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Cedro prepara expansão de R$ 3,5 bilhões em Mariana e mira minério de maior valor

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A Cedro Participações obteve aprovação de licenças ambientais para ampliar sua mina em Mariana, com investimento previsto de R$ 3,5 bilhões. A decisão foi tomada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental, o Copam, em 25 de setembro, e permite avançar com o projeto de expansão.

Além de aumentar a capacidade da unidade, o plano procura mudar o perfil do produto vendido pela companhia. A aposta está no pellet feed de alto teor de ferro, matéria-prima destinada à fabricação de pelotas que podem atender processos siderúrgicos com exigências específicas de qualidade.

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Os dois números que explicam a expansão

O projeto prevê capacidade de beneficiamento de 10 milhões de toneladas de minério bruto por ano. Desse processamento poderá resultar uma produção anual de até 5,5 milhões de toneladas de pellet feed, conforme os números divulgados pela empresa.

As duas medidas representam etapas diferentes. O minério bruto corresponde ao material que entra no processo, enquanto o pellet feed é o produto obtido após o tratamento; somar os volumes ou tratá-los como equivalentes distorceria a dimensão do empreendimento.

Atualmente, a unidade de Mariana produz cerca de 2,5 milhões de toneladas anuais de minério bruto. A ampliação anunciada será gradual, de modo que a aprovação das licenças não significa que a nova capacidade já esteja disponível.

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A aposta está na qualidade da matéria-prima

Mineração Minas Gerais
Mineração em Minas Gerais – Foto: Envato

A Cedro pretende concentrar a expansão no chamado pellet feed high-grade, com maior concentração de ferro e baixos níveis de impurezas. Segundo a companhia, esse material é adequado à produção de pelotas utilizadas, entre outras aplicações, na rota siderúrgica de redução direta.

A estratégia está associada à busca da indústria do aço por matérias-primas compatíveis com processos de menor emissão. A empresa aponta esse movimento como oportunidade para ampliar sua presença em mercados internacionais, mas os resultados comerciais dependerão da implantação do projeto e da demanda dos compradores.

Na leitura do negócio, a qualidade passa a fazer parte da disputa por clientes junto com o volume produzido. O investimento busca oferecer uma especificação de produto, sem que isso represente garantia de preço, margem ou contratos futuros.

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Exportar também exige acesso à logística

A expansão da mina está ligada a outro projeto da holding: o Porto do Meio, planejado para Itaguaí, no Rio de Janeiro. O terminal tem investimento estimado em R$ 3,6 bilhões e capacidade inicial prevista para movimentar até 15 milhões de toneladas de minério por ano.

Segundo reportagem do Diário do Comércio, a expectativa divulgada para o início da operação portuária é o primeiro trimestre de 2030. O empreendimento integra a estratégia de conectar a produção mineira diretamente ao mercado externo.

Hoje, parte expressiva da produção da Cedro chega ao exterior por intermédio de outras empresas e estruturas. O porto próprio é apresentado pela holding como uma forma de ganhar independência no escoamento e acompanhar o crescimento planejado das minas.

Esse vínculo ajuda a entender por que ampliar a extração e resolver o transporte são decisões relacionadas. Produzir mais exige capacidade de levar o material até o comprador, dentro das condições de prazo e custo negociadas.

Empregos e prazo de operação são projeções

A Cedro estima mais de mil empregos diretos e indiretos na operação do projeto ampliado. A vida útil prevista é de até 20 anos, com possibilidade de extensão conforme os resultados de novas campanhas de sondagem.

Essas estimativas não equivalem a vagas abertas ou a um calendário de contratação já anunciado. A realização dos investimentos e o avanço da implantação determinarão quando os efeitos previstos poderão aparecer na economia local.

Para Mariana, acompanhar o projeto significa observar também a demanda por fornecedores e serviços. O anúncio estabelece uma expectativa, mas ainda não permite calcular quanto ficará com empresas locais ou como as contratações serão distribuídas ao longo dos anos.

Medidas ambientais precisam acompanhar a implantação

Na divulgação reproduzida pela Itatiaia, a companhia afirma que o licenciamento envolveu quase três anos de estudos. Também informa o uso de filtragem e empilhamento a seco e reaproveitamento de 85% da água utilizada nos processos.

São informações apresentadas pela empresa sobre sua operação e planejamento ambiental. A avaliação dos resultados exige acompanhar a implantação, o cumprimento das condições aplicáveis e o desempenho efetivamente registrado, além dos compromissos anunciados.

O projeto ainda tem etapas até alcançar o mercado

A holding pretende chegar a 20 milhões de toneladas de produção anual a partir de 2032, considerando seu plano mais amplo. Essa meta vai além da unidade de Mariana e deve ser distinguida da capacidade específica autorizada para a expansão local.

O avanço do licenciamento é uma etapa relevante para a Cedro, mas a execução industrial e a infraestrutura de escoamento continuarão decisivas. Para o mercado mineiro, os próximos marcos serão o andamento dos investimentos, a entrada das novas estruturas em operação e a conversão da capacidade prevista em produção vendida.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.