O dono do Supermercados BH, Pedrinho BH, começou a trocar a bandeira de lojas do Epa no interior de Minas Gerais após a aprovação, pelo Cade, da compra de 45 operações do Grupo DMA. A primeira mudança com data marcada ocorre em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.
A unidade do Epa localizada na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro da cidade, ficará fechada no sábado (6) para adaptação e reabrirá no domingo (7), às 9h, já como Supermercados BH. A informação foi divulgada por veículos locais e confirmada por comunicados instalados na loja. O Moon BH apurou que nas próximas semanas outras lojas vão começar a operar sob o novo nome.
A troca de bandeira é o primeiro sinal visível da integração entre duas das principais redes supermercadistas de origem mineira. O negócio aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica inclui lojas das marcas Epa, Epa Plus, Mineirão Atacado e Varejo, Brasil Atacarejo, postos de combustíveis e centros de distribuição.
Governador Valadares abre nova fase da expansão
A conversão da loja central em Governador Valadares deve ser seguida por outras unidades da cidade. Segundo o Diário do Comércio, além do ponto no Centro, outras três lojas do Epa no município também devem adotar a marca BH.
A mudança interessa ao consumidor local. Em curto prazo, a expectativa é de troca de comunicação visual, adaptação de sistemas, possível entrada de produtos de marca própria, reorganização de ofertas e integração aos canais comerciais da nova rede.
O movimento também amplia a presença de Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, em uma região estratégica do leste mineiro. A companhia já vinha avançando em cidades médias e polos regionais, mas a compra de operações do DMA acelera a chegada a mercados onde a bandeira ainda não tinha presença ou era menos relevante.
Mineirão também está no pacote
A troca de placa não deve ficar restrita ao Epa. O pacote aprovado pelo Cade envolve 28 unidades do Mineirão Atacado e Varejo, 11 lojas da rede Epa Plus, uma unidade da Brasil Atacarejo, três postos Mais Brasil e dois centros de distribuição.
Isso significa que parte das lojas de atacarejo também deve passar por processo de integração. O modelo exato pode variar conforme cidade, formato de loja, contrato, localização e estratégia comercial.
O Supermercados BH já opera com diferentes formatos, incluindo supermercados, atacarejo e postos. Por isso, a substituição da marca pode seguir caminhos distintos: algumas unidades podem virar supermercado tradicional, outras podem operar no formato de atacado e varejo, e parte da estrutura pode ser usada para reforçar logística regional.
Cade aprovou compra sem restrições
O Cade aprovou sem restrições a aquisição das 45 operações do Grupo DMA. Segundo documentos citados pelo Diário do Comércio, a transação faz parte da estratégia de expansão do Supermercados BH em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, com manutenção da estrutura de atendimento regional.

Ao todo, a etapa aprovada envolve 27 unidades em Minas Gerais, 16 na Bahia, uma em Pernambuco e uma em Rondônia. A operação alcança 34 municípios, dos quais 25 ainda não tinham uma unidade da rede mineira.
Para o DMA, a transação foi apresentada como forma de ajustar interesses comerciais e captar recursos para investimento e desenvolvimento dos negócios.
Interior vira prioridade no varejo mineiro
A troca de bandeiras mostra a importância das cidades médias na disputa supermercadista. Governador Valadares, Nanuque, Alfenas, Almenara, Caratinga, Guanhães, Guaxupé, Santa Rita do Sapucaí, São Sebastião do Paraíso e Viçosa aparecem entre os municípios onde há expectativa de mudanças.
Essas cidades funcionam como polos regionais de consumo. Muitas atendem moradores de municípios menores, têm comércio consolidado, fluxo de serviços e demanda por supermercados com sortimento amplo e preços competitivos.
Para o BH, a integração permite ganhar escala sem começar do zero. Em vez de construir novas lojas, a rede assume pontos já conhecidos, com clientela, localização, estrutura e operação em funcionamento.
Para os consumidores, a troca deve ser percebida principalmente no preço, nas marcas próprias, nas promoções e no padrão de operação. Esse será o teste inicial da integração.
Grupo se aproxima de R$ 35 bilhões em receita
A aquisição também muda o tamanho do Supermercados BH no ranking nacional. Segundo O Tempo, com a operação, a rede passa a somar receita estimada de R$ 34,6 bilhões, aproximando-se do Grupo Mateus, terceiro colocado do setor no país, e ampliando distância em relação ao GPA.
Antes da operação, a companhia tinha vendas de R$ 25,7 bilhões e 406 lojas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Com o acordo, o grupo pode chegar a aproximadamente 600 unidades, além de centros de distribuição e postos de combustíveis.
A expansão também marca avanço para além de Minas e Espírito Santo. A entrada em Bahia, Pernambuco e Rondônia amplia a presença nacional da rede e reforça um movimento de consolidação no varejo alimentar.
Troca de bandeira será acompanhada de perto
O processo em Governador Valadares deve servir como referência para as próximas conversões. Em operações desse tipo, os principais pontos de atenção são abastecimento, manutenção de empregos, adaptação de equipes, política de preços, integração de sistemas e relacionamento com fornecedores locais.
A mudança também pode afetar concorrentes. Quando uma rede de grande escala assume lojas regionais, tende a aumentar a pressão sobre preços, promoções e negociação com fornecedores.
No caso do Supermercados BH, a marca chega com forte apelo popular e histórico de expansão rápida. No caso do Epa e do Mineirão, a troca representa o início de uma nova etapa para bandeiras que tiveram presença importante no varejo mineiro nas últimas décadas.


