Belo Horizonte quer transformar uma das características mais associadas à cidade em um ativo econômico cada vez maior. Bares, restaurantes, café, cachaça, cerveja e vinho estão no centro de uma estratégia para atrair visitantes, ampliar experiências turísticas e movimentar negócios ligados à gastronomia na capital mineira.
A ideia ganhou projeção nesta quarta (12) e quinta-feira (13), durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado em São Paulo. Belo Horizonte participa do encontro por meio da Belotur, ao lado de representantes de governos, organismos internacionais e especialistas de diferentes destinos. O evento tem colaboração da ONU Turismo e do Ministério do Turismo.
Mas, para BH, a discussão vai muito além de divulgar onde comer bem.
A aposta é fazer com que aquilo que já faz parte da rotina e da identidade da cidade se transforme também em motivo para uma viagem, aumentando o tempo de permanência dos visitantes e estimulando uma cadeia que passa por restaurantes, bares, produtores de bebidas, eventos e outros serviços turísticos.
De boteco a produto turístico
A lógica é relativamente simples: um turista não precisa visitar Belo Horizonte apenas para conhecer um monumento ou participar de um grande evento.
Ele também pode viajar para tomar uma cerveja produzida na região, conhecer cachaças mineiras, experimentar cafés, percorrer restaurantes ou viver a cultura dos bares da cidade.
É justamente essa combinação que Belo Horizonte tenta fortalecer.
Segundo a Belotur, bebidas como cachaça, café, cervejas e vinhos representam oportunidades para ampliar a oferta de experiências turísticas da capital. A cidade também pretende aproveitar a força de sua cena de bares e restaurantes para reforçar o posicionamento como destino gastronômico.
O movimento acompanha uma tendência em que gastronomia deixa de ser apenas complemento de uma viagem e passa a funcionar como razão para escolher o destino.
No Fórum das Américas, por exemplo, estão sendo discutidas rotas de enoturismo, cadeias de valor do turismo gastronômico, estratégias de promoção, sustentabilidade e experiências desenvolvidas por diferentes cidades e países.
BH carrega título internacional desde 2019
Belo Horizonte já possui um ativo importante para vender essa imagem no exterior.
Desde 2019, a capital mineira integra a Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria Gastronomia. O reconhecimento colocou BH em uma rede internacional de cidades que utilizam a criatividade e setores culturais como instrumentos de desenvolvimento.
A própria Unesco aponta, entre os objetivos assumidos por Belo Horizonte como Cidade Criativa, o estímulo à inclusão produtiva de empreendedores e comunidades, a melhoria do ambiente de negócios e a valorização da cultura gastronômica de diferentes regiões da cidade.
Ou seja, o título não funciona apenas como uma espécie de selo de que “se come bem” em BH.
Há uma dimensão econômica por trás dele.
Ao transformar gastronomia em experiência turística, a cidade consegue criar oportunidades para pequenos estabelecimentos, produtores, profissionais da cozinha e negócios ligados às bebidas e ao entretenimento.
Café, cerveja, cachaça e vinho entram na disputa pelo turista
O plano apresentado pela Belotur inclui diferentes segmentos de bebidas.
A cachaça possui ligação histórica evidente com Minas Gerais. O café também carrega enorme peso cultural e econômico no estado. A cerveja artesanal ganhou espaço significativo na identidade contemporânea da capital e de sua região metropolitana.
Agora, o vinho também aparece nesse cardápio de possibilidades.
A participação em um fórum dedicado ao enoturismo permite conectar Belo Horizonte a rotas e experiências desenvolvidas em outras regiões produtoras, além de colocar a cidade como ponto de entrada ou apoio para quem viaja por Minas em busca desse tipo de turismo.
Comer e beber podem movimentar muito mais do que restaurantes
É aí que a estratégia se torna especialmente interessante do ponto de vista econômico.
Quando um visitante viaja motivado por gastronomia, o dinheiro gasto não fica necessariamente apenas no restaurante.
Há hospedagem, transporte, comércio, passeios, eventos e diferentes serviços ligados à permanência na cidade.
Por isso, a Belotur trata a gastronomia como um dos ativos culturais e turísticos de Belo Horizonte. O presidente da empresa, Eduardo Cruvinel, participa nesta quinta-feira (13) do painel “Cidades Gastronômicas”, voltado ao intercâmbio de experiências entre integrantes da Rede de Cidades Criativas da Unesco.
A discussão deve incluir justamente a relação entre gastronomia, patrimônio cultural, desenvolvimento econômico e promoção dos destinos.
E talvez esteja aí a principal mudança de perspectiva.
Para quem mora em Belo Horizonte, encontrar amigos em volta de uma mesa de bar, tomar um café ou experimentar uma cerveja local pode parecer algo absolutamente cotidiano.
Para a cidade, porém, essa rotina pode ser convertida em uma experiência que alguém de fora esteja disposto a viajar para conhecer.


