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Cleitinho lidera e é o nome mais desejado, mas indefinição trava Minas

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O senador Cleitinho Azevedo virou o nome mais desejado da eleição mineira antes mesmo de confirmar se será candidato ao governo. Filiado ao Republicanos, ele lidera pesquisas para o Palácio Tiradentes, tem recall de mais de 4 milhões de votos da disputa ao Senado em 2022 e se tornou a principal peça da direita para tentar construir um palanque competitivo em Minas Gerais.

O problema é que Cleitinho ainda não bateu o martelo. A indefinição, que começou como cautela pessoal e partidária, passou a travar negociações com o PL, mexer na estratégia do governador Mateus Simões e atrasar a montagem de chapas para Senado, vice e alianças proporcionais.

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O senador pediu mais alguns dias para definir seu futuro em encontro com Flávio Bolsonaro e lideranças do PL em Patos de Minas. A reunião era vista como uma oportunidade para avançar na aliança entre Republicanos e PL, mas terminou com novo prazo e frustração entre liberais.

O PL já deixou claro que quer caminhar com Cleitinho ou ter um nome próprio. A prioridade da legenda é montar um palanque forte para Flávio Bolsonaro em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país. Por isso, uma composição com Mateus Simões ficou mais difícil. O governador é ligado a Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, e está no PSD, partido que também tem Ronaldo Caiado como presidenciável.

Na prática, o PL quer evitar repetir 2022, quando o bolsonarismo mineiro se dividiu entre apoios, acenos e candidaturas sem uma linha única. Para 2026, a sigla busca uma chapa estadual que dê clareza ao eleitor de direita: quem estiver ali estará com Flávio Bolsonaro.

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O que segura a decisão de Cleitinho

Cleitinho vive uma situação incomum. Ele é o nome mais forte nas pesquisas, mas também é alvo de dúvidas dentro do próprio campo político. Parte dos aliados vê nele o candidato natural ao governo. Outra parte considera que seu perfil combativo funciona melhor no Senado do que no Executivo.

O próprio senador tem alternado sinais. Em alguns momentos, fala como candidato. Em outros, evita confirmar a disputa. Já rebateu críticas sobre falta de preparo para governar e afirmou, em discurso no Senado, que sua trajetória não pode ser desconsiderada. A frase mais repetida por aliados é que ele ainda avalia se deve “ouvir o chamado” das pesquisas.

A demora tem custo. Enquanto Cleitinho decide, o PL não sabe se indicará o vice, se terá a cabeça de chapa ou se precisará lançar um nome próprio. Entre os nomes citados no partido estão Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg, e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim. Ambos podem aparecer como alternativas se Cleitinho recuar ou como opções para vice em uma chapa encabeçada pelo senador.

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No Republicanos, a indefinição também segura outros movimentos. O partido tem quadros regionais interessados na composição, como Luiz Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da AMM, citado nos bastidores para uma eventual vaga de vice. Sem a decisão de Cleitinho, ninguém sabe qual espaço estará disponível.

O Senado é outro ponto sensível. Domingos Sávio, do PL, é pré-candidato à Câmara Alta e precisa de uma chapa estadual definida para organizar campanha, alianças e base municipal. A eleição de 2026 terá duas vagas ao Senado em Minas, o que torna a composição majoritária ainda mais disputada.

Indefinição reorganiza Simões, PL e esquerda

Reprodução – Redes sociais

A demora de Cleitinho também afeta Mateus Simões. O governador tenta se consolidar como sucessor do projeto de Romeu Zema, mas perdeu espaço junto ao PL justamente porque seu palanque nacional ficou complexo. Para os liberais, dividir a campanha estadual com Zema, Caiado e Flávio Bolsonaro seria uma mensagem confusa ao eleitor.

Se Cleitinho confirmar candidatura, Simões terá de disputar a direita com um adversário de forte apelo popular e apoio do PL. Se o senador desistir, o governador pode tentar reconstruir pontes, mas ainda enfrentará a possibilidade de uma candidatura própria bolsonarista.

Na esquerda, a situação também é observada com atenção. A Folha de S.Paulo mostrou que o PT procura alternativas depois de Rodrigo Pacheco indicar que não pretende disputar o governo. Alexandre Kalil, Josué Gomes e outros nomes passaram a circular como possibilidades. O desenho final da direita influencia diretamente essa escolha: enfrentar Cleitinho é uma eleição; enfrentar Simões, Roscoe ou outro nome do PL pode ser outra.

Por isso, Cleitinho hoje é mais do que um pré-candidato. Ele virou o ponto de espera da eleição mineira. Sua decisão define quem será cabeça de chapa, quem será vice, quais partidos estarão juntos, como ficará o palanque presidencial e quais nomes disputarão o Senado.

O calendário ainda dá algum tempo. As convenções partidárias podem ocorrer até 5 de agosto, mas partidos não costumam esperar tanto para organizar uma disputa desse tamanho. Antes disso, precisam fechar alianças, montar nominatas, combinar palanques, dividir espaços e preparar comunicação.

A força de Cleitinho está justamente no paradoxo. Ele lidera sem confirmar. Atrai partidos sem assinar chapa. Pressiona adversários sem entrar oficialmente na corrida. Mas quanto mais demora, mais a vantagem nas pesquisas começa a dividir espaço com a ansiedade dos aliados.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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