O Flamengo cedeu um número recorde de jogadores para a Copa do Mundo de 2026. A presença de tantos atletas no principal torneio do planeta comprovou a força do elenco, mas também criou um problema que Leonardo Jardim ainda tenta resolver.
Durante a paralisação, uma parte do grupo trabalhou por mais de 30 dias sob o comando do treinador. Outra esteve com diferentes seleções, exposta a métodos, ideias, funções táticas e rotinas físicas completamente distintas.
Depois do empate por 1 a 1 com o Internacional, Jardim admitiu que ainda não conseguiu transformar novamente esses grupos em uma única equipe.
“Tivemos um grupo treinando durante 30 e tantos dias e outro grupo que esteve fora, trabalhando com outros treinadores, outras ideias e outros comportamentos”, explicou o português.
Flamengo teve recorde de convocados
Nove jogadores do Flamengo foram convocados para a Copa do Mundo. Alex Sandro, Danilo, Léo Pereira e Lucas Paquetá defenderam o Brasil. Varela, De la Cruz e Arrascaeta representaram o Uruguai. Gonzalo Plata foi chamado pelo Equador, enquanto Carrascal integrou a seleção colombiana.
Leonardo Jardim chegou a mencionar dez ausências durante a preparação, considerando o conjunto de jogadores que não pôde acompanhar normalmente o período de treinamentos.
Enquanto os convocados disputavam a Copa, o treinador levou o restante do elenco para uma intertemporada em Portugal. Jovens da base foram integrados à delegação, e o Flamengo utilizou o período para realizar testes e trabalhar conceitos.
O problema apareceu quando os atletas começaram a retornar em momentos diferentes. Alguns chegaram após eliminações antecipadas. Outros avançaram mais na competição. Houve jogadores que precisaram de descanso, atletas com questões físicas e peças que treinaram separadamente.
Retorno aconteceu a conta-gotas
Jardim afirmou que os convocados voltaram “a conta-gotas”. Como o Flamengo iniciou rapidamente uma sequência de partidas e viagens, a comissão técnica teve pouco tempo para treinar o grupo completo.
Segundo o treinador, foram três jogos em aproximadamente dez dias. O calendário obrigou a comissão a priorizar recuperação física, preparação para adversários e deslocamentos. A reorganização coletiva acabou ficando em segundo plano.
A consequência pode ser observada no comportamento da equipe. Contra o Internacional, o Flamengo teve posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar o controle territorial em chances claras.
“A primeira parte não foi boa, principalmente no jogo ofensivo. Não conseguimos ligar o jogo. Tivemos alguma dificuldade em criar, tivemos posse de bola e lateralizamos muito o jogo”, reconheceu Jardim.
O Flamengo melhorou depois do intervalo e empatou com Samuel Lino, mas não produziu o suficiente para buscar a virada. Foi o segundo empate consecutivo no Brasileirão, depois do resultado diante do São Paulo no Maracanã.
Dois grupos, uma mesma camisa
A dificuldade citada por Jardim não significa que exista uma divisão pessoal no elenco. O problema é de funcionamento.
Um jogador que passou semanas com uma seleção pode ter recebido instruções diferentes sobre pressão, posicionamento, cobertura, velocidade de circulação e ocupação de espaços. Também pode voltar em uma condição física distinta dos companheiros que permaneceram no clube.
No Flamengo, essa situação atingiu quase um time inteiro. Entre os convocados estão defensores, laterais, meio-campistas e jogadores responsáveis pela criação ofensiva.
Arrascaeta, Paquetá, De la Cruz e Carrascal, por exemplo, possuem participação direta na organização do jogo. Se cada um retorna em um ritmo ou em uma etapa física diferente, Jardim não consegue simplesmente recolocar todos na equipe e esperar que o funcionamento anterior reapareça.
O mesmo vale para a defesa. Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Varela precisam recuperar os movimentos coletivos trabalhados durante a primeira parte da temporada.
Jardim ganha período decisivo
O Flamengo só voltará a campo em 9 de agosto, quando enfrentará o Vitória, às 19h30, no Maracanã. O intervalo sem partidas será utilizado para reunir o elenco e reconstruir o padrão de jogo.
Lucas Paquetá também deve começar a trabalhar normalmente com o grupo durante esse período. Jardim indicou que, com a integração do meia, passará a ter o elenco fechado para realizar os ajustes.
A missão envolve recuperar o que o treinador chama de “DNA” do Flamengo: uma equipe mais agressiva, vertical e efetiva, sem depender de uma posse de bola estéril.
A urgência aumentou porque o Palmeiras abriu oito pontos de vantagem na liderança. O Flamengo chegou aos 39, enquanto o rival alcançou 47 depois de golear o Vitória.
Jardim reconheceu que os resultados preocupam e que cada tropeço possui peso na disputa pelo título. Ao mesmo tempo, o treinador acredita que o período livre permitirá recuperar a qualidade apresentada antes da Copa.
O Flamengo não voltou pior da paralisação simplesmente porque seus jogadores perderam qualidade. Voltou como um grupo que passou mais de um mês dividido entre rotinas completamente diferentes.
Agora, Leonardo Jardim terá alguns dias para realizar um trabalho que não conseguiu fazer durante a sequência de partidas: reunir novamente os titulares, igualar comportamentos e transformar vários retornos individuais em um time.


