O tabuleiro político de Minas Gerais para as Eleições 2026 acaba de registrar um sismo estratégico que desestabiliza a disputa pelo segundo lugar e expõe as fraturas de um dos principais nomes da terceira via lulista. A nova pesquisa eleitoral Real Time Big Data, divulgada pelo portal R7, atestou o avanço do atual governador, Mateus Simões (PSD), em um cenário de franca desidratação do senador e presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSB).
Os números consolidados do cenário estimulado evidenciam a soberania folgada do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que manteve a liderança isolada com 35% das intenções de voto.
Contudo, a chave analítica desta rodada reside no bloco intermediário, onde Pacheco despencou de 19% (em março) para os atuais 15%, passando a ser assombrado pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), com 14%, e sentindo no retrovisor a aproximação veloz de Mateus Simões, que atingiu 11%.
O movimento estatístico acende alertas duplos: a máquina estadual começou a transferir votos para Simões, e o eleitor mineiro já precifica as dúvidas sobre o engajamento real de Pacheco na disputa.
Cleitinho e o recall espontâneo
Cleitinho Azevedo continua provando que não é apenas um fenômeno das redes sociais. A manutenção de seus 35% de preferência no cenário principal atesta que ele não depende das oscilações da oposição para sustentar seu capital político. Ele cristalizou o voto de um cinturão de direita popular, surfando na onda de comunicação direta e no sentimento de aversão à velha política do Palácio Tiradentes.
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Cleitinho lidera as lembranças com 9%. Embora pareça um percentual marginal, esse é o termômetro mais fiel de recall (lembrança de marca) a quase dois anos e meio do pleito. Em um cenário de eleição antecipada onde 71% do eleitorado admitiu “não saber ou não querer responder”, figurar como o nome mais fixado no imaginário popular garante a Cleitinho uma pista livre para acelerar na campanha oficial.
O derretimento de Pacheco no pior timing possível
A retração de Rodrigo Pacheco é a notícia mais indigesta para a cúpula do Palácio do Planalto. O presidente do Senado caiu de 19% em março (quando testado contra Cleitinho, Kalil, Simões e outros nanicos) para 15% na rodada de maio da Real Time Big Data.
O recuo reflete diretamente a sua crônica hesitação pública. Conforme revelado em apuração da Folha de S.Paulo e analisado pelo Moon BH, Pacheco já sinalizou reservadamente ao presidente do PT, Edinho Silva, que não possui apetite para disputar o Governo de Minas, alegando barreiras de ordem pessoal, familiar e de saúde.
No mercado eleitoral, a hesitação custa caro. O eleitor mediano recusa-se a apostar suas fichas (e seu voto) em um projeto político incerto.
Pacheco vinha sendo pacientemente blindado como a principal ponte entre o presidente Lula (PT), setores do PSB, o agronegócio moderado e o eleitorado de centro em Minas. A sua desidratação esvazia o palanque governista e deixa o PT completamente órfão de uma candidatura majoritária competitiva no segundo maior colégio eleitoral do país, abrindo o vácuo que tanto Kalil quanto Simões se preparam para devorar.
Mateus Simões começa a crescer
Mateus Simões escalou de 9% (março) para os atuais 11%. Embora o percentual ainda seja modesto e o mantenha na quarta colocação, a curva de crescimento é a mais letal do levantamento. Ela ocorre exatamente após a renúncia de Romeu Zema para a disputa da Presidência da República, evento que catapultou Simões à cadeira definitiva de chefe do Executivo estadual.
O desafio central do atual governador sempre foi herdar o capital político e a “marca” da aprovação de Zema sem possuir o carisma de seu antecessor. A máquina estadual, operando em ritmo de inaugurações e controle de narrativa diária, já começou a operar a transferência.
Em um segundo recorte testado pelo R7 — sem a presença de Pacheco e do líder empresarial Flávio Roscoe na cartela de opções —, Cleitinho bate em 39%, Kalil bate os 17% e Simões atinge imponentes 13%. Nesse desenho, o governador encosta no empate técnico com Alexandre Kalil e herda o voto conservador moderado de centro-direita que foge do radicalismo de Cleitinho, mostrando que tem “teto” para avançar ao longo do semestre.
O fator Kalil e o xadrez do palanque petista
Alexandre Kalil, que saltou de 11% para 14%, preserva um recall sólido de sua gestão na capital e herda automaticamente o capital de rejeição anti-Cleitinho e anti-Zema.
Caso Rodrigo Pacheco venha, de fato, a sacramentar sua retirada oficial da disputa, o ex-prefeito desponta como o caminho mais lógico (embora conflituoso) para o palanque de Lula em Minas. No entanto, o teto de Kalil esbarra historicamente na alta rejeição fora dos limites da Região Metropolitana e na sua incapacidade orgânica de penetrar na massa conservadora do interior do Estado — fatia hoje completamente dominada por Cleitinho e Zema.
A pesquisa Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores em Minas Gerais entre os dias 19 e 20 de maio, apresentando nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. A fotografia atesta que a guerra está em aberto: enquanto Cleitinho navega no céu de brigadeiro da polarização nacional, o centro político mineiro derrete, forçando Simões e Kalil a um duelo sangrento de narrativas pelo espólio dos indecisos rumo ao segundo turno.


