Belo Horizonte terá uma programação gratuita de cinema que permite reconhecer a cidade pelas histórias de seus moradores, espaços culturais e territórios. A Mostra A Cidade em Movimento reúne 16 filmes produzidos na capital e na região metropolitana, dentro da 20ª CineBH, que acontece de 22 a 27 de setembro.
As cinco sessões desse recorte começam na quarta-feira, dia 23, e seguem até domingo, dia 27. O roteiro passa pelo Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil e pelo Cine Santa Tereza, com propostas que aproximam o público da memória teatral, do cotidiano do trabalho e das experiências nas periferias.
A cidade vista por quem a vive
Com curadoria de Bruna Piantino, a mostra recebeu o nome de “Abecedário da Existência”. A seleção organiza os filmes em cinco programas temáticos, permitindo que o espectador escolha uma sessão pelo assunto que deseja acompanhar.
É um caminho para quem se interessa pelo festival, mas não sabe por onde começar entre tantas produções. Em vez de tentar assistir a tudo, o público pode montar um percurso a partir de histórias próximas da própria rotina ou de lugares que deseja conhecer melhor.
Uma dessas conexões aparece em Do Acaba Mundo ao Pindura Saia. O curta acompanha crianças e adolescentes que atravessam a cidade para encontrar moradores de outro território e descobrir suas origens, ligadas à trajetória da escritora Conceição Evaristo.
O filme nasceu de oficinas de fotografia e vídeo realizadas em novembro de 2025 e março de 2026. Parte das imagens foi produzida pelos próprios participantes, aproximando a experiência de aprender cinema da possibilidade de registrar o lugar onde vivem.
Quarta-feira recupera a história do Galpão Cine Horto
A primeira sessão será em 23 de setembro, às 19h, no Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil. O programa apresenta Como Atravessar Paredes: A História do Centro Cultural Galpão Cine Horto, documentário de 70 minutos e classificação livre.
A obra acompanha a trajetória do Galpão Cine Horto desde 1998, reunindo imagens de arquivo e depoimentos de pessoas que participaram de seu funcionamento. A direção é compartilhada por Chico Pelúcio, Henrique Vertchenko, Marcos Coletta e Rodolfo Magalhães.
Artistas, técnicos e profissionais de diferentes períodos ajudam a reconstruir essa memória. Para quem conhece o espaço apenas pelas apresentações, a sessão oferece uma oportunidade de descobrir o trabalho de formação, pesquisa e produção que acontece além do palco.
Quinta e sexta aproximam cinema, trabalho e vida adulta
Na quinta-feira, dia 24, às 19h, o mesmo teatro recebe a sessão “A Tecnologia da Existência”. A programação combina o curta Ouro de Tolo Remix com o longa Maxita, aproximando discussões sobre humanidade, natureza e tecnologia.
Na sexta-feira, dia 25, também às 19h, o programa “O Resgate do Corpo Emocional” reúne quatro obras. Os temas incluem autoestima, precarização do trabalho, sofrimento mental e os desafios de construir uma vida adulta ligada à criação artística.
Entre os títulos estão Todas as Cores Que Eu Já Senti na Vida, Recaída, Dentro do Meu Peito Mora um Cão e O Maestro. A variedade permite acompanhar experiências individuais que também ajudam a pensar relações sociais presentes no cotidiano urbano.
Fim de semana leva a mostra ao Cine Santa Tereza
No sábado, dia 26, às 17h30, o Cine Santa Tereza recebe “A Não Domesticação da Experiência”. A sessão reúne cinco filmes, entre eles Queremos Praia, Anunciação…, Sexta e Cordões e Sinos de Além-mar, em um encontro de diferentes linguagens e experiências culturais.
O último programa será no domingo, dia 27, às 18h, com o nome “A Inteligência da Borda”. A seleção volta o olhar para as periferias e para as formas de viver, circular e construir relações na cidade.
Do Acaba Mundo ao Pindura Saia integra essa sessão, ao lado de Mães do Morro, Um Mar, Não É Sobre Pastéis e Nós É Ruim e Mora Longe. O encontro permite aproximar filmes distintos pelo interesse nas pessoas e nos territórios que dão forma à vida urbana.
Como organizar a visita
Os horários e títulos estão reunidos na programação oficial da Mostra A Cidade em Movimento. Antes de sair, vale conferir a classificação indicativa dos filmes e as orientações de acesso da sessão escolhida, especialmente para quem pretende levar crianças.
A classificação livre de um título não deve ser estendida automaticamente a toda a programação. Da mesma forma, a gratuidade não elimina a necessidade de observar as condições de entrada e a disponibilidade de lugares em cada espaço.
Para quem deseja um roteiro curto, a quarta-feira oferece a memória de um centro cultural, enquanto o domingo reúne histórias dos territórios e de seus moradores. As outras sessões ampliam esse percurso com temas que atravessam o trabalho, o corpo e as maneiras de ocupar Belo Horizonte.


