A vitória do Flamengo sobre o Corinthians teve 90 minutos regulamentares como qualquer outra partida do Campeonato Brasileiro. Dentro desse período, porém, o torcedor viu uma quantidade de futebol efetivamente jogado muito diferente daquela registrada em outros estádios na mesma rodada.
Flamengo x Corinthians teve 64 minutos e 22 segundos de bola rolando, maior marca entre os dez confrontos analisados. No extremo oposto, Coritiba x Athletico-PR registrou apenas 39 minutos e 34 segundos.
A diferença entre as duas partidas é de 24 minutos e 48 segundos.
Na prática, o jogo do Flamengo entregou quase 25 minutos a mais de bola efetivamente em disputa do que outro confronto do mesmo campeonato e da mesma rodada. É um intervalo superior à metade de um dos tempos regulamentares.
Flamengo ficou mais de nove minutos acima da média
Os dados são da Opta e foram analisados pelo jornalista José Peralta, em levantamento publicado pelo UOL sobre o tempo efetivo da rodada.
A média dos dez jogos ficou em 55 minutos e 5 segundos. Flamengo x Corinthians superou esse número em 9 minutos e 17 segundos.
Outras duas partidas também romperam a barreira de uma hora: Grêmio x Vasco teve 61min26s, enquanto Santos x Cruzeiro chegou a 60min48s.
Depois disso, a queda foi considerável. Botafogo x Red Bull Bragantino, por exemplo, terminou com 48min35s. Coritiba x Athletico ficou abaixo dos 40 minutos.
A rodada, portanto, reuniu partidas com diferenças que dificilmente seriam percebidas apenas olhando o relógio oficial de 90 minutos.
Mesmo campeonato entregou experiências muito diferentes
Tempo de bola rolando não significa necessariamente qualidade técnica. Um jogo pode ter poucas interrupções e ainda assim oferecer pouca criação, assim como uma partida com muitas faltas pode ser intensa e equilibrada.
O número mede outra coisa: quanto tempo a bola realmente esteve em disputa.
Nesse sentido, quem acompanhou Flamengo x Corinthians recebeu quase 25 minutos adicionais de ação em comparação com quem viu o clássico paranaense.
A discrepância chama atenção porque todos os confrontos fazem parte da mesma competição e são submetidos às mesmas diretrizes gerais de arbitragem.
A CBF já havia identificado o baixo tempo efetivo como um dos problemas do futebol brasileiro e passou a cobrar maior rigor com paralisações, reposições demoradas e acréscimos.
A última rodada mostra que houve jogos próximos ou acima da faixa desejada, mas também que a uniformidade ainda está distante.
Vitória do Flamengo aconteceu em jogo mais contínuo
O dado acrescenta outra leitura à vitória rubro-negra por 2 a 1.
O Corinthians conseguiu equilibrar diferentes momentos da partida e obrigou o time de Leonardo Jardim a buscar o resultado até os minutos finais. Foi justamente no fim que Joaquín Freitas cruzou para Bruno Henrique marcar de cabeça e assegurar os três pontos.
O Moon BH já mostrou como aquele lance reuniu um jovem de 19 anos contratado pensando no futuro e um atacante experiente responsável por decidir no presente. A estatística de bola rolando não muda essa história, mas revela o ambiente em que ela aconteceu.
Foram mais de 64 minutos de jogo ativo, o maior volume de toda a rodada.
Para os atletas, isso representa mais tempo com bola em movimento, deslocamentos, disputas e organização sem as pausas provocadas pelas interrupções. Não significa automaticamente maior desgaste individual, porque intensidade, distância percorrida e contexto tático também precisam ser considerados, mas mostra que o relógio efetivo da partida foi incomum.
Diferença de quase 25 minutos expõe desafio do Brasileirão
A discussão fica maior quando Flamengo x Corinthians deixa de ser observado isoladamente.
Se todas as partidas começam oficialmente com 90 minutos, mas uma entrega 64 minutos de bola rolando e outra menos de 40, o produto apresentado ao público muda consideravelmente.
É como se dois torcedores comprassem ingresso para espetáculos da mesma duração anunciada, mas um deles recebesse quase metade de um tempo adicional de ação.
O número também ajuda a colocar acréscimos em perspectiva. Acrescentar cinco, sete ou dez minutos pode compensar parte das interrupções, mas não necessariamente elimina diferenças construídas durante todo o jogo.
Para o Flamengo, os 64min22s viram uma curiosidade que acompanha uma vitória importante na corrida pelo Brasileiro.
Para a competição, porém, a comparação com os 39min34s do clássico paranaense deixa uma questão bem maior: dentro da mesma rodada, o tempo de futebol efetivamente entregue ainda pode variar quase 25 minutos.


