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Novo negócio de Pedrinho BH é aprovado pelo Governo e abre caminho para algo ainda maior

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Há algumas semanas o Supermercados BH anunciou a fusão com o grupo DMA, que controla as marcas Epa e Mineirão Atacadista. Mas um processo deste tamanho depende de uma aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que é basicamente o órgão do governo que garante que grandes grupos não formarão um monopólio.

E Pedrinho BH conseguiu a liberação junto ao órgão para efetivar a compra de 45 lojas normais, postos de combustíveis e as que são atacarejo (onde você compra no atacado e no varejo, mas ganha descontos se for no atacado).

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Agora o dono do Cruzeiro também se torna um player que vai expandindo seus negócios para outras regiões. Como mostrou o Moon BH, a compra permite que o Supermercados BH chegue ao Nordeste, além da expansão para o Espírito Santos, onde está cada vez mais consolidado. Ter um grande número de lojas acaba sendo a única forma de conseguir escalar o lucro, por que ele beira os 3% no setor.

Este não é o passo final, já que apesar da liberação de 45 lojas, ainda estão sob aprovação a aquisição de mais 120 espalhadas por Minas Gerais. Como a marca já possui penetração forte no mercado, é preciso garantir que eles não vão ser a única rede, ou mais relevante em pequenas cidades do interior.

O que o Cade aprovou no Supermercados BH e o que falta?

A aprovação sem restrições significa que a Superintendência-Geral do Cade não identificou necessidade de impor condições à operação nesta etapa — sem venda de lojas, sem compromissos de comportamento.

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Na prática, os próximos passos são três: consolidar a aprovação administrativa, cumprir as condições contratuais entre as partes e iniciar a integração operacional — sistemas, logística, fornecedores, marcas, sortimento e centros de distribuição.
Essa última etapa é a mais difícil. Comprar loja é uma etapa. Integrar operação, cultura e margem é outra.

O tamanho do que está sendo construído

O Supermercados BH já era a quarta maior rede supermercadista do país antes da DMA. O Ranking Abras 2026 colocou a companhia na 4ª posição nacional, com faturamento de R$ 25,7 bilhões em 2025, atrás de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus.

A DMA faturou perto de R$ 9 bilhões no mesmo período. Somadas, as duas empresas orbitam a casa dos R$ 35 bilhões em receita anual e podem chegar a algo próximo de 600 lojas com a integração mais ampla anunciada em abril.

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Fotos: divulgação

Esse tamanho muda a posição de Pedrinho no varejo brasileiro. O BH deixa de ser um gigante regional com expansão controlada e passa a disputar uma lógica nacional de escala — próxima dos grupos que dominam o atacarejo e o supermercado de volume no país.

Em varejo alimentar, escala é poder. Quem compra mais negocia melhor com a indústria, dilui custo logístico, sustenta promoções mais agressivas e lança marcas próprias com mais força.

O que muda em Minas e o que abre no Nordeste

Em Minas Gerais, o efeito imediato é a concentração de força em um grupo que já liderava o setor. O BH amplia presença, ganha pontos comerciais e reforça capacidade de abastecimento. Isso pressiona concorrentes diretos como Mart Minas, Supernosso, Bahamas, ABC e Villefort.

No Nordeste, o peso é diferente. A DMA já tinha portas abertas em Bahia e Pernambuco. Para Pedrinho, isso reduz o custo de entrada e encurta o caminho em mercados onde o Grupo Mateus — que faturou R$ 43,5 bilhões e domina boa parte do Norte e Nordeste — é o concorrente mais forte.

O BH entra nesse jogo com disciplina operacional, caixa e modelo conhecido por preço competitivo. Mas terá que adaptar sortimento, fornecedores e comunicação a um comportamento regional diferente do mineiro.

Onde a Cimed entra nessa equação

A parceria entre Pedrinho e João Adibe Marques, CEO da Cimed, ganhou novo contorno com a expansão do BH.

Como mostrou o Moon BH, Adibe esteve recentemente no centro administrativo e de distribuição do Supermercados BH para anunciar o Carmed Cruzeiro — produto licenciado com as cores do clube celeste. O empresário chamou a estrutura de “uma cidade”. O que parecia uma ação de marketing ligada ao Cruzeiro começa a ter leitura diferente com a DMA aprovada.

A Cimed anunciou durante a Apas Show 2026 sua entrada no ramo alimentar, com foco em categorias de alta recorrência. A companhia espera que o canal alimentar represente 25% do sell-in no primeiro ano. Entre os produtos citados estão o isotônico FlyNow e a ampliação das marcas de higiene pessoal.

Para a Cimed, uma rede com centenas de lojas é canal de distribuição estratégico. Para o BH, uma empresa com marca forte e presença nacional pode aumentar ticket médio e criar novas categorias de margem.

Na análise de mercado do Moon BH, está claro que há uma gama de possibilidades de parceria entre as duas gigantes do mercado. Isso por que uma recente Lei também permite que farmácias sejam abertas dentro das áreas das redes de supermercados. Isso traz um ganho de possibilidades enorme para o dono do Cruzeiro e Adibe da Cimed.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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