O La Cabrera, restaurante criado em Buenos Aires pelo chef Gastón Riveira e presente em dez países, vai inaugurar em outubro sua primeira unidade em Minas Gerais, no rooftop do Botânico Shopping, no Belvedere. Belo Horizonte entrou na rota da marca antes de São Paulo, o que diz muito sobre como o mercado gastronômico da capital mineira mudou. O investimento é de R$ 6 milhões, a área tem 550 metros quadrados e a capacidade será para 180 clientes.
É uma das primeiras unidades oficiais da rede no Brasil, ao lado da operação prevista para o Shopping Iguatemi em Porto Alegre.
O que é o La Cabrera e por que o nome importa
O La Cabrera ficou conhecido em Buenos Aires por transformar a parrilla em algo maior do que o prato principal. A casa trabalha com cortes premium, variedade extensa de acompanhamentos servidos à mesa, empanadas, molhos e carta de vinhos cuidada. É um restaurante que circula em rankings e guias internacionais de carnes e experiências gastronômicas.
A rede tem presença em Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Paraguai, Peru, Filipinas, Espanha e México. A expansão brasileira era aguardada pelo setor porque a marca tem reputação construída ao longo de anos num mercado, o argentino, que leva parrilla a sério.
O cardápio da unidade de BH deve seguir a identidade da rede, com cortes de Hereford, Aberdeen Angus, Brangus e Wagyu, parrilla europeia importada e proposta voltada a quem busca experiência gastronômica, não apenas uma churrascaria convencional.
Gastón Riveira já esteve em Belo Horizonte para acompanhar o projeto e conhecer o espaço pessoalmente. A obra está sendo executada pela Terzo Engenharia.
Por que BH antes de São Paulo
Essa é a parte que interessa ao mercado gastronômico. O La Cabrera poderia ter escolhido São Paulo como primeira vitrine natural no Brasil. É o que marcas internacionais costumam fazer. Não foi o que aconteceu. A unidade brasileira vai começar em Minas Gerais, e isso não é coincidência.
BH tem uma base de consumidores acostumada a comer fora, cultura de bares e restaurantes autorais consolidada, e bairros como Belvedere, Lourdes, Savassi e Vila da Serra que concentram projetos com tíquete médio elevado e foco em experiência. O mercado local deixou de ser apenas uma versão regional dos grandes centros. Passou a ser um destino em si.
Quando uma operação de R$ 6 milhões, presente em dez países, decide abrir em Minas antes de chegar à capital paulista, o recado é direto: Belo Horizonte entrou no mapa da expansão premium.
O Botânico Shopping e o rooftop como aposta
A escolha do Botânico Shopping também tem peso próprio. O empreendimento do Belvedere foi entregue como um shopping de rua integrado à natureza, com investimento estimado em R$ 120 milhões, quatro pavimentos, praça central e paisagismo como parte do conceito.
O La Cabrera vai inaugurar o rooftop do shopping, com vista para a Serra do Curral. Segundo Emílio Brandi, diretor do empreendimento, a chegada da marca abre a ocupação desse espaço e reforça o posicionamento do local como polo gastronômico de BH.
A leitura é clara: o Botânico quer ser lembrado menos como centro de compras e mais como destino de lazer, convivência e restaurantes. Uma parrilla argentina internacional no rooftop, com vista para a Serra, é um argumento forte para esse posicionamento.
O que chega ao prato
A proposta do La Cabrera não é competir com churrascaria tradicional. É uma camada acima em termos de apresentação, serviço e experiência.
Os cortes são de raças selecionadas, a parrilla é europeia e importada, e o serviço segue o padrão da rede internacional, com mesa farta de acompanhamentos, atenção ao cliente e ambiente voltado a permanência. Não é refeição rápida. É programa.
Para Belo Horizonte, que tem tradição em botequim e comida mineira, mas também tem mercado crescente para experiências gastronômicas de alto padrão, o La Cabrera chega num momento em que a demanda por esse tipo de restaurante está claramente aquecida.





