na lista foi a substituição política de Rodrigo Pacheco por Patrus Ananias. Em abril, Pacheco aparecia com 8% no primeiro cenário. Ele era apresentado como possível candidato do PSB, mas decidiu não concorrer. Depois de Marília Campos recusar a disputa pelo governo, o PT escolheu Patrus para liderar seu palanque.
O deputado federal estreou com 10%, numericamente dois pontos acima do resultado obtido por Pacheco. Não se trata, contudo, de uma evolução direta. São políticos diferentes, de partidos diferentes e testados em momentos distintos.
O resultado mostra que Patrus começa a campanha com um patamar competitivo dentro do segundo bloco, mas ainda distante de Cleitinho. A diferença entre os dois é de 25 pontos percentuais.
Também não há sinal, por enquanto, de que a presença do petista tenha retirado grande volume de votos de Kalil. O pedetista variou apenas dois pontos para baixo, enquanto Patrus alcançou dois dígitos.
Isso reforça a possibilidade de que ambos disputem parcelas parcialmente diferentes do eleitorado lulista e de centro-esquerda, ao menos nesta fase inicial.
Mateus Simões e Gabriel Azevedo avançam dois pontos
O governador Mateus Simões passou de 4% para 6%. Gabriel Azevedo saiu de 2% para 4%. As duas movimentações estão dentro da margem de erro, mas indicam que ambos permanecem na disputa em um cenário ainda marcado pelo desconhecimento de parte do eleitorado.
Simões assumiu o governo de Minas após a saída de Romeu Zema para concorrer à Presidência. A exposição no cargo poderá ampliar seu nível de conhecimento, mas o resultado de julho ainda não mostra uma transferência automática da popularidade ou da estrutura do governo estadual.
Gabriel, por sua vez, foi oficializado pelo MDB e tenta ocupar um espaço de centro. Seu crescimento numérico o colocou à frente de Ben Mendes e Flávio Roscoe, mas ainda longe do bloco formado por Kalil, Patrus e Simões.


