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Cleitinho diz que largaria a política para “ser igual ao Ratinho”: “Entrei para aparecer”

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O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, afirmou que entrou na política “para aparecer” e que, originalmente, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de televisão, “igual ao Ratinho”. A declaração foi dada à newsletter Jogo Político, do jornal O Globo. Cotado para disputar o governo de Minas Gerais em 2026, Cleitinho também disse que pode deixar a política caso receba uma proposta na televisão. “Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, afirmou, segundo a publicação.

A fala reforça uma característica já conhecida da trajetória do senador: o uso de linguagem direta, informal e voltada a públicos que acompanham política pelas redes sociais, por vídeos curtos e por frases de alto impacto.

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Política e entretenimento se misturam no discurso

Na entrevista, Cleitinho afirmou que não fazia questão de ser candidato ao governo, mas disse que seu nome estaria se transformando em uma “onda”. Segundo ele, a decisão sobre uma eventual candidatura ao Palácio Tiradentes deve ficar para depois da Copa do Mundo.

O senador também comparou sua estratégia ao comportamento de artistas. Disse que não precisa ficar repetindo que será candidato, porque isso tiraria o “encanto” da movimentação política.

“Entrei na política para aparecer, não sou hipócrita. Nunca nem tive título de eleitor, só queria ser famoso. “Na verdade, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, disse o senador.

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A referência a Ratinho ajuda a explicar o tipo de comunicação que Cleitinho busca. Carlos Massa, o Ratinho, construiu carreira com linguagem popular, improviso, humor, confronto verbal e forte presença no entretenimento televisivo. O senador mineiro, por sua vez, usa redes sociais, vídeos e falas espontâneas como parte central de sua atuação pública.

A comparação não significa que Cleitinho esteja fora da disputa eleitoral. Pelo contrário. A declaração ocorre justamente em momento em que ele aparece bem posicionado em pesquisas e é tratado por aliados da direita como possível candidato competitivo em Minas.

Senador lidera cenários para 2026

Levantamento Real Time Big Data divulgado em maio mostrou Cleitinho na liderança dos cenários de primeiro turno em que foi incluído para a disputa ao governo de Minas. Em uma das simulações, ele apareceu com 35% das intenções de voto, à frente de Rodrigo Pacheco, Alexandre Kalil e Mateus Simões.

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Em outros cenários testados, o senador também liderou, com 39% e 41%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores mineiros entre os dias 19 e 20 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Esse desempenho explica a pressão em torno da definição. Mesmo evitando confirmar candidatura, Cleitinho já é tratado como peça central do tabuleiro mineiro de 2026.

Relação com o Republicanos tem ruídos

Na mesma entrevista, o senador também comentou a relação com o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira. Disse que Pereira garante legenda para uma candidatura ao governo, mas afirmou não confiar “100%”.

Waldemir Barreto/Agência Senado

Cleitinho declarou ainda ter “nojo de qualquer coisa que envolva partido”. A fala expõe um atrito recorrente entre sua imagem pública e a estrutura partidária necessária para disputar uma eleição majoritária.

O Republicanos é uma legenda ligada a lideranças nacionais e com influência da Igreja Universal. Segundo O Fator, Cleitinho também chamou o bispo Edir Macedo de “falso profeta” durante a entrevista.

Apesar do tom, o partido tem discutido nos bastidores a possibilidade de lançar candidatura própria em Minas, segundo a mesma publicação.

Trajetória começou em Divinópolis

Cleitinho nasceu em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. Antes de chegar ao Senado, foi vereador no município e deputado estadual em Minas Gerais.

A Assembleia Legislativa registra que ele ficou conhecido na cidade pelo trabalho no sacolão de verduras da família e também como músico. Sua atuação política se consolidou com críticas a privilégios, defesa de pautas de apelo popular e forte presença em vídeos nas redes sociais.

Em 2022, foi eleito senador por Minas e assumiu o mandato em 2023. No Senado, seu perfil oficial registra o nome civil Cleiton Gontijo de Azevedo e a representação pelo estado mineiro.

Comunicação virou ativo eleitoral

A declaração sobre querer ser apresentador ajuda a explicar parte do fenômeno político em torno de Cleitinho. Ele se posiciona menos como político tradicional e mais como comunicador popular dentro da política.

Esse estilo tem vantagens eleitorais. A fala simples facilita cortes em redes sociais, aproxima o senador de eleitores que rejeitam linguagem institucional e reforça sua imagem de outsider, mesmo ocupando mandato no Senado.

Foto: Câmara Federal

Também há riscos. Declarações muito informais podem gerar críticas, ruídos partidários e dúvidas sobre o grau de compromisso com uma candidatura majoritária. Em uma eleição ao governo, a exposição será maior e exigirá propostas detalhadas para áreas como segurança, saúde, educação, infraestrutura e dívida pública.

Próximos passos dependem da Copa e do partido

Cleitinho indicou que só deve bater o martelo após a Copa do Mundo. Até lá, partidos e aliados da direita devem seguir tentando medir se sua candidatura é viável, se terá apoio nacional e quais nomes poderiam compor uma chapa.

O senador já se encontrou com Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e é visto como possível palanque de direita em Minas. Ao mesmo tempo, precisa resolver a relação com o Republicanos, legenda pela qual teria de disputar ou da qual dependeria para organizar uma candidatura.

A entrevista ao Globo reforça que Cleitinho continua operando em duas frentes: mantém o suspense sobre a candidatura e alimenta a imagem de político-comunicador que fala de forma direta com o eleitorado.

Se será candidato ou não, ainda depende de decisão formal. Mas a frase sobre Ratinho mostra que, para ele, política e televisão fazem parte do mesmo território: audiência, presença pública e capacidade de mobilizar atenção.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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