O Supermercados BH deu mais um passo fora de Minas Gerais e inaugurou sua primeira loja na Bahia, em Vitória da Conquista. A unidade, que pertencia ao Mineirão Atacarejo, marca a entrada prática da rede mineira no mercado baiano e abre uma nova fase da expansão nacional comandada pelo empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho BH.
A abertura faz parte da conversão das operações adquiridas do grupo DMA Distribuidora, dono de bandeiras como EPA, Mineirão Atacarejo e Brasil Atacarejo. O negócio foi aprovado pelo Cade e inclui lojas, atacarejos, postos de combustíveis e centros de distribuição em diferentes estados.
O movimento, porém, vai além de uma simples troca de letreiro. O BH começa a testar sua força em uma região onde o varejo alimentar tem concorrência mais agressiva, presença forte de redes locais e consumidores com hábitos diferentes daqueles consolidados em Minas.
Em publicação no Linkedin, o diretor comercial Bruno Oliveira comemorou a chegada da marca à Bahia e afirmou que a rede pretende levar o BH a mais um estado “com muito orgulho e respeito à regionalidade”. “Iniciamos o mês de Junho com toda energia, ansiedade e motivação e um único desafio dentre vários que já tivemos nesses 30 anos de história do Supermercados BH: A virada das 40 lojas que adquirimos recentemente”, declarou ele.
Segundo ele, a expansão vai começar pelo mercado baiano: “E amanha ja começa uma nova trajetória, um novo estado , uma nova região. Nordeste, estamos chegando, serão 15 lojas em 15 dias…”, completou.
A primeira unidade baiana fica na Avenida Juracy Magalhães, no bairro Boa Vista, em Vitória da Conquista. A cidade é uma das mais importantes do interior da Bahia, com força regional em comércio, serviços, saúde, educação e logística. Para uma rede que quer se firmar fora de Minas, o município oferece uma vitrine estratégica.
BH acelera conversão de lojas compradas da DMA
A chegada à Bahia faz parte de uma operação maior. O Cade aprovou, sem restrições, a aquisição de 45 operações da DMA pelo Supermercados BH. O pacote inclui 40 lojas nos modelos supermercado e atacarejo, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição.
Ao todo, essa etapa envolve 27 unidades em Minas Gerais, 16 na Bahia, uma em Pernambuco e uma em Rondônia. Entre os ativos estão lojas Mineirão Atacado e Varejo, unidades EPA Plus, uma operação Brasil Atacarejo e postos da bandeira Mais Brasil.
Até agora, 24 lojas já foram convertidas, todas em Minas Gerais. “É com muita felicidade e gratidão que entramos em novas cidades mineiras como Viçosa, Guanhães, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Alfenas, Guaxupe, Caratinga, Sao Sebastião do Paraíso, Nanuque e Almenara”, conta Bruno.
O Supermercados BH já era uma gigante em Minas e vinha se consolidando no Espírito Santo. A entrada na Bahia muda a geografia da rede. O grupo deixa de ser uma potência regional do Sudeste ampliado e começa a construir presença em uma das regiões mais disputadas do varejo brasileiro.
O plano também mostra a importância da aquisição como estratégia de crescimento. Em vez de abrir todas as lojas do zero, o BH aproveita pontos já existentes, equipes locais, imóveis, clientela, centros de distribuição e estrutura comercial. A conversão reduz tempo de entrada e permite ganhar escala rapidamente.
Mas a velocidade também impõe desafio. Trocar bandeira é mais simples do que adaptar sortimento, preço, comunicação, fornecedores e operação ao comportamento do consumidor local. Na Bahia, a rede terá de entender hábitos de compra diferentes, marcas regionais fortes, sazonalidade própria e uma concorrência que conhece bem o território.
Pedrinho BH leva rede mineira para uma nova disputa
A expansão coloca Pedrinho BH em uma fase diferente como empresário do varejo. O Supermercados BH nasceu em Minas, cresceu com força na Região Metropolitana de Belo Horizonte, avançou pelo interior e se tornou a quarta maior rede supermercadista do país no ranking da Abras. Agora, tenta provar que consegue repetir parte dessa fórmula em outros mercados.

A Bahia é uma praça decisiva. O estado tem população grande, cidades médias fortes e um varejo alimentar em transformação. Vitória da Conquista, Feira de Santana, Ilhéus, Eunápolis, Irecê, Brumado, Guanambi e outras cidades citadas em operações do grupo DMA formam uma malha de consumo importante fora da capital Salvador.
Para o BH, entrar nesses mercados significa disputar não apenas o consumidor final, mas também fornecedores, logística, atacado, preço e fidelidade. O modelo de atacarejo, que mistura venda para famílias e pequenos comerciantes, é especialmente relevante em cidades regionais, onde mercados de bairro, restaurantes, bares e pequenos negócios compram em maior volume.
A operação também amplia a presença da empresa em corredores econômicos que conectam Minas, Bahia, Pernambuco e o Norte do país. Isso pode fortalecer compras em escala, negociação com a indústria e distribuição de produtos entre estados.
A rede chega ao Nordeste em um momento de consolidação do setor. Grandes grupos supermercadistas tentam ganhar tamanho para negociar melhor, reduzir custos logísticos e disputar preço. Nesse ambiente, a compra de operações já montadas permite ao BH crescer rápido, mas coloca a empresa em uma arena mais nacional.
Para Minas, a expansão tem outro significado. Uma rede criada em Belo Horizonte e consolidada no estado passa a exportar sua marca, seu modelo de operação e sua força de capital para outras regiões. É o varejo mineiro tentando jogar em escala nacional.


