O Flamengo terá na Copa do Mundo uma vitrine que vai além da Seleção Brasileira. Jorge Carrascal, convocado pela Colômbia, e Gonzalo Plata, chamado pelo Equador, chegam ao torneio como dois ativos com potencial de valorização em caso de boas atuações.
Os dois têm contrato longo, idade de mercado e características valorizadas por clubes estrangeiros. O colombiano é meia-atacante, tem 28 anos e vínculo até junho de 2029. O equatoriano é ponta-direita, tem 25 anos e contrato até agosto de 2029, segundo o registro oficial do Flamengo e dados do Transfermarkt.
A dupla está entre os dez jogadores liberados pelo clube para seleções antes do Mundial. Carrascal defenderá a Colômbia, enquanto Plata estará com o Equador.
Quanto vale Carrascal

O Flamengo comprou Carrascal do Dínamo de Moscou em 2025. A operação custou 12 milhões de euros, cerca de R$ 78 milhões na cotação da época, sem bônus adicionais.
Hoje, o Transfermarkt avalia o meia em 12 milhões de euros. O valor de mercado, portanto, está próximo do custo de aquisição. Mas esse número pode mudar se ele tiver destaque no Mundial, especialmente porque atua por uma seleção sul-americana competitiva e em uma função de alto valor: criação ofensiva.
No fim de 2025, O Dia publicou que o clube carioca teria recusado proposta de 20 milhões de euros, cerca de R$ 130 milhões, do Olympique de Marselha pelo jogador. A informação, se tomada como referência de mercado, mostra que o teto de venda pode ser maior que a avaliação atual em plataformas especializadas.
Quanto vale Plata

Plata chegou ao clube em 2024, vindo do Al-Sadd, do Catar. O negócio inicial foi de 3,8 milhões de euros por 50% dos direitos econômicos, com cláusula de compra adicional caso o atleta atingisse metas de minutos em campo.
Em 2025, a meta foi batida, e o Flamengo passou a ter de pagar mais US$ 3,9 milhões, cerca de R$ 22,8 milhões, por outros 50% dos direitos. Ao todo, a operação ficou próxima de R$ 52 milhões, considerando os dois pagamentos divulgados.
O Transfermarkt avalia o atacante entre 8 milhões e 9 milhões de euros, conforme atualização e página consultada. Em reais, a faixa fica perto de R$ 50 milhões.
A diferença é que o clube já tratou o jogador internamente como ativo mais caro. Em fevereiro, o Bolavip publicou que a diretoria só aceitaria negociar o equatoriano por cerca de R$ 155 milhões, após sondagens. A cifra não é valor oficial de mercado, mas indica o patamar de pedida em caso de proposta.
Como Carrascal joga
Carrascal é um meia ofensivo destro, de 1,80 m, capaz de atuar centralizado ou aberto pela esquerda. Seu jogo se baseia em condução, drible curto, passe vertical e capacidade de receber entre linhas.
Na Colômbia, ele pode ser usado como articulador em uma faixa de campo próxima a James Rodríguez, Jhon Arias e outros meias de criação. A concorrência é forte, mas a versatilidade ajuda.
No Flamengo, seu valor está em oferecer uma alternativa de desequilíbrio técnico quando o time precisa romper defesas fechadas. Ele não é um volante de controle, nem um ponta de profundidade pura. É um jogador de ruptura com bola dominada.
Esse perfil costuma interessar ao mercado europeu intermediário, especialmente clubes que buscam meia sul-americano com experiência internacional, mas sem preço de elite.
Como Plata joga
Plata é ponta-direita canhoto, de 1,78 m, com aceleração, drible e capacidade de atacar para dentro. Também pode jogar pela esquerda, mas rende mais quando parte do lado direito para finalizar ou acelerar em direção à área.
Na seleção equatoriana, tende a ser peça importante em transições rápidas. O Equador costuma valorizar intensidade, força física e ataque pelos lados, características que combinam com o jogador.
No clube carioca, ele entrega amplitude, velocidade e enfrentamento individual. Quando está em boa fase, aumenta a agressividade do ataque e dá opção para jogos em que o time precisa acelerar em campo aberto.
Esse tipo de ponta é valorizado no mercado porque combina idade, seleção nacional, experiência europeia anterior pelo Sporting e exposição no futebol brasileiro.
Cenário 1: Copa forte e proposta imediata
O melhor cenário financeiro para o Flamengo seria a valorização dos dois durante o Mundial. Se Carrascal tiver minutos relevantes pela Colômbia e participar de gols ou boas atuações em mata-mata, uma proposta acima de 20 milhões de euros volta a ser possível.
Nesse patamar, a venda do meia já representaria lucro contábil relevante sobre os 12 milhões de euros investidos.
No caso de Plata, o salto teria de ser maior. Como a pedida informal já chegou à casa de R$ 155 milhões, algo perto de 25 milhões de euros, o clube só deve considerar saída se houver proposta muito superior ao valor de mercado atual.
Se o equatoriano se destacar, principalmente contra seleções fortes, essa conversa pode sair do campo da especulação.
Cenário 2: boa Copa, mas permanência
Outro cenário é a valorização sem venda imediata. O clube não tem obrigação contratual de negociar nenhum dos dois. Ambos têm vínculos longos, o que dá poder de barganha.
Nesse caso, a Copa funcionaria como reforço de patrimônio. O valor de mercado sobe, o jogador ganha moral interna e o clube mantém peça útil para Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.
Esse talvez seja o cenário mais confortável esportivamente. O Flamengo preserva elenco e ganha valorização sem desmontar o grupo no meio da temporada.
Cenário 3: pouca minutagem e mercado frio
O risco é a Copa passar sem grande exposição. Carrascal disputa espaço em um meio-campo colombiano competitivo. Plata tem mais chance de minutos, mas depende da campanha equatoriana.
Se jogarem pouco, a vitrine diminui. Isso não elimina mercado, mas reduz urgência de compradores. Nesse cenário, eventuais propostas tenderiam a ficar mais próximas dos valores atuais de avaliação, e não das pedidas desejadas pelo clube.
Para o Flamengo, não seria um problema grave, porque os contratos são longos. Mas a oportunidade de venda em pico de exposição ficaria menor.
Quem pode gerar mais lucro
Carrascal parece ter caminho mais curto para gerar lucro. O investimento foi alto, mas uma oferta de 20 milhões de euros já colocaria a operação em zona positiva.
Plata tem custo menor em reais, mas a pedida desejada é mais ambiciosa. Por idade, ponta e seleção, pode ter maior margem futura. O desafio é transformar desempenho em interesse concreto.
A Copa pode acelerar as duas curvas. Um bom Mundial não obriga venda, mas aumenta a força do Flamengo na negociação. E, para um clube que investiu pesado em 2026, vender bem um ativo estrangeiro pode ajudar a equilibrar caixa sem mexer em jogadores brasileiros mais identificados com a torcida.


