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Cruzeiro pode perder William para rivais, mas saída exige cálculo

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William voltou a entrar no radar do mercado brasileiro em um momento delicado para o Cruzeiro. Sem o mesmo espaço de temporadas anteriores, o lateral-direito recebeu consultas de clubes da Série A e pode virar uma oportunidade na próxima janela de transferências, que será aberta em 20 de julho.

Grêmio e Athletico-PR procuraram informações sobre a situação do jogador de 31 anos, segundo apuração da Itatiaia. O interesse não significa negociação encaminhada, mas mostra que o camisa celeste ainda tem prestígio no mercado nacional, principalmente por uma condição específica: ele ainda pode defender outro clube no Brasileirão.

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O defensor fez oito partidas nesta edição da Série A e, por isso, não atingiu o limite imposto pela CBF. Em 2026, o regulamento permite que um atleta dispute até 12 jogos por um clube antes de ficar impedido de atuar por outra equipe na mesma competição. Como ainda está abaixo dessa marca, uma saída para um rival direto continua viável.

O lateral não é apenas um jogador em fim de contrato recebendo sondagens. É um atleta experiente, com passagem pela Seleção Brasileira, valor de mercado relevante e possibilidade imediata de reforçar um concorrente no campeonato.

Lateral perdeu espaço com Artur Jorge no Cruzeiro

A situação atual é diferente daquela vivida em anos anteriores. Desde que chegou à Toca, em 2023, o jogador construiu uma trajetória de recuperação e protagonismo. Ele havia ficado quase dois anos sem atuar por causa de lesões graves, assinou inicialmente contrato de produtividade e, depois, tornou-se titular em boa parte da reconstrução celeste.

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O melhor momento veio em 2024, quando se firmou como um dos principais laterais do país, acumulou participação ofensiva importante e chegou a ser convocado por Dorival Júnior para a Seleção Brasileira. Naquele período, a Raposa renovou o contrato até o fim de 2026 e tratou a permanência como uma vitória de mercado.

O cenário mudou nesta temporada. Em 2026, são 16 partidas, 14 como titular, mas apenas três jogos sob o comando de Artur Jorge. O treinador passou a utilizar outras alternativas no setor, e o defensor caiu na hierarquia. Hoje, aparece atrás de Fagner e também vê o jovem Kauã Moraes ganhar espaço na disputa.

A ausência nas rodadas que antecederam a pausa da Copa do Mundo também teve relação com questões familiares, mas o contexto esportivo já indicava perda de protagonismo. O clube celeste tem elenco mais encorpado, aumentou a concorrência interna e passou a tomar decisões de mercado com mais pragmatismo.

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Treinador do Cruzeiro, Artur Jorge comemora após vitória contra o Bragantino
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A partir daí, a lateral direita virou uma posição com excesso relativo de opções. Fagner oferece experiência e leitura. Kauã representa juventude e potencial de valorização. O jogador mais antigo do setor, por sua vez, reúne currículo, mercado e contrato perto do fim. Essa combinação naturalmente abre espaço para consultas.

Contrato até dezembro aumenta pressão por decisão

O vínculo vai somente até 31 de dezembro de 2026. Na prática, isso significa que, a partir de julho, o atleta poderá assinar pré-contrato com qualquer equipe para sair sem custos ao fim da temporada.

Esse é um ponto sensível para a diretoria. Se a Raposa não pretende renovar, a janela do meio do ano pode ser a última chance de receber alguma compensação financeira. Se ainda conta com o lateral para o segundo semestre, precisará decidir se vale a pena mantê-lo mesmo com o risco de saída livre no fim do vínculo.

Até agora, não há conversa aberta para renovação. A tendência, portanto, é que o futuro dependa da chegada de uma proposta considerada boa para todas as partes. O clube mineiro não precisa liberar, mas também não pode ignorar que o jogador perdeu espaço e ainda conserva mercado.

O valor de mercado atual é de 3 milhões de euros, segundo o Transfermarkt. Pela cotação aproximada, a cifra gira em torno de R$ 18 milhões. Isso não significa que uma negociação necessariamente alcançaria esse patamar, já que idade e contrato curto reduzem o poder de barganha. Ainda assim, o número mostra que não se trata de um ativo irrelevante.

Para a diretoria celeste, aceitar uma saída por valor muito baixo poderia parecer desperdício. Por outro lado, segurar um jogador que pode assinar pré-contrato no mês seguinte e que não está entre os mais usados pelo treinador também tem custo esportivo e financeiro.

Saída pode ser solução, mas exige cálculo

A decisão não é simples. Do ponto de vista técnico, perder um lateral experiente durante a temporada pode reduzir a profundidade do elenco. O Cruzeiro terá Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores pela frente, e Artur Jorge precisará de opções para rodar o grupo.

Para o atleta, uma mudança pode representar retomada de sequência. Depois de uma fase de reconstrução importante em Belo Horizonte, ele chega a um ponto da carreira em que jogar regularmente volta a ser prioridade. Um contrato mais longo em outro clube da Série A também poderia oferecer estabilidade além de 2026.

Para a Raposa, a equação passa por três perguntas: quanto os interessados estão dispostos a pagar, se a comissão técnica aceita a saída e se a lateral direita ficaria suficientemente coberta com Fagner e Kauã Moraes. Se as respostas forem favoráveis, uma negociação no meio do ano deixaria de ser surpresa.

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.

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