A campanha de Gabriel Azevedo ao Governo de Minas Gerais estreou sua arrecadação oficial recebendo recursos privados. O candidato do MDB contabilizou 300 mil reais vindos de apenas dois doadores. Os financiadores ocupam cargos de liderança em dois grupos empresariais influentes do estado.
A prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral revela a origem do dinheiro. Ricardo Annes Guimarães transferiu 200 mil reais para o candidato, quantia que equivale a dois terços de toda a receita declarada até o momento. O empresário Lucas Felipe Melo Couto enviou os 100 mil reais restantes para completar o orçamento da chapa.
A movimentação mostra a entrada de núcleos econômicos de peso no financiamento da candidatura. Lucas Couto atua no mercado imobiliário e ocupa a diretoria executiva comercial e de marketing da Patrimar Engenharia, uma grande incorporadora mineira. O executivo também participa da administração da construtora Novolar, focada nos segmentos habitacionais mais econômicos.
Ricardo Guimarães tem sua trajetória ligada ao setor financeiro. O empresário acumulou décadas de trabalho no Banco BMG, instituição que comandou como diretor executivo principal entre 2004 e 2013. Atualmente, ele exerce a vice presidência do conselho de administração do banco, tendo sido reeleito em abril de 2026. Guimarães também preside o conselho deliberativo do Atlético Mineiro.
Expansão imobiliária e regras eleitorais
A contribuição do diretor da Patrimar ocorre durante uma fase de expansão da incorporadora. O grupo registrou 546 milhões de reais em vendas líquidas no segundo trimestre de 2026, com forte crescimento anual. A empresa constrói projetos nos mercados de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro.
A doação ocorreu por meio da pessoa física de Lucas, e não através do caixa corporativo da Patrimar. Como a justiça proibiu o financiamento empresarial em 2015, executivos precisam usar verbas próprias quando decidem apoiar candidatos.
Histórico de doações e limite de gastos
Ricardo Guimarães possui um histórico de participação no xadrez eleitoral de Belo Horizonte. Na disputa municipal de 2024, ele figurou entre os maiores doadores privados do país na reta inicial das campanhas. Registros oficias mostram que o banqueiro destinou recursos para Bruno Engler e Ciro Pereira naquele ano.
O apoio a Gabriel Azevedo demonstra que o financiamento privado não significa alinhamento político permanente. A lei autoriza que doadores contribuam com candidatos de campos adversários, desde que respeitem as regras estipuladas pela Receita Federal.
O montante arrecadado altera o quadro contábil do candidato na corrida eleitoral. Na semana anterior, levantamentos mostravam a campanha sem recursos declarados, enquanto concorrentes diretos como Alexandre Kalil e Patrus Ananias já movimentavam fatias milionárias repassadas por seus partidos.
O teto fixado pela Justiça para a disputa ao Governo no primeiro turno é de quase 18 milhões de reais. O valor inicial representa uma fração mínima desse limite. No entanto, o depósito sinaliza a captação privada de um candidato em chapa pura que ainda aguarda o repasse de verbas da direção nacional da sigla.


