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Cemig leiloa terreno de 1.380 m² no Gutierrez por R$ 352 mil; veja as restrições

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A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) incluiu um terreno de 1.380 metros quadrados localizado no bairro Gutierrez, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em sua rodada de alienação de imóveis. O certame, conduzido por meio da plataforma Superbid, aceita lances até as 16h do dia 26 de novembro. O lance inicial estipulado no edital é de R$ 352.500.

O montante, sensivelmente inferior à média praticada no mercado imobiliário para glebas com essa dimensão em um bairro de alto padrão, reflete a incidência de restrições jurídicas e físicas severas que inviabilizam a ocupação imediata ou o uso corporativo convencional.

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O edital de alienação da estatal classifica a propriedade, registrada como o lote 8 do certame, com três passivos principais. O documento formaliza aos potenciais compradores que o imóvel se encontra ocupado irregularmente, utilizando expressamente a classificação de área “invadida”. A Cemig transfere o risco integral da operação ao arrematante, estipulando que não haverá devolução do valor pago ou qualquer pagamento de indenização por prejuízos decorrentes da constatação de ocupantes no local.

A responsabilidade financeira e jurídica por mover ações possessórias de reintegração ou negociar a desocupação do terreno caberá exclusivamente ao novo proprietário. O texto da licitação não detalha a natureza da ocupação ou a eventual tramitação de processos judiciais.

Leilão de imóvel cheio de restrições

A área de 1.380 metros quadrados, anunciada na Rua Benjamim Jacob, na 3ª Seção Suburbana, não constitui um ativo fundiário unificado. O terreno resulta da soma de três matrículas independentes, todas registradas em nome da Cemig Distribuição. A composição engloba o lote 2, com 390 metros quadrados; o lote 3, com área idêntica de 390 metros quadrados; e o lote 4, mais amplo, com 600 metros quadrados.

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Dessa configuração fragmentada deriva a segunda restrição estrutural. Os lotes 2 e 3 são encravados, não possuindo acesso próprio para a via pública. A Cemig registra no edital que a falta de passagem foi absorvida pelo cálculo de avaliação, resultando na depreciação do valor estipulado para a abertura do pregão. A regra da licitação determina que cabe ao adquirente buscar as autorizações necessárias nos órgãos municipais de urbanismo e providenciar, com recursos próprios, a viabilização de acesso aos lotes isolados.

A limitação física de maior extensão é a presença da linha de transmissão BH Bonsucesso–BH Gutierrez, que opera na tensão de 138 kV. A estrutura de alta tensão gera uma faixa de servidão administrativa que afeta 952,01 metros quadrados do terreno, o equivalente a quase 70% de toda a área ofertada no leilão.

O impacto dessa restrição de segurança é distribuído entre as três propriedades. A servidão atinge 212,82 metros quadrados no lote 2, avança por 275,99 metros quadrados no lote 3 e compromete 463,20 metros quadrados no lote 4. O edital especifica que a servidão de passagem de energia elétrica será formalmente averbada nas matrículas durante o processo de transferência para o arrematante, resguardando permanentemente as operações da Cemig Distribuição. O documento estadual não especifica as taxas de potencial construtivo remanescentes nas áreas livres do perímetro energético, nem os parâmetros urbanísticos permitidos pela Prefeitura de Belo Horizonte para ocupação do subsolo.

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Além do lance mínimo, a estatal estima a cobrança de R$ 40.100 referentes às despesas administrativas para a transferência de titularidade. A quantia visa cobrir os emolumentos de escritura, emissão de certidões, registros cartoriais e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A Cemig executa os trâmites, mas exige que o valor seja depositado pelo comprador antes da lavratura do documento. A cifra é estritamente uma estimativa, e qualquer divergência para mais na tributação real deverá ser assumida pelo vencedor do leilão. Somando o lance mínimo e a projeção burocrática, o desembolso referencial de partida atinge R$ 392.600.

Há ainda uma discrepância técnica registrada entre os canais de divulgação do certame. Enquanto o edital oficial estabelece a marca de R$ 352.500 como avaliação base, o sistema da plataforma Superbid, responsável por hospedar os lances virtuais, registrava a abertura em R$ 352.200. Como o edital constitui a peça jurídica vinculante da operação, a leitura oficial recai sobre o maior valor.

A divulgação comercial nas plataformas ressalta a localização do ativo, citando a proximidade com o eixo da Avenida Raja Gabaglia, sedes de tribunais e complexos hospitalares, além do baixo estoque de terrenos no bairro Gutierrez. Para consolidar a aquisição, no entanto, o investidor precisará absorver um ativo fracionado em três matrículas, majoritariamente coberto por uma linha de transmissão e submetido aos custos imponderáveis de uma desocupação litigiosa.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.