O Flamengo entra no Maracanã nesta quinta-feira (17) com uma vantagem que parece confortável: venceu o Independiente del Valle por 2 a 0 em Quito e pode até perder o jogo de volta por um gol de diferença sem deixar escapar a vaga na semifinal da Libertadores.
Para ser eliminado durante os 90 minutos, o cenário precisa ser muito mais extremo. O Del Valle terá de vencer por três ou mais gols de diferença. Uma vitória equatoriana por dois levaria a decisão para os pênaltis.
Há 18 anos o Flamengo não sofre em casa, pela Libertadores, exatamente o tipo de derrota capaz de eliminá-lo nesta noite. E a última vez virou um dos maiores traumas continentais da história rubro-negra.
O fantasma é o América do México
Em 2008, o Flamengo também parecia ter praticamente resolvido uma eliminatória fora de casa.
Nas oitavas de final, venceu o América-MEX por 4 a 2 no México e voltou ao Rio carregando dois gols de vantagem. O cenário era tão favorável que a eliminação parecia improvável.
Então veio o 3 a 0 no Maracanã. O resultado eliminou o Flamengo e criou uma referência que permanece associada a grandes vantagens rubro-negras na Libertadores quase duas décadas depois.
Desde aquele confronto, segundo levantamento publicado pelo Lance, o Flamengo abriu dois ou mais gols de vantagem em outros seis mata-matas da competição e avançou em todos.
O Del Valle precisa repetir justamente a exceção.
Flamengo construiu a vantagem onde normalmente seria mais difícil

O contexto atual ainda possui uma diferença importante em relação a 2008.
O time de Leonardo Jardim conseguiu construir seus dois gols de vantagem em Quito, enfrentando não apenas o Del Valle, mas também a altitude.
O primeiro tempo foi complicado. O Flamengo terminou a etapa sem finalizar e viu o adversário produzir mais volume. A partida mudou depois do intervalo.
Bruno Henrique abriu o placar aos 15 minutos da segunda etapa. Léo Pereira fez o segundo após jogada ensaiada em cobrança de escanteio. Foram apenas duas finalizações certas durante toda a partida. As duas terminaram dentro do gol.
Isso permitiu ao Flamengo voltar da altitude não apenas em vantagem, mas com margem suficiente para transformar o jogo do Maracanã em um problema muito maior para os equatorianos.
O Del Valle precisa fazer algo que ninguém conseguiu recentemente
O retrospecto como mandante torna a missão ainda mais difícil.
Na Libertadores de 2026, o Flamengo venceu os quatro jogos disputados no Maracanã antes da decisão desta quinta-feira, marcou dez gols e sofreu apenas dois.
O histórico recente é ainda maior. Desde 2018, o clube não perde no estádio por dois ou mais gols de diferença na competição.
Para eliminar diretamente o Flamengo, portanto, o Del Valle precisa superar em um único jogo uma margem que nenhum visitante continental conseguiu estabelecer no Maracanã durante esse período.
E precisa fazer isso contra um adversário que chega à partida sabendo que não necessita correr riscos.
A vantagem também cria uma armadilha
Uma equipe que entra precisando vencer por três gols não tem muitas alternativas além de aumentar progressivamente sua exposição.
Para o Flamengo, isso tende a criar espaços que não existiram no primeiro tempo em Quito. Ao mesmo tempo, a vantagem pode convidar o time a recuar demais.
A história de 2008 serve menos como previsão e mais como alerta sobre aquilo que uma eliminatória aparentemente controlada pode se tornar quando o adversário consegue marcar cedo.
Leonardo Jardim terá de encontrar o equilíbrio entre proteger o resultado e manter capacidade ofensiva suficiente para impedir que o Del Valle transforme o jogo em pressão contínua.
O Maracanã também será um elemento dessa equação, apesar das críticas recentes ao estado do gramado.
Se repetir os últimos seis casos, Flamengo avança
Depois da eliminação para o América-MEX, o Flamengo voltou a abrir vantagem de pelo menos dois gols em seis confrontos eliminatórios de Libertadores. Avançou nos seis.
A lista inclui campanhas que terminaram em título, como 2019 e 2022. Houve também situações diferentes, como o confronto com o Bolívar em 2024, quando o Rubro-Negro perdeu a volta por 1 a 0 na altitude e mesmo assim confirmou a classificação.
Agora a conta é novamente favorável. O Flamengo pode vencer, empatar ou perder por um gol. Pode até perder por dois e permanecer vivo nos pênaltis.
Para ir embora da Libertadores antes das cobranças, será necessário sofrer no Maracanã uma derrota por três gols que não acontece em um mata-mata continental desde 2008.
Dezoito anos depois, o América do México continua sendo lembrado. O Flamengo espera que continue sendo apenas uma lembrança.


