HomeEsportesAtléticoAtlético precisa de placar que já conseguiu com Domínguez para seguir vivo

Atlético precisa de placar que já conseguiu com Domínguez para seguir vivo

Publicado em

A derrota por 2 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro, colocou o Atlético diante de uma missão pesada nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Para avançar diretamente à semifinal, o Galo precisa vencer por três gols de diferença na próxima quarta-feira (16), na Arena MRV; se devolver os dois gols de vantagem, a vaga será decidida nos pênaltis.

A conta parece difícil, principalmente porque o próprio desempenho da ida não ofereceu muitos motivos para euforia. Existe, porém, um precedente recente dentro da própria gestão de Eduardo Domínguez que transforma a remontada em algo menos abstrato: há menos de um mês, o Atlético venceu um adversário de Série A exatamente por 3 a 0 em sua casa.

- Publicidade -

No dia 16 de agosto, o Galo bateu o Grêmio por 3 a 0 na Arena MRV, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Victor Hugo abriu o placar ainda no primeiro tempo, enquanto Tomás Cuello marcou duas vezes depois do intervalo, em uma atuação na qual o time conseguiu combinar pressão, controle territorial e eficiência ofensiva.

O placar existe na memória recente do time

O 3 a 0 sobre o Grêmio não serve como promessa de que a história será repetida contra o Santos. Os adversários são diferentes, os contextos também, e a equipe paulista chegará a Belo Horizonte sabendo que pode administrar uma vantagem construída com dois gols na Vila Belmiro.

O valor daquela goleada está em outro ponto. Ela oferece a Domínguez um exemplo recente de um Atlético capaz de começar um jogo impondo ritmo, ocupar o campo ofensivo e transformar volume em vantagem sem perder completamente a organização defensiva.

- Publicidade -

Segundo o relato oficial do Atlético sobre aquela partida, o Galo tomou a iniciativa desde os primeiros minutos e construiu uma vitória que ampliou para nove jogos a sequência de invencibilidade naquele momento da temporada. O resultado também mostrou um ataque menos dependente de uma única referência, já que um zagueiro abriu o placar e Cuello apareceu duas vezes para concluir a goleada.

Esse detalhe importa para a volta porque o Atlético não pode tratar a remontada como uma perseguição desesperada por três gols desde o primeiro minuto. Um gol sofrido mudaria drasticamente a eliminatória e obrigaria o time a marcar quatro vezes apenas para levar o confronto às penalidades.

A derrota em Santos deixou um alerta que não pode ser ignorado

Foto: Pedro Souza / Atlético

Se a lembrança do Grêmio oferece uma referência positiva, a atuação de quarta-feira apresenta o outro lado da equação. O Atlético teve dificuldades para criar, permitiu que o Santos controlasse os momentos mais importantes da partida e saiu da Vila Belmiro com uma desvantagem que poderia ter sido maior.

- Publicidade -

Gustavo Scarpa resumiu esse sentimento depois do apito final. Em entrevista repercutida pelo ge, o meia admitiu que “ficou barato” e afirmou que o placar poderia ter sido pior, embora também tenha defendido que o time ainda possui condições de reverter a eliminatória na Arena MRV.

A sinceridade é relevante porque evita que o precedente do 3 a 0 seja utilizado como uma espécie de garantia emocional. O Atlético já mostrou que consegue construir esse placar com Domínguez, mas a equipe que venceu o Grêmio precisará reaparecer em uma versão ainda mais disciplinada, justamente porque o Santos poderá jogar explorando espaços deixados pela necessidade alvinegra de atacar.

Domínguez já sabe qual comportamento precisa recuperar

Na goleada de agosto, o Atlético conseguiu atacar sem transformar cada perda de bola em uma situação de emergência. Victor Hugo abriu o caminho, Cuello ampliou e a equipe sustentou o controle até o fim, algo particularmente importante para um jogo em que a ansiedade da arquibancada pode crescer a cada minuto sem gol.

Antes da decisão continental, o Galo ainda enfrenta o Fluminense neste sábado (12), pelo Campeonato Brasileiro. A partida pode servir não apenas para recuperar confiança depois da derrota em Santos, mas também para Domínguez observar quais peças oferecem intensidade suficiente para uma noite em que o Atlético precisará atacar muito sem perder equilíbrio.

A situação continua desconfortável e não existe atalho matemático. O Santos pode perder por um gol e ainda avançará, enquanto qualquer empate ou vitória paulista encerra a participação atleticana na competição.

Mas existe uma diferença entre precisar de um resultado que o time nunca produziu e precisar repetir algo que aconteceu poucas semanas atrás. Em 16 de agosto, na mesma Arena MRV que receberá a decisão, o Atlético marcou três vezes, não sofreu nenhuma e derrotou o Grêmio com autoridade.

Na próxima quarta-feira, aquele 3 a 0 deixa de ser apenas uma boa lembrança do Campeonato Brasileiro. Passa a funcionar como a referência mais concreta de que o placar necessário já esteve ao alcance deste Atlético, embora agora precise aparecer justamente no jogo em que errar custa a temporada continental.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.