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Flamengo passou 13 minutos em situação que quase não conhece na Libertadores

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O Flamengo disputou mais de 800 minutos na Libertadores de 2026 e passou menos de 14 deles em uma situação aparentemente comum no futebol: atrás no placar. O número ajuda a explicar de maneira bastante concreta por que a campanha rubro-negra chegou às quartas de final cercada por uma sensação de controle.

Foram exatamente 13 minutos e 54 segundos em desvantagem dentro de 803 minutos e 11 segundos disputados, equivalente a somente 1,7% do tempo total. Nenhuma outra equipe da competição apresenta percentual menor.

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Existe ainda um detalhe que torna a estatística mais impressionante. Todos esses minutos aconteceram em uma única partida.

Cruzeiro foi o único que colocou Flamengo atrás

A única vez em que o Flamengo esteve perdendo na Libertadores de 2026 aconteceu contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelas oitavas de final. Fora daquele pequeno intervalo, o time esteve empatando ou vencendo durante praticamente toda a caminhada continental.

O levantamento aparece entre os números divulgados pela Conmebol antes das partidas de volta das quartas de final. Ele oferece uma leitura diferente daquela normalmente utilizada para medir domínio, como posse de bola, número de finalizações ou gols marcados.

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Nesse caso, a pergunta é simples: durante quanto tempo o adversário conseguiu obrigar o Flamengo a correr atrás do resultado? A resposta, até agora, é quase nunca.

Número ajuda a explicar equipe de Leonardo Jardim

leonardo jardim e léo ortiz no flamengo
Leonardo Jardim em treino no Fla – Foto:Adriano Fontes/Flamengo

O dado também combina com uma característica que Leonardo Jardim desenvolveu ao longo da temporada. O Flamengo pode alternar jogadores, sistemas e maneiras de atacar, mas dificilmente perde completamente o controle do placar durante longos períodos.

Isso não significa que domine todas as partidas tecnicamente. A própria vitória por 2 a 0 sobre o Independiente del Valle, em Quito, mostrou exatamente o contrário.

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O Independiente del Valle finalizou 18 vezes na partida de ida das quartas, enquanto o Flamengo terminou com apenas quatro tentativas. Durante o primeiro tempo, os brasileiros sequer conseguiram chutar ao gol.

Mesmo nesse cenário, o placar nunca esteve contra a equipe de Jardim. No segundo tempo, Bruno Henrique abriu o marcador e Léo Pereira ampliou, transformando uma partida de pressão equatoriana em uma vantagem de dois gols.

O Flamengo aprendeu a sobreviver a jogos diferentes

A vitória no Equador ajuda a entender por que os 1,7% são mais interessantes do que uma simples curiosidade estatística. O Flamengo não precisou jogar sempre da mesma maneira para impedir que os adversários assumissem o controle do resultado.

Em algumas partidas, conseguiu dominar a posse e empurrar o rival para perto da própria área. Em outras, precisou defender por períodos maiores, reduzir riscos e aproveitar poucas oportunidades.

Esse repertório também aparece nas escolhas ofensivas. Jardim já alternou Pedro e Bruno Henrique de acordo com o tipo de confronto, enquanto diferentes jogadores do meio e das pontas ganharam importância conforme a partida exigia mais velocidade, posse ou presença de área.

A consequência é uma campanha em que o Flamengo quase nunca precisou abandonar completamente seu plano para perseguir um resultado adverso.

Maracanã oferece cenário ainda mais confortável

A vantagem construída no Equador leva a decisão para o Maracanã nesta quinta-feira (17). O Flamengo pode perder por um gol de diferença e ainda assim avançará diretamente às semifinais; derrota por dois leva a disputa aos pênaltis.

O histórico continental em casa também favorece o clube. Nas últimas 13 partidas eliminatórias de Libertadores como mandante, o Flamengo venceu 12 e perdeu apenas uma, para o Peñarol em 2024.

Isso não elimina o risco diante do Del Valle, que já conquistou quatro vitórias como visitante no Brasil em competições da Conmebol desde 2019. A vantagem construída em Quito, porém, permite ao Flamengo iniciar a partida sem a necessidade de transformar o confronto em uma corrida ofensiva.

Talvez esse seja justamente o cenário em que o número dos 13 minutos ganhe maior significado. Durante praticamente toda a Libertadores, o Flamengo conseguiu obrigar seus adversários a lidar com a necessidade de buscar o placar.

Na quinta-feira, essa pressão começa ainda antes do primeiro minuto. O Del Valle precisa marcar pelo menos duas vezes para levar a classificação aos pênaltis, enquanto o time de Leonardo Jardim tenta manter uma característica que atravessou toda sua campanha: não permitir que o adversário permaneça por muito tempo na frente.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.