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Renan Lodi no Atlético: o jogador mais caro do Galo e quanto ele ganha

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Quando o Atlético fechou com Renan Lodi em dezembro de 2025, a narrativa publicitária do clube foi de “reforço de peso sem custo de transferência”. A realidade é um pouco mais complexa do que isso, e mais interessante também. O lateral-esquerdo que chegou ao Galo livre do Al-Hilal é, pelo Transfermarkt, o jogador de maior valor de mercado do plantel atleticano em 2026. E esse número diz bastante sobre o perfil da contratação.

Quanto vale Renan Lodi?

O Transfermarkt avalia Renan Lodi em €11 milhões. Outras fontes do mercado, como a Super Rádio Tupi, citam o valor em €12 milhões, variação comum dependendo do momento da atualização. Em qualquer um dos dois cenários, o lateral está no topo do elenco alvinegro quando o assunto é cotação de mercado.

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Para contexto: o Atlético de Madrid pagou €21 milhões para tirá-lo do Athletico-PR em 2019. O Al-Hilal desembolsou €23 milhões ao Olympique de Marseille para tê-lo em janeiro de 2024. Ou seja, Lodi chega ao Galo com o valor nominal muito abaixo do seu histórico de negociação, resultado direto de uma saída conturbada da Arábia Saudita e de um período sem clube.

O salário no Atlético

O valor exato do vencimento mensal de Renan Lodi no Galo não foi oficialmente divulgado. O Atlético não tem o hábito de publicar contratos individuais, e a prática no futebol brasileiro é de silêncio sobre cifras. O que a imprensa especializada levantou durante a negociação é que, no Al-Hilal, Lodi recebia cerca de R$ 2,6 milhões por mês, o equivalente a aproximadamente 400 mil euros mensais.

Para chegar ao Galo sem taxa de transferência, houve uma redução salarial real. Isso é parte do cálculo: o “custo zero” na compra migra para luvas, bônus e vencimento. Segundo análises publicadas à época do acerto, o Atlético precisou de engenharia financeira para viabilizar a operação sem comprometer o teto da folha, que em 2026 gira em torno de R$ 10 milhões mensais no total do elenco.

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A título de comparação, a tabela salarial do plantel atleticano indica que o maior salário do time pertence a Hulk, com estimativa de R$ 1,8 milhão por mês. Gustavo Scarpa recebe cerca de R$ 1,1 milhão, e Maycon, R$ 1 milhão. Isso sugere que Lodi opera em faixa compatível ou ligeiramente acima desses valores, provavelmente entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão mensais, ainda que sem confirmação oficial.

Por que Lodi é o jogador mais caro do Galo?

Renan Lodi em Cruzeiro e Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético

A resposta está no currículo. Renan Lodi, de 28 anos, é um dos poucos laterais brasileiros com passagens concretas pelas principais ligas europeias. Atlético de Madrid na LaLiga, Nottingham Forest na Premier League por empréstimo, Olympique de Marseille na Ligue 1 e Al-Hilal na Saudi Pro League. Esse trajeto coloca Lodi numa categoria rara: jogador formado no Brasil, consolidado no exterior, e que volta ao Brasileirão ainda em idade produtiva.

No Transfermarkt, o contexto de mercado pesa mais do que o momento. Lodi chegou ao Galo numa fase de transição após sair da Arábia Saudita por não ter sido inscrito no Campeonato Saudita, por conta do limite de estrangeiros. Antes disso, disputou 58 jogos pelo Al-Hilal, marcou quatro gols e deu nove assistências, números sólidos para uma lateral. A passagem pelo clube saudita incluiu títulos do Campeonato Saudita e da Copa do Rei em 2023/24.

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Na Seleção Brasileira, são 19 convocações. O ponto mais lembrado da história do lateral com a Seleção ainda é a final da Copa América de 2021, quando a falha no gol de Di María entregou o título à Argentina. Mas esse episódio não apagou o desempenho consistente que levou o jogador a clubes de altíssimo nível por mais de meia década.

As habilidades que justificam o posto

Tecnicamente, Renan Lodi tem um perfil ofensivo marcado. Ele é um lateral que ativa o ataque com frequência: cruza bem com o pé esquerdo, é ágil nas subidas pelo corredor e tem boa leitura de jogo para criar superioridade na largura. Nas análises do Fotmob para 2026, o número de assistências já aparece como um dos indicadores de destaque para laterais da Série A.

Mas talvez mais do que a técnica, o que diferencia Lodi hoje é a maturidade tática. Um lateral que passou pelo sistema de Diego Simeone no Atlético de Madrid sabe defender por dentro, pressionar com organização e agir dentro de uma estrutura coletiva rígida. Isso é raro no futebol brasileiro, onde laterais com ímpeto ofensivo frequentemente comprometem o equilíbrio defensivo da equipe.

Para o Atlético de Eduardo Domínguez, que tenta reconstruir uma identidade de jogo depois de um 2025 marcado por instabilidade técnica e trocas de comando, ter um lateral experiente e tecnicamente completo numa posição que ficou sem referência após a saída de Guilherme Arana para o Fluminense é um ativo real. Não simbólico. Real.

O peso da contratação no projeto do Galo

A diretoria atleticana foi até Curitiba pessoalmente para convencer Lodi. Esse detalhe, mencionado pelo próprio jogador, diz algo sobre a prioridade que o clube deu à contratação. Segundo Lodi, a conversa foi decisiva não apenas pelo aspecto financeiro, mas pelo projeto esportivo apresentado: voltar para a Libertadores, retomar o protagonismo perdido após os títulos de 2023 e 2024.

O lateral chegou com contrato até dezembro de 2030, cinco anos. É um horizonte longo. Para uma SAF que precisa equilibrar resultado e controle financeiro, isso pode ser tanto um acerto quanto um risco. Um acerto se Lodi mantiver o nível e o Atlético voltar a disputar competições continentais. Um risco se a queda de rendimento, que naturalmente acompanha qualquer atleta que se aproxima dos 30 anos, se antecipar ao previsto.

Por ora, o valor de mercado de €11 milhões e o histórico de €23 milhões pagos pelo Al-Hilal há pouco mais de um ano deixam claro que o Galo contratou um ativo de alto padrão sem pagar pela transferência. O salário foi o verdadeiro investimento. E esse número, o clube prefere não divulgar.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.