A esquerda e a centro-esquerda já têm dois nomes formalizados para disputar o Governo de Minas em 2026. Alexandre Kalil foi escolhido pelo PDT, enquanto Patrus Ananias foi confirmado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Os dois já se movimentam como candidatos, mas chegam à reta final das convenções com a mesma lacuna: nenhum anunciou quem ocupará a vice.
A situação não representa irregularidade. Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, as convenções podem ocorrer até 5 de agosto, o registro das chapas termina no dia 15 e a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. Até lá, partidos ainda podem ajustar alianças e completar as composições majoritárias.
Kalil e Patrus ocupam espaços diferentes
Kalil foi oficializado pelo PDT em 26 de julho, durante convenção realizada no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O partido, entretanto, deixou para a Executiva estadual a escolha do vice e a definição sobre as duas vagas ao Senado.
Embora o PDT esteja no campo de centro-esquerda e apoie nacionalmente a reeleição de Lula, Kalil tenta preservar uma identidade própria em Minas. O ex-prefeito não participou da convenção nacional pedetista que reuniu a direção da legenda e o presidente. No estado, Lula apoia Patrus.
Patrus foi lançado justamente para ser o palanque oficial do presidente em Minas. Sua candidatura foi confirmada pela federação em 31 de julho. A chapa já tem Marília Campos para uma das vagas ao Senado, mas continua sem vice e sem o segundo candidato a senador.
O grupo marcou para 5 de agosto, em Belo Horizonte, um ato de apresentação das candidaturas à militância e aos eleitores. Lula também deve participar de um lançamento estadual em 17 de agosto, no segundo dia do período oficial de campanha.
Na prática, portanto, as duas candidaturas partem de estratégias diferentes. Patrus tenta concentrar o eleitorado diretamente identificado com Lula e com o PT. Kalil, mesmo filiado a um partido que apoiará o presidente, procura construir uma candidatura estadual menos dependente da polarização nacional.
O mesmo partido pode decidir as duas chapas
A indefinição dos vices revela que Kalil e Patrus não disputam apenas votos. Eles também concorrem por aliados capazes de ampliar territorial e politicamente suas chapas.
O PSB tornou-se a principal peça desse tabuleiro. A legenda realizou convenção no domingo (2), mas adiou para 5 de agosto a decisão sobre a eleição majoritária. A conversa com o PT é considerada mais avançada, embora o PDT continue no páreo.
Na composição discutida com Patrus, o empresário Josué Gomes aparece como possibilidade para vice. O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior poderia concorrer ao Senado, ao lado de Marília Campos. Outra alternativa debatida nos bastidores seria Jarbas ocupar a vice.
Para Kalil, o PSB ofereceria um parceiro para o posto de vice e nomes para preencher uma chapa que ainda não possui candidatos ao Senado. A decisão socialista, portanto, pode alterar simultaneamente os dois projetos ligados à centro-esquerda.
O partido tornou-se ainda mais valorizado depois que Rodrigo Pacheco recusou disputar o Governo de Minas. Inicialmente, o senador era tratado por Lula como o nome preferencial para liderar uma chapa mais ampla, capaz de reunir PT, PSB e setores do centro.
Vice terá de compensar fragilidades
A base política de Kalil está diretamente ligada a Belo Horizonte, cidade que ele governou entre 2017 e 2022. Para transformar essa experiência em uma candidatura competitiva no estado, o ex-prefeito precisa ampliar sua presença no interior.
Um vice com estrutura partidária, relacionamento com prefeitos ou trânsito em regiões onde Kalil ainda encontra resistência poderia ajudar nessa missão. A ausência de candidatos ao Senado também aumenta a necessidade de o PDT atrair uma legenda com nomes próprios e capacidade de mobilização.
Patrus carrega o apoio direto de Lula e a estrutura do PT, mas precisa demonstrar capacidade de conversar além da militância petista. Por isso, Josué Gomes é citado como alternativa para aproximar o empresariado e transmitir uma imagem de maior amplitude econômica.
Jarbas acrescentaria outro ativo: uma trajetória construída no Ministério Público e um discurso associado à fiscalização do Estado, à defesa do patrimônio público e à institucionalidade.
A escolha do vice, assim, expõe necessidades diferentes. Kalil procura capilaridade territorial e uma chapa completa. Patrus tenta ampliar a coalizão social e política do palanque de Lula.
Pesquisa mostra Kalil e Patrus próximos
A pesquisa Realtime Big Data divulgada em 30 de julho colocou Kalil com 15% e Patrus com 14% nos cenários liderados por Cleitinho Azevedo, que alcançou entre 36% e 38%. Sem o senador na disputa, Kalil apareceu com 20%, Patrus com 17% e Marcelo Aro com 15%.
O instituto ouviu 2 mil eleitores entre 25 e 29 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número MG-06475/2026.
Na pesquisa espontânea, porém, Kalil foi citado por apenas 3% e Patrus por 1%, enquanto 66% não souberam responder. O resultado mostra que as candidaturas foram formalizadas pelos partidos, mas ainda não se consolidaram na cabeça da maior parte do eleitorado mineiro.


