Quanto custa uma campanha para tentar governar Minas Gerais? Pelas contas da eleição de 2022, a resposta matemática é de aproximadamente R$ 4,9 milhões por candidato. A realidade, entretanto, foi muito mais desigual. Para 2026, os candidatos poderão gastar o mesmo valor de 2022. Serão até R$ 17,8 milhões para cada no primeiro turno e mais R$ 8,9 milhões no segundo, se houver.
As dez candidaturas ao Palácio Tiradentes declararam, juntas, R$ 47,39 milhões em receitas e R$ 48,39 milhões em despesas totais. A média de arrecadação foi de R$ 4,74 milhões, enquanto o gasto médio chegou perto de R$ 4,84 milhões. O número médio, porém, esconde uma concentração enorme de recursos entre poucos nomes.
O levantamento do Moon BH considera os valores nominais registrados nas prestações de contas de 2022, sem correção pela inflação. A base oficial do Tribunal Superior Eleitoral reúne as contas apresentadas pelos candidatos por meio do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais, o SPCE.
Para o cálculo, o termo “gasto” significa a despesa total declarada, incluindo pagamentos financeiros e bens ou serviços estimáveis em dinheiro.
Quanto cada candidato gastou
A lista abaixo mostra a despesa total declarada por cada candidato ao governo de Minas em 2022, do maior para o menor gasto:
- Romeu Zema (Novo): R$ 17.686.079,30
- Alexandre Kalil (PSD): R$ 16.081.867,02
- Carlos Viana (PL): R$ 7.473.872,79
- Marcus Pestana (PSDB): R$ 4.620.000,00
- Lorene Figueiredo (PSOL): R$ 2.130.568,02
- Vanessa Portugal (PSTU): R$ 171.217,50
- Cabo Tristão (PMB): R$ 113.589,84
- Renata Regina (PCB): R$ 108.928,28
- Indira Xavier (UP): R$ 7.703,99
Quantos votos cada candidato teve
Esta segunda lista mostra a votação registrada por cada candidato, do mais votado ao menos votado, segundo a apuração de 2022 do TSE:
- Romeu Zema (Novo): 6.094.136 votos
- Alexandre Kalil (PSD): 3.805.182 votos
- Carlos Viana (PL): 783.800 votos
- Marcus Pestana (PSDB): 60.637 votos
- Cabo Tristão (PMB): 15.774 votos
- Indira Xavier (UP): 15.604 votos
- Renata Regina (PCB): 12.514 votos
- Vanessa Portugal (PSTU): 12.009 votos
- Lorene Figueiredo (PSOL): 44.898 votos
Os 2.012 votos registrados para Lourdes Francisco foram classificados como anulados, razão pela qual não integram o total oficial de votos válidos.
Quanto custou conquistar cada voto
A terceira lista mostra o custo por voto de cada candidato, resultado da divisão da despesa total pelos votos recebidos, do mais caro ao mais barato:
- Marcus Pestana (PSDB): R$ 76,19 por voto
- Lorene Figueiredo (PSOL): R$ 47,45 por voto
- Vanessa Portugal (PSTU): R$ 14,26 por voto
- Carlos Viana (PL): R$ 9,54 por voto
- Renata Regina (PCB): R$ 8,70 por voto
- Cabo Tristão (PMB): R$ 7,20 por voto
- Alexandre Kalil (PSD): R$ 4,23 por voto
- Romeu Zema (Novo): R$ 2,90 por voto
- Indira Xavier (UP): R$ 0,49 por voto
A leitura conjunta dos dados desmonta a ideia de uma “média” representativa. Embora o gasto médio tenha ficado perto de R$ 4,9 milhões, apenas três candidatos ultrapassaram esse valor. A maior parte das campanhas operou com recursos muito abaixo da média.
O custo por voto revela outra história. Romeu Zema, além de vencer a eleição, teve um dos menores custos por voto entre os principais nomes, gastando R$ 2,90 por cada voto recebido. Isso mostra que sua campanha converteu recursos em votos com eficiência.
No outro extremo, Marcus Pestana teve o maior custo unitário entre os candidatos com votação relevante: R$ 76,19 por voto. O caso ilustra como um orçamento considerável pode render pouco quando a candidatura não decola nas urnas.


