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Nova tática de Leonardo Jardim no Flamengo tirou Pedro da área: artilheiro virou garçom

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Pedro abriu a rodada ostentando o status de artilheiro isolado do Campeonato Brasileiro. O apito final do empate por 1 a 1 entre Flamengo e São Paulo, no entanto, expôs uma inversão curiosa no papel do camisa 9. O principal goleador rubro-negro deixou o gramado sem acertar uma única finalização no gol, mas consagrou-se como o segundo atleta que mais criou oportunidades na partida.

A atuação funcionou como um espelho invertido para o centroavante. Acostumado a ser o destino final da bola, Pedro distribuiu três passes-chave e produziu três chances claras para os companheiros. Apenas Samuel Lino o superou nesse quesito ofensivo, registrando quatro oportunidades criadas.

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Na hora de finalizar, a história mudou. O atacante arriscou apenas dois chutes, ambos para fora, acumulando ínfimos 0,16 de gols esperados (xG). O Flamengo construiu um volume ofensivo pesado, registrando 2,32 de xG e 18 finalizações no total, mas seu principal homem de área participou de forma marginal da produção mais valiosa perto da meta adversária.

O sumiço repentino após a goleada em Chapecó

Jogador do flamengo, Pedro
Fotos Gilvan de Souza/Flamengo

A exibição contra o São Paulo contrasta violentamente com o desempenho de Pedro quatro dias antes. O centroavante havia triturado a defesa da Chapecoense na goleada por 4 a 0, marcando duas vezes e cravando 12 gols no Brasileirão antes mesmo da virada para o segundo turno.

A eficiência do atacante até aquele momento sustentava números irretocáveis. Em 19 partidas, Pedro acumulava 12 bolas na rede em 40 finalizações, superando sua expectativa de gols (7,95 de xG). O aproveitamento de chutes no alvo batia a casa dos 55%.

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Contra o tricolor paulista, essa contundência evaporou. Substituído aos 87 minutos por Wallace Yan, o camisa 9 participou de toda a pressão rubro-negra, mas suas duas tentativas corresponderam a apenas 6,9% da probabilidade de gol construída por todo o time.

Um Flamengo agressivo, mas sem seu matador no alvo:

A equipe finalizou 18 vezes. Pedro respondeu por pouco mais de 11% dessas tentativas.

Samuel Lino (quatro chutes), Lorran e Arrascaeta (dois chutes cada) dividiram o volume ofensivo.

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O gol de empate saiu dos pés de um zagueiro: Léo Pereira marcou após cobrança de escanteio de Jorginho.

O time pisou 27 vezes na área paulista, forçou o goleiro Rafael a fazer cinco defesas e acertou a trave duas vezes. O volume existiu, mas a bola raramente encontrou o artilheiro.

O dedo de Leonardo Jardim na nova função

leonardo jardim e pedro no flamengo
Leonardo Jardim e Pedro – Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo

A seca de finalizações não significa omissão. Pedro entregou quase 18% de todos os passes-chave do Flamengo na partida. O atacante executou o trabalho de pivô com excelência, protegeu a bola de costas para os zagueiros e funcionou como uma ponte para os meias. Em diversas transições, ele abandonou a referência para abrir corredores de infiltração.

O comportamento obedece a um pedido direto do banco de reservas. Após o jogo contra a Chapecoense, Pedro revelou que o técnico Leonardo Jardim cobrou maior flutuação e participação ativa na criação das jogadas. O jogador admitiu gostar dessa dinâmica de giros e passes curtos para iniciar os ataques.

O repertório do camisa 9 já vinha se expandindo. Ele soma quatro assistências e 21 chances criadas no Campeonato Brasileiro, destacando-se entre os centroavantes do país não apenas pela pontaria, mas pela visão de jogo. O recuo estratégico atrai a marcação dupla e bagunça sistemas defensivos fechados.

O risco de esvaziar a zona de perigo

O desafio de Leonardo Jardim consiste em equilibrar essa nova versão do atacante. Pedro possui qualidade técnica para armar, mas o movimento cobra um preço caro quando a equipe perde sua referência de área.

Se o artilheiro recua para conectar o jogo e nenhum companheiro infiltra para ocupar o buraco na zaga, o Flamengo toca a bola com fluidez, mas fica sem seu finalizador mais letal na hora do arremate final. A equipe desenha o mapa da jogada, mas perde o responsável pelo tesouro.

Diante do São Paulo, a balança pesou de forma exagerada para a armação. O Flamengo ganhou um excelente garçom, mas sentiu falta do homem capaz de transformar os 2,32 de gols esperados em uma vitória real no placar. Para um meia de criação, a noite de Pedro seria avaliada com louvor. Para o dono da camisa 9, o saldo final expõe a necessidade de um ajuste urgente de rota.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.