HomeBH e MG NotíciasDJ M4IA, de Uberlândia, faz música da Copa com IA passar de...

DJ M4IA, de Uberlândia, faz música da Copa com IA passar de 1 bilhão e surpreende até Neymar

Publicado em

A música que tomou conta dos vídeos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não saiu de uma grande gravadora nem de uma campanha oficial. “Brasil com S” nasceu em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, foi produzida com auxílio de inteligência artificial pelo DJ e produtor Guilherme Maia, o M4IA, e ultrapassou a marca de 1 bilhão de reproduções e usos somados em plataformas digitais. Além disso, TikTok, YouTube Shorts e Instagram se tornaram o principal palco do fenômeno. O fenômeno foi alimentado por dancinhas, edições de futebol, reações de torcedores e publicações em massa ao longo da competição.

O número exige uma leitura cuidadosa. Ele não representa apenas streams em uma plataforma musical convencional, mas o volume acumulado de usos do áudio em vídeos curtos, conteúdos derivados, visualizações e compartilhamentos. Ou seja, é um tipo de sucesso construído pela repetição algorítmica nas redes. Não é pelo modelo tradicional de execução em rádio.

- Publicidade -

O produtor, a ferramenta e a estratégia por trás da faixa

Guilherme Maia tem 31 anos e é DJ, produtor musical e publicitário. Ele começou a trabalhar com música ainda na adolescência, comandando som em festas escolares e gerenciando uma web rádio. Entre 2013 e 2014, lançou faixas autorais. No entanto, passou por um baque em 2018 quando sua distribuidora encerrou as atividades e suas músicas saíram das plataformas. A carreira foi retomada em 2021.

Antes de “Brasil com S” viralizar, Maia já acumulava experiência com música eletrônica, marketing digital e redes sociais. Esse repertório explica por que a faixa não foi apenas um experimento técnico com inteligência artificial. A tecnologia entrou como ferramenta de aceleração do processo criativo. Porém, a direção artística, o senso de timing e a leitura do comportamento das plataformas vieram do produtor.

O próprio DJ já relatou que testou várias versões, descartou trechos, ajustou a estrutura no software de produção musical e finalizou o áudio depois de um trabalho de edição e curadoria. A música nasceu poucos dias antes de um jogo do Brasil contra a França. Surgiu como resposta bem-humorada à força dos cantos franceses que circulavam nas redes naquele momento.

- Publicidade -

Por que a estrutura da música funcionou nas redes

“Brasil com S” mistura funk, phonk e música eletrônica com um formato de “call and response” — em que uma voz chama e outra responde. Contudo, a estrutura aparece na convocação cantada de jogadores da Seleção Brasileira. Nomes como Neymar, Vini Jr., Raphinha e Alisson estão no refrão de ritmo acelerado e fácil memorização.

Essa composição criou o material ideal para o ecossistema dos vídeos curtos. A faixa é simples o suficiente para ser cortada e reutilizada, tem gancho emocional para torcedores e carrega uma narrativa de retorno simbólico do camisa 10. Esse elemento amplificou o alcance da música entre quem acompanha o craque nas redes.

Quando vídeos ligados a Neymar começaram a usar o áudio, o efeito multiplicador ficou ainda mais intenso. A presença do jogador, uma das figuras mais seguidas do futebol mundial, colocou “Brasil com S” no centro de um ciclo de compartilhamentos. Esse ciclo extrapolou o público habitual de música eletrônica brasileira.

- Publicidade -

De Uberlândia para uma gravadora holandesa

O alcance da música não ficou restrito ao Brasil. Segundo relatos do próprio produtor, “Brasil com S” ganhou força em países como Holanda, Suécia e Israel. A música apareceu entre os áudios mais usados em vídeos curtos em diversas plataformas internacionais. E se manteve no topo do YouTube Shorts no Brasil por várias semanas consecutivas durante a Copa.

O desdobramento mais concreto desse alcance foi o contrato com a Spinnin’ Records, gravadora holandesa com presença consolidada na cena eletrônica mundial e histórico de lançamentos ligados a artistas como Alok e David Guetta. Para um produtor que opera em miniestúdio no interior de Minas Gerais, assinar com uma gravadora desse porte representa um salto raro. Também é algo dificilmente replicável sem a alavancagem das plataformas digitais.

O que o caso revela sobre IA e produção musical

O fenômeno de “Brasil com S” abre uma discussão concreta para a indústria musical. A inteligência artificial deixou de ser uma ameaça abstrata ou uma curiosidade técnica para se tornar parte real do processo criativo. Isso ocorre desde que combinada com direção artística, entendimento de plataforma e leitura de timing.

A música oficial da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo é outra. Mas nas redes sociais, o público escolheu sua própria trilha sonora. E ela veio de um produtor de 31 anos em Uberlândia, que usou IA como ferramenta, não como atalho, e entregou uma faixa capaz de competir em alcance com qualquer produção do circuito mainstream.

O caso de Guilherme Maia mostra que o sucesso musical em 2026 pode nascer de qualquer cidade, desde que o produtor entenda como os algoritmos funcionam e o que o público quer repetir, compartilhar e dançar.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.