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Kalil tem R$ 1,4 mi nos EUA, mas salário já foi penhorado por dívida trabalhista

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O registro da candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao Governo de Minas Gerais trouxe à tona um dado financeiro que ganha contornos curiosos quando cruzado com o histórico empresarial e judicial do ex-prefeito de Belo Horizonte.

Na sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kalil informou possuir R$ 1.420.459,22 depositados em uma conta nos Estados Unidos. O valor bilionário contrasta frontalmente com o período em que ele despachava na prefeitura, época em que decisões da Justiça do Trabalho chegaram a bloquear parte de seu salário público para quitar dívidas trabalhistas de empresas das quais era sócio.

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A conta americana é, hoje, o segundo item mais valioso de todo o patrimônio declarado pelo candidato em 2026, ficando atrás apenas de um apartamento no bairro Belvedere avaliado em R$ 1,85 milhão. No total, o patrimônio de Kalil saltou de R$ 3,65 milhões (em 2022) para R$ 5,94 milhões, um crescimento patrimonial de 62%.

O rastro documental liga a instituição financeira a processos antigos, aponta valores similares em 2020 e reitera a existência do dinheiro nas declarações eleitorais de 2022 e 2026.

Conta no exterior já aparecia antes da eleição de 2022

A instituição declarada por Kalil é o Delta National Bank and Trust Company. Na eleição de 2022, o ex-prefeito já havia informado ao TSE a existência de R$ 1.058.261,49 em conta corrente no exterior (o maior bem individual de seu patrimônio na época). Quatro anos depois, o saldo cresceu cerca de 34% nominalmente (provavelmente pela valorização do dólar).

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O histórico da conta, contudo, vem de longe. Em 2022, a CNN revelou documentos sobre essa conta nos EUA, cruzando os dados com a declaração da eleição municipal de 2020, quando Kalil declarou pouco mais de R$ 1 milhão como “aplicações financeiras”.

Há ainda um registro documental de 2018. O Delta National Bank aparece citado no processo trabalhista nº 0010746-20.2016.5.03.0013, que envolve as empresas Fergikal e Alexandre Kalil. Uma ata do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-3) confirma que o processo estava ativo em novembro de 2018, indicando que o banco já circulava no radar judicial, embora o saldo da época seja desconhecido.

O bloqueio do salário de prefeito

O grande contraste para o eleitor está no fato de que, enquanto esse patrimônio existia (ou era formado) fora do país, credores trabalhistas suavam nos tribunais brasileiros para tentar penhorar bens e receber o que as antigas empresas da família Kalil deviam.

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Em dezembro de 2020, o telejornal MG1 revelou que Kalil poderia ter parte de seu salário retido devido a uma condenação envolvendo a Erkal Engenharia. Em 2022, a revista Veja mapeou 125 processos trabalhistas contra a Erkal e a Fergikal, revelando que a Justiça chegou a determinar o congelamento de contas e a retenção de 30% do salário de prefeito de Kalil.

Na época, advogados dos ex-funcionários já levantavam suspeitas sobre contas no exterior. Kalil negou veementemente possuir patrimônio oculto, argumentando que os processos eram “antigos e eleitoreiros”, que as dívidas estavam sendo negociadas e que bens haviam sido oferecidos para quitação.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.