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Léo Duarte chega ao Atlético, assina até 2030 e fala sobre torcida e retorno ao Brasil

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Seis anos fora do Brasil. Mais de 200 jogos na Turquia. E agora a Cidade do Galo.

Léo Duarte chegou a Belo Horizonte na noite de domingo, 22 de junho, e se apresentou ao elenco do Atlético Mineiro na segunda-feira seguinte, no mesmo dia em que o grupo voltava das férias pela pausa da Copa do Mundo. O momento era aguardado desde o início de junho, quando o clube anunciou o acordo assim que o vínculo do zagueiro com o İstanbul Başakşehir se encerrou. A oficialização veio na terça-feira, 24, após a aprovação nos exames médicos e físicos realizados na Cidade do Galo. O contrato assinado é válido até dezembro de 2030.

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Por que o Atlético e por que agora

Foto: Pedro Souza / Atlético

O próprio zagueiro deixou claro o raciocínio. Em entrevista à Galo TV, Léo Duarte falou sem rodeios sobre o que pesou na decisão de trocar a Turquia por Minas Gerais. A grandeza do clube e o impacto da torcida atleticana apareceram no topo da lista. “Já joguei contra o Atlético algumas vezes e sempre fiquei impressionado com o calor da torcida e a pressão que fazem”, disse. “Tudo isso somou para minha vinda pra cá.”

Mas teve outro fator que ele também citou com clareza: o futebol turco não entregava visibilidade suficiente para um atleta que quer ser visto. “Estava na Turquia há quase seis anos e, por mais que estivesse bem e performando, o clube não podia me dar uma visibilidade muito grande. Aqui, com o Galo abrindo as portas, pela grandeza e tudo que representa dentro do país, eu posso performar, ser feliz e ser mais reconhecido.”

Isso é uma confissão relevante. Não é crítica ao Başakşehir, onde foi capitão e acumulou mais de 200 partidas. É uma leitura de carreira. Aos 29 anos, Léo Duarte entendeu que seguir invisível numa liga periférica do futebol europeu não fazia mais sentido.

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Há ainda um detalhe geográfico que não é trivial. Nascido em Mococa, no interior paulista, na divisa com Minas Gerais, o zagueiro conhece a região e suas diferenças. “Sei que o Mineiro é mais receptivo, mais gente boa. Lá fora o pessoal é mais frio, mas aqui é diferente”, revelou. A adaptação, pelo menos cultural, já estava meio feita antes de pisar no CT.

O que o Atlético está contratando

A carreira de Léo Duarte tem uma linha clara: talento revelado pelo Flamengo, promessa vendida cedo para a Europa, amadurecimento lento mas consistente no exterior. Ele saiu do Rubro-Negro em 2019, por 10 milhões de euros, rumo ao Milan. Na Itália, não emplacou, com apenas nove jogos em poucos meses. Foi para o Başakşehir em 2021, a princípio por empréstimo, e comprado em definitivo logo depois.

Na Turquia, o jogador se transformou. Virou capitão, referência de liderança no vestiário e peça quase inamovível do time titular. Nos números da última temporada antes de chegar ao Atlético, esteve em campo em 34 dos 44 jogos disponíveis, uma taxa de 77%. Ao longo de toda a passagem pelo clube turco, atuou em 205 das 259 partidas possíveis: regularidade de 79%, o tipo de dado que interessa a qualquer comissão técnica.

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O treinador que o dirigiu por último no Başakşehir, Nuri Şahin, ex-jogador do Borussia Dortmund, lhe escreveu uma longa mensagem de despedida e usou a expressão “liderança silenciosa” para descrevê-lo. Alguém que fala pouco mas que conquista respeito pelo comportamento diário. Num elenco que vai enfrentar a pressão de disputar Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana ao mesmo tempo, esse perfil tem valor real.

O contexto da zaga atleticana

Léo Duarte chega para um setor que precisa de ajuste. O Atlético sofreu 42 gols em 37 jogos no primeiro semestre, média de 1,13 por jogo. Não é um número que permite sonhar com título. A saída de Junior Alonso, que está na Copa do Mundo com o Paraguai e tem acordo encaminhado com o Atlanta United, da MLS, abriu a vaga que o novo zagueiro vai disputar.

A concorrência é real. Ruan Tressoldi se firmou como titular absoluto na temporada, a ponto de o clube exercer a compra definitiva. Lyanco perdeu espaço, mas a pausa para o Mundial pode ter funcionado como redefinição de patamar. Vitor Hugo e o jovem Iván Román completam o grupo. Eduardo Domínguez vai precisar decidir quem joga.

O acerto financeiro exemplifica a estratégia da diretoria atleticana nesta janela. Léo Duarte veio sem custo de transferência, já que estava em fim de contrato. Pagar pelo passe não era uma opção que o clube estava disposto a tomar. A aposta é em atletas livres ou em situação contratual favorável, sem abrir mão do nível técnico. Nesse critério, a contratação fecha bem.

Resta saber se o futebol acompanha. O Atlético retoma as atividades com um mês de pré-temporada antes do calendário oficial recomeçar em agosto. Tempo suficiente para o novo zagueiro entrar nos mecanismos do time de Domínguez e chegar em ritmo para quando os jogos valerem valer.

A torcida que impressionou Léo Duarte de fora vai cobrar de dentro. Esse é o negócio.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Tem experiência em jornalismo esportivo e de cidades e economia e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.