O governador Mateus Simões assumiu o controle da máquina estadual e definiu um alvo claro: garantir a reeleição pelo PSD em 2026. A articulação nos bastidores, no entanto, esbarra em um ultimato direto que pode reduzir a pó o seu tempo de televisão na propaganda eleitoral.
O projeto de formar uma ampla coligação de centro e direita enfrenta uma bomba-relógio armada pela disputa das cadeiras do Senado. A briga entre Marcelo Aro (PP) e Carlos Viana (PSD) travou as negociações partidárias. Se não resolver esse impasse rapidamente, Simões corre o risco real de entrar na disputa com uma chapa politicamente desidratada.
O cálculo que tira o sono do Palácio Tiradentes é puramente matemático. O PSD garante apenas 8,24% do tempo de rádio e TV. A sonhada federação formada pelo União Brasil e PP despejaria mais 20,75% na conta do governador. Entrar na disputa sem esses dois gigantes significa falar quase sozinho na reta final da campanha.
O porto seguro do Novo e o problema caseiro do PSD
O Partido Novo garante a sobrevida imediata do projeto governista. A antiga sigla de Romeu Zema amarra um acordo sólido com a equipe de Simões e aceita flexibilizar suas exigências para ajudar na costura política.
O foco atual do Novo consiste em decidir se ocupará a vaga de vice-governador. O nome do ex-deputado federal Lucas Gonzalez despontou nas reuniões internas para a função. A legenda, no entanto, trata a expansão da coligação como prioridade absoluta e topa ceder o posto caso a cadeira sirva como isca para atrair um peixe maior para a coligação.
No próprio PSD, a vaga ao governo estadual está cravada com Simões. O problema atende pelo nome de Carlos Viana. O senador quer tentar a reeleição pela sigla, ocupando um espaço na chapa e travando a principal moeda de troca do governador com outras legendas.
O ultimato de Marcelo Aro e o plano de ruptura
Simões prometeu apoio irrestrito a Marcelo Aro para ocupar uma das duas vagas ao Senado Federal. O ex-secretário, entretanto, joga pesado e recusa dividir o mesmo palanque majoritário com Carlos Viana.
A direção da federação União-PP subiu o tom e ameaça adotar uma medida drástica caso o PSD não retire a candidatura de Viana. A cúpula discute lançar o próprio Marcelo Aro como candidato ao Executivo estadual.
Essa ruptura repentina causaria um estrago múltiplo na campanha de Mateus Simões:
- Perda imediata de um quinto do tempo de exposição na televisão.
- Fuga em massa dos prefeitos do interior controlados pelo forte grupo político do PP.
- Saída automática de partidos menores, como Podemos e Agir, que orbitam a zona de influência direta de Aro e tendem a segui-lo em um projeto solo.
O balcão de negociações das legendas menores
Os partidos de menor porte acompanham o desenrolar da briga pelo Senado antes de oficializarem qualquer assinatura.
O PRD e o Solidariedade realizaram convenção na última segunda-feira (20), mas travaram o apoio ao governo estadual. Ambas as siglas já declararam alinhamento total a Marcelo Aro para o Senado e atrelaram seus destinos à decisão da federação União-PP.
O Avante segue aberto a propostas e flerta abertamente com o pré-candidato do MDB, Gabriel Azevedo. A federação PSDB-Cidadania adota a mesma postura e mantém forte distanciamento do projeto governista neste momento de incerteza.
A direita fragmentada isola o governador
A tentativa de Mateus Simões de unificar todo o espectro conservador enfrenta portas trancadas. O governador defende que a divisão entrega uma vantagem perigosa para os candidatos do bloco de esquerda. O argumento, porém, não convenceu os caciques bolsonaristas.
O Partido Liberal (PL) virou as costas para a atual administração. A legenda prioriza o lançamento de uma chapa própria para bater de frente nas urnas, tendo o empresário Vittorio Medioli e Flávio Roscoe como as alternativas diretas para a disputa. O partido também já blindou Domingos Sávio como seu único nome para o Senado.
O Republicanos adota a mesma postura de voo solo. A sigla sustenta a pré-candidatura agressiva de Cleitinho ao governo e tenta emplacar Luís Eduardo Falcão como vice. Caso o senador Cleitinho confirme a candidatura nas convenções, a estratégia de Simões para aglutinar a direita esfarela completamente.
Hoje, o governador tem nas mãos apenas o PSD e o Novo. Encontrar espaço na chapa para Marcelo Aro sem rachar publicamente com Carlos Viana ditará o tamanho, a força e a viabilidade da sua campanha nas ruas de Minas Gerais.


