O PT confirmou nesta segunda-feira, 20 de julho, a pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais. A decisão garante um palanque próprio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo maior colégio eleitoral do país, mas cria um problema imediato para Alexandre Kalil.
Filiado ao PDT e também pré-candidato ao Palácio Tiradentes, o ex-prefeito de Belo Horizonte pertence a um partido que se aproxima nacionalmente de Lula. A convenção do PDT marcada para esta segunda, em Brasília, deve aprovar o apoio à reeleição do presidente, depois de a legenda lançar Ciro Gomes nas duas eleições presidenciais anteriores.
Em Minas, porém, PT e PDT caminham para ocupar lados diferentes da mesma disputa. Patrus pretende ser o candidato oficial de Lula, enquanto Kalil não aceita abrir mão da cabeça de chapa.
E aí entram dois cenários: Kalil segue sua candidatura desidratada e com poucos recursos e pouco tempo de TV, ou o PDT abre mão de sua campanha para apoiar o candidato do PT em Minas Gerais. Se a coluna tivesse de escolher, apostaria na segunda opção.
Patrus encerra busca do PT por candidato
O anúncio ocorreu após uma reunião de Patrus com parlamentares e dirigentes petistas em Belo Horizonte. Em vídeo, o deputado afirmou que, depois de conversas e reflexões, havia decidido anunciar formalmente sua pré-candidatura ao governo mineiro.
A definição encerra uma busca que atravessou diferentes nomes. O plano inicial de Lula era apoiar o senador Rodrigo Pacheco, que decidiu deixar a vida pública ao fim do mandato. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos também foi pressionada a concorrer, mas preferiu manter o projeto de disputar o Senado.
Patrus surge, portanto, como uma solução interna do PT. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro, ele permite que Lula tenha um candidato diretamente ligado ao partido e à história dos governos petistas.
Kalil já disse que não recua

Mesmo antes do anúncio oficial, Kalil descartou uma aliança com o PT no primeiro turno. Ao ser questionado se a escolha de Patrus alteraria sua posição, respondeu: “Absolutamente não”. O próprio PDT tratava Kalil como uma de suas principais apostas. Ao recebê-lo no partido, em outubro de 2025, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, afirmou que estava diante do “futuro governador de Minas Gerais”.
Por isso, a confirmação de Patrus não significa automaticamente que a direção nacional retirará Kalil da disputa.
PDT pode apoiar Lula e lançar Kalil?
A situação cria uma aparente contradição, mas não torna a candidatura inviável. As regras internas do PDT entregam às convenções estaduais a decisão sobre candidatos a governador e coligações locais. Ao mesmo tempo, os diretórios precisam respeitar as diretrizes políticas aprovadas pela direção nacional.
Na prática, o PDT pode apoiar Lula para presidente e manter Kalil como candidato ao governo, desde que a direção nacional aceite esse arranjo. Isso criaria dois palanques ligados à candidatura presidencial: o oficial, comandado por Patrus, e outro formado por Kalil, que poderia apoiar Lula sem integrar a mesma coligação estadual.
Essa divisão, porém, reduz a chance de Kalil receber estrutura, tempo de televisão e recursos dos partidos que optarem pela chapa petista. Também o obriga a buscar alianças fora do núcleo formado por PT, PCdoB e PV.


