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Cemig investiu R$ 18 milhões por dia no semestre; lucro cai 20%

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A Cemig encerrou a primeira metade de 2026 com um ritmo de desembolso financeiro que reconfigura a leitura tradicional do seu balanço corporativo. A companhia aplicou R$ 3,3 bilhões em investimentos no primeiro semestre, o que equivale a um aporte contínuo de aproximadamente R$ 18,2 milhões por dia durante os 181 dias contabilizados entre janeiro e junho. O cálculo diário, levantado pelo Moon BH a partir dos dados divulgados pela estatal, revela que a empresa já executou 49% do orçamento anual de R$ 6,73 bilhões programado para o ano.

O indicador de investimentos vultosos ajuda a colocar o resultado financeiro da estatal mineira sob outra perspectiva. No segundo trimestre (2T26), o lucro líquido contábil da companhia caiu de R$ 1,188 bilhão para R$ 945 milhões, o que representa uma redução de aproximadamente 20% na comparação anual. Sob a ótica do lucro recorrente (que exclui eventos extraordinários), o recuo foi menor, de 15,6%, fechando em R$ 1,116 bilhão. O Ebitda recorrente (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), entretanto, avançou 9,3%, atingindo a marca de R$ 2,472 bilhões.

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Enquanto a última linha do balanço registrou contração, a alocação de capital em obras físicas continuou acelerada. Cerca de R$ 2,64 bilhões — ou quatro de cada cinco reais investidos no semestre — foram canalizados para o segmento de distribuição de energia, área que abrange as redes, subestações e equipamentos responsáveis por levar a eletricidade até a ponta final: os consumidores de Minas Gerais.

Distribuição consumiu R$ 14,6 milhões por dia

O foco na modernização e expansão da distribuição é o pilar central da atual estratégia da estatal. Dos R$ 3,3 bilhões injetados globalmente pelo grupo, R$ 2,637 bilhões ficaram restritos a essa área (cerca de 80% do total). Diluído pelo calendário do semestre, o valor representa uma injeção de R$ 14,6 milhões diários apenas em redes de distribuição.

Os recursos financiam obras civis e elétricas que chegam diretamente aos municípios mineiros, envolvendo reforço do sistema preexistente, construção de subestações e adequações para atender ao crescimento contínuo de carga no Estado. O resultado físico dessas cifras se materializou na entrega de 14 subestações (sendo 11 novas e três modernizadas), o que ampliou a capacidade de transformação da companhia em 198,5 MVA.

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A escala estrutural ganha evidência em outro dado do relatório operacional: a Cemig adicionou 1.886 quilômetros de novas redes de baixa e média tensão em apenas seis meses. A métrica significa que a empresa construiu, em média, mais de 10 quilômetros de rede elétrica por dia.

Todo esse movimento está abrigado sob o programa Mais Energia. O planejamento estratégico de longo prazo da companhia projeta um investimento total de R$ 44 bilhões entre 2026 e 2030, priorizando a modernização do parque elétrico mineiro e a meta de erguer 200 novas subestações. O negócio exige capilaridade espalhada por centenas de municípios, necessitando substituir infraestruturas antigas ao mesmo tempo em que absorve as demandas emergentes da geração distribuída.

Gás, transmissão e energia solar também receberam recursos

Os R$ 660 milhões restantes do orçamento semestral foram fatiados entre as demais operações do grupo.

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Energia solar vira problema em minas gerais
Foto: iufuyu – Envato

No braço de transmissão, os investimentos somaram R$ 275 milhões, com R$ 268 milhões carimbados estritamente para reforços e melhorias de rede. As obras concluídas adicionaram R$ 36,2 milhões à Receita Anual Permitida (RAP), configurando uma alta de 92,9% sobre o mesmo período de 2025. O segmento de geração de energia solar recebeu R$ 37 milhões (R$ 30 milhões em expansão e manutenção).

A Gasmig, subsidiária controlada pela Cemig, absorveu R$ 92 milhões. O principal canteiro de obras se concentra na região Centro-Oeste de Minas, onde foram aplicados R$ 49,5 milhões para a construção de 33,5 quilômetros de novos gasodutos. Já a Cemig SIM, divisão voltada à geração distribuída e soluções energéticas sustentáveis, executou R$ 227 milhões, entregando 18 novas usinas fotovoltaicas e acrescentando 45 MWp de capacidade instalada ao portfólio.

Queda no lucro convive com alongamento de dívida

O forte ritmo de desembolsos ocorre simultaneamente a um cenário de pressão sobre alguns indicadores contábeis. A dívida líquida da Cemig cresceu de R$ 16,8 bilhões no fechamento de 2025 para R$ 19,4 bilhões em junho de 2026. Com isso, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente) subiu de 2,30 vezes para 2,58 vezes.

Estrategicamente, a gestão optou por alongar o perfil financeiro desse passivo. Durante o semestre, a empresa captou R$ 4,61 bilhões no mercado. Como resultado, o prazo médio de vencimento da dívida foi estendido para 6,7 anos, com 81% das obrigações concentradas apenas a partir de 2029. Essa engenharia financeira é vital para sustentar um negócio de capital intensivo, evitando que o fluxo de caixa de um único trimestre seja asfixiado pelo peso das obras.

A queda no lucro de 20%, portanto, reflete apenas uma fração do cenário. O resultado final (IFRS) foi diretamente impactado por provisões pontuais, como o provisionamento de R$ 191 milhões relacionado a um processo arbitral de um cliente livre, além de bases de comparação assimétricas com efeitos extraordinários de 2025.

Para a economia de Minas Gerais, a continuidade do programa bilionário será o principal termômetro até dezembro. Com R$ 3,43 bilhões em caixa já programados para o segundo semestre, a discussão sobre o balanço transcende a oscilação do lucro trimestral, consolidando 2026 como a largada de um dos maiores planos de expansão elétrica da história do Estado.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.