Tomás Cuello marcou o gol que deu ao Atlético a vitória por 1 a 0 sobre o Red Bull Bragantino, nesta quarta-feira (12), pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Mais do que colocar o Galo em vantagem na disputa por uma vaga nas quartas, porém, o lance confirmou uma transformação que vem acontecendo silenciosamente no ataque alvinegro: o argentino passou de principal garçom a jogador com maior participação direta em gols do elenco em 2026.
Antes de a bola rolar em Bragança Paulista, Cuello tinha três gols e seis assistências na temporada. O gol diante do ex-clube elevou a conta para quatro bolas na rede e dez participações diretas, considerando também os seis passes para gol. Bernard, que aparecia empatado com ele antes da partida, tinha nove participações, com seis gols e três assistências.
O número ajuda a explicar por que Cuello vem se tornando uma peça difícil de retirar do time do Atlético.
Cuello passou de garçom a protagonista no Atlético
Durante boa parte de 2026, a principal contribuição do argentino aparecia nas assistências. Em maio, por exemplo, Cuello deu os passes para os gols de Renan Lodi e Bernard na vitória por 2 a 0 sobre o Cienciano, pela Sul-Americana.
Na ocasião, chegou a seis assistências e assumiu isoladamente a liderança do fundamento dentro do elenco. O próprio Atlético passou a tratá-lo como o “garçom” da equipe.
A partida contra o Bragantino, no entanto, mostrou outra característica importante do camisa 28. Cuello não precisou ser o responsável pelo último passe. Desta vez, foi ele quem atacou o espaço e apareceu para definir.
Aos 27 minutos do segundo tempo, Igor Gomes encontrou o argentino com um lançamento. Cuello dominou enquanto o goleiro Cleiton deixou a bola escapar na saída e aproveitou o gol aberto para fazer o único gol da partida. Por ter defendido o Bragantino anteriormente, não comemorou.
O roteiro chama atenção justamente porque amplia o papel do atacante. As seis assistências ainda representam a maior parte de sua produção ofensiva, mas Cuello começa a aparecer também como opção para concluir as jogadas.
Retorno após lesão dá ainda mais peso aos números
O momento ganha outra dimensão quando comparado ao que Cuello enfrentou no fim da temporada passada.
Em setembro de 2025, o argentino sofreu uma fratura na fíbula acompanhada de ruptura de ligamentos do tornozelo esquerdo durante a partida contra o Bolívar, em La Paz, também pela Copa Sul-Americana. Ele precisou passar por cirurgia e, inicialmente, era tratado como desfalque para o restante daquela temporada.
Até a lesão, Cuello já estava entre os jogadores mais produtivos do Atlético. Terminou 2025 com seis gols e sete assistências em 41 partidas, segundo os números publicados pelo próprio clube.
A temporada seguinte, portanto, começou cercada pela dúvida natural sobre quanto tempo seria necessário para que o atacante recuperasse ritmo e confiança.
A resposta tem aparecido em campo.
Mesmo sem números de artilheiro tradicional, Cuello tornou-se uma das peças que mais conseguem transformar participação no jogo em chances concretas de gol. Antes mesmo das oitavas de final, havia distribuído quatro assistências somente na fase de grupos da Copa Sul-Americana.
Atlético ganha um jogador decisivo sem depender apenas dos gols
Existe ainda uma característica que diferencia Cuello de outros nomes do ataque atleticano.
Ele não precisa marcar para influenciar diretamente o placar.
Antes do jogo contra o Bragantino, seus nove envolvimentos em gols eram divididos entre apenas três gols e seis assistências. Isso significa que dois terços da produção ofensiva do argentino até então haviam surgido preparando oportunidades para companheiros.
Agora, a quarta bola na rede reduz um pouco essa distância e reforça uma possibilidade interessante para Eduardo Domínguez: ter um jogador de lado que cria, acelera e também pode aparecer dentro da área para decidir.
E justamente em uma temporada na qual o Atlético ainda procura maior regularidade ofensiva, essa versatilidade pode valer mais do que uma simples sequência de gols.
Cuello ainda não classificou o Atlético na Sul-Americana
Apesar do peso do gol, a classificação ainda não está garantida.
O Atlético venceu apenas o primeiro duelo contra o Bragantino por 1 a 0. A partida de volta das oitavas de final será disputada na próxima quarta-feira, 19 de agosto, na Arena MRV. Um empate será suficiente para o Galo avançar às quartas.
Se o Atlético confirmar a vaga, porém, o gol marcado em Bragança Paulista poderá ganhar um significado ainda maior.
Para Cuello, ele já representa algo: depois de passar boa parte do ano reconhecido pelas assistências, o argentino começa a mostrar que também pode ser o jogador que aparece para concluir quando o Atlético mais precisa.


