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Flamengo: De La Cruz quer sair e time uruguaio pretende conquistar dirigentes

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Nicolás De La Cruz manifestou o desejo de deixar o Flamengo para atuar pelo Peñarol, do Uruguai. O clube de Montevidéu iniciou uma operação para convencer os dirigentes rubro-negros a liberar o meio-campista, que perdeu espaço e enfrenta dificuldades para ter uma sequência de partidas no Rio de Janeiro.

O interesse foi confirmado pelo presidente do Peñarol, Ignacio Ruglio. Segundo o dirigente, as conversas começaram há aproximadamente 25 dias e já envolveram o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e o diretor de futebol José Boto.

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Segundo o ge, Peñarol também mantém contato frequente com De La Cruz. O uruguaio já declarou ser torcedor da equipe aurinegra e teria indicado que gostaria de passar um período em seu país. A falta de minutos no Flamengo fortaleceu a possibilidade de uma mudança.

Peñarol usa desejo de De La Cruz como principal argumento

Financeiramente, o Peñarol não consegue concorrer com o Flamengo. O clube uruguaio sabe que não possui condições de pagar um valor elevado pela transferência e nem de assumir sozinho os vencimentos praticados no futebol brasileiro.

Por isso, a estratégia é explorar o desejo pessoal de De La Cruz. O jogador teria informado aos uruguaios que quer defender o clube e estaria disposto a participar da construção de um acordo.

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“Hoje não tem nada além da intenção de trazer o jogador em condições uruguaias, não nas condições do Flamengo. E o jogador quer vir”, afirmou Ignacio Ruglio.

O plano inicial é contratar De La Cruz por empréstimo durante um ano, sem pagar uma taxa pela cessão. As condições ainda não foram formalizadas em uma proposta definitiva, mas o Peñarol enviou uma carta de intenção ao Flamengo.

A diretoria uruguaia admite que o negócio está distante de ser concluído. O objetivo, neste primeiro momento, é encontrar um modelo capaz de agradar ao Flamengo e acomodar o salário do meio-campista.

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Flamengo fez investimento superior a R$ 100 milhões

Foto: Flickr Flamengo

A resistência do Flamengo começa pelo tamanho do investimento realizado. De La Cruz foi contratado junto ao River Plate no início de 2024 por US$ 16 milhões, equivalentes a R$ 77,7 milhões na cotação daquele período.

Quando impostos, comissões e outros custos da operação são considerados, o valor desembolsado pelo Rubro-Negro ultrapassa R$ 102 milhões. O contrato do jogador vai até o fim de 2028.

Liberá-lo gratuitamente, portanto, representaria uma decisão difícil de justificar do ponto de vista financeiro. Ainda que economize parte dos salários, o Flamengo não recuperaria imediatamente qualquer parcela do investimento realizado.

A tendência é que o clube carioca apresente uma contraproposta caso o Peñarol formalize o pedido de empréstimo sem custos. Entre as alternativas estão a cobrança de uma compensação, a divisão dos salários e a inclusão de metas ou de uma opção de compra. Até o momento, contudo, não existe acordo encaminhado.

Problemas físicos atrapalharam sequência no Flamengo

De La Cruz chegou ao Flamengo cercado por grandes expectativas. O uruguaio apresentou intensidade, capacidade de marcação e qualidade para acelerar a saída de bola, mas não conseguiu manter uma sequência longa desde a contratação.

Em 2026, o meio-campista disputou 19 partidas, marcou um gol e deu uma assistência. Ele também participou dos jogos do Uruguai na Copa do Mundo, mas voltou ao Flamengo sem entrar imediatamente em campo.

Após a reapresentação, De La Cruz sentiu um problema muscular durante atividades de força. A situação o afastou dos confrontos contra Chapecoense e São Paulo. Leonardo Jardim explicou que a comissão técnica passou a controlar as cargas do jogador para evitar uma nova interrupção.

O uruguaio voltou a ser relacionado para enfrentar o Internacional nesta quarta-feira (29), pelo Campeonato Brasileiro. A presença entre os convocados mostra que ele continua à disposição enquanto Flamengo e Peñarol discutem seu futuro.

Peñarol pensa na temporada de 2027

O Peñarol não pretende contratar De La Cruz apenas para os meses restantes de 2026. A intenção é mantê-lo por pelo menos um ano, permitindo que o jogador participe da próxima edição da Libertadores ou da Copa Sul-Americana.

Ignacio Ruglio acredita que a chegada do meio-campista aumentaria o nível técnico do elenco e ajudaria o clube a voltar a competir com força no cenário continental. O presidente também citou jogadores como Leo Fernández e Matías Arezo ao explicar o projeto esportivo.

De La Cruz chegaria como uma das principais referências do time e teria uma quantidade de minutos que o Flamengo não consegue garantir atualmente.

Aos 29 anos, o jogador também poderia enxergar a mudança como uma oportunidade de se reaproximar do futebol uruguaio sem encerrar definitivamente sua passagem pelo Rubro-Negro. Um empréstimo preservaria o vínculo com o clube brasileiro e permitiria uma reavaliação em 2027.

Desejo do jogador não garante liberação

O interesse de De La Cruz dá força ao Peñarol, mas não obriga o Flamengo a aceitar o negócio. O Rubro-Negro já havia recebido sondagens pelo jogador no começo da temporada e decidiu não abrir negociações por considerá-lo parte do planejamento.

O cenário mudou com a falta de sequência, os problemas físicos e a vontade de retornar ao Uruguai. Mesmo assim, Bap e José Boto precisam avaliar os efeitos esportivos e financeiros de uma eventual saída.

De La Cruz pode atuar em diferentes posições do meio-campo e oferece características que não aparecem em todos os jogadores do elenco. Por outro lado, sua baixa disponibilidade dificulta a construção de uma função permanente na equipe.

O Peñarol tentará transformar o desejo do uruguaio em um acordo que caiba em seu orçamento. Já o Flamengo buscará evitar que um investimento superior a R$ 100 milhões deixe o clube sem uma compensação considerada adequada.

As conversas existem e contam com o aval do jogador, mas a distância financeira entre os clubes ainda é o principal obstáculo. Para que De La Cruz realize o desejo de vestir a camisa do Peñarol, os dirigentes uruguaios terão de conquistar também a aprovação da diretoria rubro-negra.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.