A decisão mais aguardada da eleição mineira pode ser anunciada neste sábado, 25 de julho. O Republicanos realiza sua convenção estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais com a expectativa de confirmar, ou finalmente descartar, a candidatura do senador Cleitinho ao governo.
Líder das pesquisas em que aparece, Cleitinho não mexe apenas no projeto do próprio partido. Sua decisão altera diretamente os caminhos de Marcelo Aro, Mateus Simões, PL, União Brasil e PP.
O senador ainda não havia anunciado formalmente sua presença na convenção. A missa de sétimo dia de seu irmão Matheus Augusto Azevedo, morto após complicações de uma leucemia, também será realizada neste sábado. Apesar do momento familiar, dirigentes partidários aguardam uma definição sobre a eleição.
Há dois cenários completamente diferentes em construção. Se Cleitinho aceitar disputar o Palácio Tiradentes, tende a reunir parte relevante da direita em torno de sua candidatura. Caso desista, Marcelo Aro pode deixar a corrida pelo Senado e assumir o posto de candidato a governador de um novo bloco.
Se Cleitinho desistir, Aro deixa Simões
A confirmação de desistência de Cleitinho praticamente consolida a saída da Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — da aliança pretendida por Mateus Simões.
Marcelo Aro vinha negociando uma candidatura ao Senado na chapa do atual governador, mas a chegada de Carlos Viana ao PSD, considerada uma quebra de acordo, o obriga a mudar de planos para a eleição. Ele poderia reunir na chapa o União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e o PL.
Se Cleitinho desistir, Aro pode virar candidato a governador
Uma desistência produziria o efeito oposto. O Republicanos já abriu conversas para apoiar Marcelo Aro ao governo. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, confirmou uma reunião com dirigentes de União Brasil e PP para discutir essa possibilidade.
O PL também sinalizou que pode apoiar Aro. Nesse desenho, ele deixaria a disputa pelo Senado para liderar uma chapa formada por União-PP, Republicanos e PL. A prioridade do PL é eleger Domingos Sávio, e uma candidatura de Gleidson poderia disputar o mesmo eleitorado.
Mateus Simões seria o principal prejudicado

Mateus Simões tem mais a perder com a entrada de Cleitinho. O governador ficaria cercado por duas candidaturas capazes de disputar eleitores semelhantes: Cleitinho, associado ao campo conservador, e uma eventual candidatura própria do PL, caso o acordo entre os partidos não seja concluído.
O cenário mais provável, porém, é que Cleitinho concentre Republicanos, PL e União-PP. Simões permaneceria com PSD, Novo e aliados menores, além de enfrentar dificuldades para recompor o tempo de televisão e a capilaridade municipal perdidos com a saída do grupo de Aro.
A candidatura do governador não desapareceria. Ele continuaria com a máquina estadual, o apoio de Romeu Zema e uma estrutura partidária nacional. Mas perderia a narrativa de candidato capaz de unificar a direita e entraria na campanha disputando espaço com o líder das pesquisas.
Para Mateus Simões, a desistência de Cleitinho cria uma situação paradoxal. Ele ganharia espaço eleitoral, mas não necessariamente recuperaria seus antigos aliados.
A decisão deste sábado, portanto, define mais do que um candidato. Se Cleitinho concorrer, Aro tende ao Senado, o PL ganha um palanque forte e Simões perde aliados. Se desistir, Aro pode se tornar candidato ao governo, o PL abandona seus planos próprios e o governador passa a enfrentar um novo bloco nascido dentro de sua antiga base.


