O deputado federal Nikolas Ferreira tornou pública a relação ambígua que o PL mantém com o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. Ao mesmo tempo em que admitiu possuir ressalvas a algumas posições do possível candidato ao governo de Minas, o parlamentar afirmou que seu partido deverá apoiá-lo caso a candidatura seja confirmada.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (27), durante a convenção estadual do PL na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O encontro oficializou Domingos Sávio para o Senado, mas terminou sem um candidato definido para o Palácio Tiradentes justamente porque a legenda ainda aguarda a decisão de Cleitinho.
A fala de Nikolas não representa um rompimento. Ela expõe, porém, que uma eventual aliança entre PL e Cleitinho será construída mais por cálculo eleitoral do que por concordância integral entre seus principais integrantes.
Nikolas apoia Cleitinho, mas cobra uma decisão
Nikolas afirmou que Cleitinho aparece à frente dos demais nomes nas pesquisas e poderia fazer uma boa administração caso recebesse apoio para formar uma equipe e estruturar sua candidatura.
O deputado também assegurou que o PL caminhará ao lado do senador caso ele decida concorrer. Segundo Nikolas, Minas é estratégica para a eleição presidencial e precisa oferecer um palanque competitivo a Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.
O apoio veio acompanhado de uma cobrança. Nikolas considerou que Cleitinho já deveria ter definido seu futuro eleitoral, pois a demora reduz o tempo disponível para negociar partidos, escolher um vice, elaborar propostas e organizar uma campanha estadual.
“Se eu fosse o Cleitinho, já teria decidido antes”, declarou o deputado durante a convenção. Apesar da crítica, ele reconheceu que os sucessivos adiamentos ainda não provocaram uma perda visível nas intenções de voto. Cleitinho já adiou pelo menos quatro vezes o anúncio sobre sua candidatura. O senador permanece publicamente cauteloso, embora seu irmão, Eduardo Azevedo, tenha afirmado que a decisão de concorrer já estaria tomada.
Quais são as ressalvas de Nikolas a Cleitinho?

Nikolas não detalhou na convenção quais posições específicas de Cleitinho provocam suas ressalvas. O histórico recente entre os dois, entretanto, mostra que a divergência não surgiu agora.
Em abril, integrantes do PL relataram ao UOL que Nikolas resistia à filiação de Cleitinho ao partido, mesmo com o interesse da direção nacional em lançá-lo ao governo. Procurado na ocasião, o deputado negou atuar contra o senador e afirmou que suas críticas se limitavam a “temas pontuais”.
Nos bastidores, aliados atribuíram o desconforto ao estilo político de Cleitinho, considerado por Nikolas mais emocional e menos calculado para uma disputa majoritária.
Também foram citados episódios em que o senador se afastou do discurso adotado pelo núcleo do PL. Entre eles, o uso da expressão “PEC da Blindagem” para criticar uma proposta que ampliava proteções parlamentares e a afirmação de que o Congresso seria “inimigo do povo”. Esses episódios ajudam a explicar a formulação escolhida por Nikolas: apoio eleitoral, mas sem conceder uma adesão política irrestrita.
PL mantém alternativas caso Cleitinho desista
Nikolas afirmou que o PL possui opções próprias caso Cleitinho decida permanecer no Senado. Ele citou o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, e o ex-secretário estadual Marcelo Aro.
Medioli e Roscoe estão filiados ao PL e poderiam sustentar uma candidatura partidária. Aro pertence ao PP e dependeria de um acordo envolvendo também a federação União Progressista.
A apresentação desses nomes funciona como uma demonstração de que o PL não pretende esperar indefinidamente. Ao mesmo tempo, nenhum deles reúne atualmente o desempenho eleitoral atribuído a Cleitinho.
A declaração de Nikolas deixa a relação entre os dois mais clara: Cleitinho é tratado como a alternativa eleitoralmente mais forte, mas ainda enfrenta desconfianças dentro do grupo que pretende apoiá-lo.


