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Alexandre Kalil diz que “Psol não é bem-vindo” em sua campanha

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Alexandre Kalil (PDT) elevou o tom diante da crise aberta na Federação PSOL-Rede em Minas Gerais. Um dia depois de a aliança partidária decidir apoiar sua candidatura ao Governo de Minas, o ex-prefeito de Belo Horizonte deixou claro que enxerga de maneiras completamente diferentes os dois partidos que, perante a Justiça Eleitoral, funcionam como uma só legenda.

“Quero a Rede em minha campanha. Já o PSOL não é bem-vindo”, disparou Alexandre Kalil nesta terça-feira, 11, via assessoria de imprensa.

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A declaração transforma um racha que já era incomum em uma situação ainda mais peculiar. Na segunda-feira (10), a direção mineira da Federação PSOL-Rede aprovou, por quatro votos a três, o apoio a Kalil. Todos os representantes da Rede votaram pelo pedetista; os integrantes do PSOL defenderam Patrus Ananias (PT).

O PSOL não aceitou a derrota interna e anunciou que recorrerá à direção nacional para tentar derrubar a decisão. Agora, o próprio beneficiário da votação deixa claro que tampouco deseja a participação dos psolistas em sua campanha.

Kalil quer justamente o partido que garantiu sua vitória

A frase de Kalil é facilmente explicada pela matemática da votação.

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Foi a Rede Sustentabilidade que garantiu a maioria necessária para que a federação escolhesse Kalil. O partido defende há meses que o ex-prefeito possui maior competitividade eleitoral e capacidade de dialogar simultaneamente com setores da esquerda e do centro.

Há também uma relação política antiga.

Paulo Lamac, hoje porta-voz nacional da Rede e um dos principais defensores da aproximação, foi vice-prefeito de Kalil em Belo Horizonte entre 2017 e 2020. As conversas entre o pedetista e a Federação PSOL-Rede começaram formalmente ainda em abril.

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O PSOL percorreu o caminho contrário. Dirigentes chegaram a negociar com Kalil, afastaram-se ao considerar que ele avançava demasiadamente em direção ao centro e depois retomaram as conversas em julho.

A escolha de Carlos Mosconi, um dos nomes históricos do PSDB mineiro, para vice de Kalil acabou aprofundando novamente a divergência. A presidente estadual do PSOL, Iza Lourença, afirmou que uma coligação com o PSDB iria contra o que o partido construiu politicamente e anunciou recurso à direção nacional.

Rede e PSOL não podem simplesmente se separar

Rede e PSOL não são apenas dois partidos que fizeram uma aliança temporária. Eles integram uma federação partidária. Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, federações atuam como uma única agremiação, tanto nas eleições majoritárias quanto nas proporcionais, e permanecem vinculadas por pelo menos quatro anos.

Isso significa que, formalmente, Kalil não pode simplesmente incorporar a Rede à sua coligação estadual e excluir o PSOL como se as duas legendas fossem independentes. Se a Federação PSOL-Rede integrar formalmente a aliança do candidato do PDT, será a federação que estará na composição. Não apenas a Rede. As regras eleitorais reconhecem a federação como unidade partidária para esses atos.

Politicamente, porém, a situação pode ser diferente. A própria resolução aprovada em Minas preservou ao PSOL liberdade para manifestar apoio a Patrus Ananias, mesmo com a decisão majoritária da federação favorável a Kalil.

Na prática, pode nascer uma configuração quase paradoxal: a Federação PSOL-Rede formalmente com Kalil; a Rede fazendo campanha para Kalil; e dirigentes do PSOL pedindo votos para Patrus.

PSOL ainda quer derrubar decisão nacionalmente

A disputa não terminou com a votação de segunda-feira. O PSOL mineiro pretende recorrer à instância nacional da federação. A direção nacional informou que analisará o tema considerando a autonomia e a leitura política das duas legendas antes de comunicar uma decisão definitiva.

O partido sustenta ainda que sua posição é mais coerente com a estratégia nacional. PSOL e Rede apoiam a reeleição de Lula, enquanto Patrus será o principal candidato ao Governo de Minas ligado diretamente ao presidente.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.