O PDT oficializou neste domingo, 26 de julho, a candidatura de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais. A confirmação ocorreu durante convenção estadual realizada na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte, e encerra as especulações de que o ex-prefeito poderia abandonar a disputa para integrar outra chapa.
Além de confirmar Kalil, o partido aprovou os nomes que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Participaram da convenção o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente estadual da legenda, deputado federal Mário Heringer, e outras lideranças pedetistas.
Será a segunda candidatura de Kalil ao Palácio Tiradentes. Em 2022, ele chegou ao primeiro turno apoiado por PT, PSB, Rede e outros partidos, recebeu 3.805.182 votos, equivalentes a 35,08% dos válidos, mas foi derrotado por Romeu Zema.
Convenção elimina hipótese de Kalil disputar o Senado
A homologação tem um significado que vai além da formalidade eleitoral. Nos últimos dias, interlocutores do PT tentaram convencer Kalil a desistir do governo e concorrer ao Senado em uma composição liderada por Patrus Ananias.
Kalil rejeitou as abordagens e manteve a posição de disputar o Executivo estadual. Com a decisão tomada pela convenção, eventual mudança de cargo se torna politicamente muito mais difícil, embora partidos ainda possam substituir candidatos dentro dos prazos e das condições previstos pela legislação.
A confirmação também afasta, neste momento, uma repetição da aliança construída em 2022. O PT lançou Patrus Ananias para governador, enquanto o PDT nacional decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em Minas, entretanto, Mário Heringer afirmou que a orientação presidencial não mudaria o projeto estadual: Kalil teria um palanque independente. O próprio ex-prefeito vinha descartando uma composição com o PT no primeiro turno.
Candidato está definido, mas a chapa ainda não
A principal incógnita agora está nos demais espaços da chapa majoritária. As informações iniciais divulgadas sobre a convenção confirmam Kalil e as listas proporcionais, mas não apresentam uma definição consolidada para vice-governador e para as duas candidaturas ao Senado.
Essa ausência revela o maior desafio de Kalil. O PDT possui um candidato conhecido e competitivo, mas precisa ampliar a estrutura partidária para ganhar tempo de televisão, capilaridade nos 853 municípios e chapas proporcionais mais robustas.
Uma das negociações mais relevantes envolve a Federação PSDB-Cidadania. Aécio Neves vinha sendo discutido como possível candidato ao Senado em uma composição com Kalil, movimento que deslocaria a chapa para o centro e daria ao ex-prefeito um aliado com estrutura partidária e presença no interior.
A aproximação, porém, dificulta uma aliança com a Federação PSOL-Rede. A direção mineira do PSOL declarou que não apoiará Kalil se Aécio estiver na chapa e também exige compromisso explícito com a candidatura presidencial de Lula. Lideranças da Rede consideram o ex-prefeito competitivo, mas reconhecem que a presença do PSDB seria um obstáculo.
Kalil entra oficialmente em disputa fragmentada
A candidatura homologada coloca Kalil em um campo próprio entre os principais blocos mineiros. Patrus tenta concentrar o eleitorado lulista; Mateus Simões procura representar a continuidade das administrações de Romeu Zema; e Cleitinho movimenta Republicanos, PL e União-PP no campo conservador.
Kalil aposta em sua votação anterior, no reconhecimento acumulado durante dois mandatos na Prefeitura de Belo Horizonte e em uma campanha menos vinculada à polarização presidencial.
A estratégia oferece liberdade para conversar com partidos de centro, mas também pode deixá-lo com uma aliança menor. O PDT representa sozinho uma parcela limitada do horário eleitoral, e a campanha precisará compensar essa diferença com exposição digital, desempenho nos debates e força pessoal do candidato.


