O empresário Pedro Lourenço, gestor da SAF do Cruzeiro, acaba de consolidar seu poder de fogo econômico no cenário nacional. O novo Ranking ABRAS 2026 revelou que a sua rede, o Supermercados BH, atingiu a marca de R$ 25,72 bilhões em faturamento, mantendo-se como a 4ª maior do varejo alimentar no país. Pelo histórico do gestor, isso pode representar ainda mais investimentos no time de futebol.
O salto de quase 48% e o poder de Pedrinho
O crescimento da rede supermercadista de Pedrinho não é uma flutuação pontual, mas uma curva meteórica em um setor acostumado a disputar centavos. Em apenas dois ciclos, o salto no faturamento da empresa beira os 48%.
A escalada do império varejista chancelada pelos dados oficiais da Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS aponta a seguinte evolução:
- 2024: Faturamento de R$ 17,4 bilhões (5ª posição nacional).
- 2025: Faturamento de R$ 21,2 bilhões (4ª posição nacional).
- 2026: Faturamento de R$ 25,7 bilhões (4ª posição nacional).
Ter o dono de 90% da SAF no comando de uma máquina geradora de caixa dessa magnitude significa que o Cruzeiro opera hoje com um nível de segurança corporativa que poucos clubes no Brasil possuem.
A ilusão dos bilhões: Margem de lucro vs. Custo do futebol
Para o torcedor, ler “25 bilhões” sugere um cofre infinito para contratações. Mas o mercado da bola e as gôndolas de supermercado falam línguas diferentes. No varejo alimentar, a margem de lucro líquida costuma ser extremamente apertada, variando de 1% a 3%. Em um cenário realista, o lucro líquido estimado da empresa gira em torno de R$ 514 milhões anuais.

É aí que a conta esbarra na caríssima realidade do futebol. O último balanço da SAF celeste apontou uma receita operacional de R$ 599 milhões, engolida por custos de R$ 680 milhões apenas no departamento de futebol (sendo R$ 362 milhões queimados com salários e direitos de imagem).
O futebol queima caixa rápido, e a associação civil ainda carrega uma dívida na casa de R$ 1,15 bilhão (com cerca de R$ 500 milhões atrelados à Recuperação Judicial).
O que muda de verdade para o Cruzeiro no mercado?
O avanço contábil do Supermercados BH não garante contratações irreais, mas altera drasticamente a postura da SAF na mesa de negociações. Só que Pedrinho já demonstrou que investe na Raposa por paixão, o que é um indicativo de que ele não deve poupar esforços daqui pra frente.
Um controlador com um negócio físico em franca expansão possui capacidade de bancar pesadas garantias bancárias, suportar investimentos de médio prazo em infraestrutura, atrair crédito com juros menores e evitar o colapso de liquidez nos meses de baixa arrecadação do clube.
Pedrinho oferece um horizonte de segurança e um lastro comercial gigantesco, mas o recado de mercado é claro. O Cruzeiro continuará sendo conduzido como uma empresa autossustentável, baseada em eficiência de folha e rigor na montagem do elenco, e não como fruto do impulso de um torcedor apaixonado.
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