O Grupo Equatorial começou a colher nesta segunda-feira (17) os primeiros frutos financeiros do seu bilionário desembarque em Minas Gerais. Apenas dois meses após se tornar o maior acionista individual da Copasa, a empresa tem direito a receber aproximadamente R$ 42,9 milhões brutos em Juros sobre Capital Próprio (JCP) pagos pela companhia de saneamento.
O repasse é o resultado do pagamento de R$ 0,3758 por ação aprovado pelo conselho da Copasa para remunerar os acionistas pelos resultados do segundo trimestre de 2026 (um total global de R$ 142,52 milhões). A fatia da Equatorial é proporcional às suas 114 milhões de ações, que representam 30% do capital da empresa.
Para assumir esse montante, a Equatorial desembolsou R$ 49,03 por ação no leilão de privatização (concluído em 16 de junho), totalizando um cheque de R$ 5,59 bilhões pela participação.
O curioso timing do pagamento
A sequência de datas chama a atenção no calendário financeiro. A privatização foi concluída oficialmente em 16 de junho, sacramentando a desidratação da fatia do Estado de Minas Gerais (que despencou de 50,03% para um residual de 5,03%).
Apenas dois dias depois, em 18 de junho, a Copasa anunciou a distribuição dos R$ 142 milhões em JCP para quem tivesse ações até a “data de corte” do dia 23 de junho. Ou seja, quando a foto oficial de pagamento foi tirada, a Equatorial já figurava como a dona do maior pedaço do bolo.
Esse primeiro pagamento equivale a cerca de 0,77% dos bilhões injetados na compra. Evidentemente, o valor não é um “lucro imediato” da privatização, já que a Equatorial nem sequer operava a empresa no trimestre avaliado, mas inaugura oficialmente o fluxo de proventos que a holding passará a abocanhar trimestralmente em Minas.
Estado de Minas Gerais fica com as sobras
A nova estrutura acionária alterou de forma drástica o destino do caixa gerado pela antiga estatal.
Nesta segunda-feira, o Governo de Minas tem direito a sacar cerca de R$ 7,2 milhões brutos (relativos à sua fatia atual de 5,03%). Para se ter uma ideia do tamanho do tombo na arrecadação direta com dividendos, se o Estado ainda detivesse seus antigos 50,03%, a parcela a receber neste mesmo pagamento saltaria para R$ 71 milhões.
A comparação, no entanto, deve considerar o fato de que Minas trocou esse fluxo futuro contínuo por uma injeção rápida de caixa, já que a oferta secundária da privatização movimentou R$ 8,39 bilhões.
Copasa: a máquina de gerar caixa e investimentos
O primeiro balanço contábil pós-privatização provou por que a Equatorial travou a disputa pelo ativo. A Copasa continua sendo uma empresa altamente rentável:
- Receita líquida: R$ 1,95 bilhão (avanço de 8,9% frente a 2025).
- Ebitda ajustado: R$ 762,1 milhões (+11,7%).
- Margem Ebitda ajustada: Robusta marca de 39%.
O lucro contábil, porém, recuou 21,5% (para R$ 227,1 milhões). A empresa justificou a receita elevada pelo reajuste tarifário de 6,56% e pelo aumento nos volumes de água medidos. Ao mesmo tempo, o investimento pisou no acelerador: o capex do semestre atingiu R$ 1,54 bilhão (27% acima do ano passado).
O desafio financeiro central após a privatização será observar essa balança. O mercado acompanhará de lupa qual será a proporção exata de dinheiro que a Copasa destinará à prometida universalização do saneamento frente à gorda fatia do caixa que continuará disponível para irrigar os cofres dos seus novos controladores privados.


