O Atlético entra em uma semana decisiva da Copa Sul-Americana carregando uma condição que nenhum outro brasileiro conseguiu construir como visitante nos jogos de ida das oitavas dos torneios continentais. A vitória por 1 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista, colocou o Galo a um empate das quartas de final e transferiu para o adversário a obrigação de buscar o resultado na Arena MRV.
O cenário chama atenção porque os clubes brasileiros encontraram dificuldades para abrir vantagem nesta etapa. Segundo o Lance!, na Libertadores, os confrontos de ida terminaram empatados, incluindo Cruzeiro x Flamengo e Palmeiras x Cerro Porteño. Na Sul-Americana, o São Paulo empatou fora com o Bolívar, Vasco também não venceu como visitante, Botafogo foi derrotado e o Santos construiu sua vantagem jogando na Vila Belmiro. O Atlético foi quem conseguiu voltar para casa com uma vitória obtida como visitante.
O feito não garante classificação, mas altera significativamente a maneira como Eduardo Domínguez pode preparar o segundo confronto.
Vitória fora muda responsabilidade do confronto
No jogo de ida, o Atlético não precisou controlar a partida durante os 90 minutos para construir a vantagem. O primeiro tempo foi equilibrado, com oportunidades dos dois lados, e a equipe ainda precisou reorganizar a defesa depois que Lyanco deixou o campo lesionado.
A mudança aconteceu na segunda etapa. Igor Gomes recuperou a bola no meio-campo e encontrou Tomás Cuello avançando em velocidade. Depois da disputa com o goleiro Cleiton, o argentino aproveitou a sobra e marcou aos 27 minutos. O Atlético sustentou o 1 a 0 até o final mesmo com a pressão do Bragantino.
Na quarta-feira (19), a lógica se inverte. O Galo não precisa necessariamente vencer para avançar, enquanto o adversário terá de marcar pelo menos uma vez para impedir a classificação atleticana no tempo normal.
Com o resultado obtido em Bragança Paulista, qualquer empate coloca o Atlético nas quartas de final. Segundo o UOL, uma vitória do Bragantino por um gol de diferença leva a definição para os pênaltis, enquanto uma derrota atleticana por dois ou mais gols elimina o time mineiro.
Domínguez pode encontrar espaços que não existiam na ida
A vantagem também pode produzir um jogo diferente daquele disputado em São Paulo. O Bragantino começou a ida sem a necessidade de se expor e conseguiu dividir os momentos de controle com o Atlético. Agora, precisa buscar um gol.
Isso pode favorecer características que já apareceram no lance decisivo do primeiro confronto. O gol de Cuello nasceu justamente de uma recuperação de bola seguida por aceleração rápida em direção à área adversária.
A situação não significa que o Atlético deverá simplesmente recuar. Jogar exclusivamente para defender uma vantagem mínima durante 90 minutos poderia aumentar a pressão sobre uma defesa que já perdeu Lyanco por lesão e vem precisando reorganizar suas opções.
O resultado da ida oferece, porém, a possibilidade de escolher com maior cuidado os momentos de acelerar e explorar os espaços deixados pelo adversário.
Atlético chega embalado para decisão na Arena MRV
Entre os dois confrontos continentais, o Atlético ainda conseguiu ampliar o bom momento no Campeonato Brasileiro. No domingo (16), venceu o Grêmio por 3 a 0 na Arena MRV e chegou a nove partidas consecutivas sem derrota.
A goleada também teve dois gols de Cuello, justamente o autor do gol da vitória diante do Bragantino. O argentino chega ao segundo confronto das oitavas como um dos nomes em maior evidência no setor ofensivo do Galo.
O Atlético e o Red Bull Bragantino voltam a se enfrentar nesta quarta-feira (19), às 19h, na Arena MRV. A vaga será definida diante da torcida atleticana, depois de o clube ter feito no primeiro jogo aquilo que os demais brasileiros não conseguiram reproduzir como visitantes nesta fase: voltar para casa com uma vitória continental.
Desta vez, a principal vantagem do Galo não aparece apenas no placar. Ela está na possibilidade de obrigar o Bragantino a assumir riscos que não precisava correr no primeiro encontro.


