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Atlético vê indicação de Scarpa virar clube da torcida com calendário próprio

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O Atlético ganhou uma comunidade de torcedores que acompanha um calendário diferente daquele dos campeonatos. Inspirada pelas recomendações de Gustavo Scarpa, a Galeitura organiza capítulos, encontros e conversas sobre livros, transformando uma manifestação de interesse nas redes sociais em atividade coletiva.

A novidade está nessa passagem da indicação para a participação. O torcedor pode começar pela curiosidade sobre o que o jogador está lendo, mas encontra uma proposta que exige continuidade: acompanhar uma obra, compartilhar impressões e reservar tempo para conversar com outras pessoas.

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O primeiro título escolhido foi “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói. O livro ganhou repercussão depois de uma resenha publicada pelo meia e passou a conectar leitores que já tinham o futebol como assunto em comum.

Uma torcedora organizou o movimento

A iniciativa foi criada por Carolina Marques, estudante de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto. Aos 22 anos, ela decidiu reunir atleticanos interessados em acompanhar as leituras comentadas por Scarpa, aproveitando a movimentação que já observava entre os torcedores.

Em entrevista ao BHAZ sobre a criação da Galeitura, Carolina contou que imaginava formar um grupo pequeno, com aproximadamente dez pessoas. A reportagem publicada em 16 de setembro registrou cerca de 500 integrantes, dimensão que levou a organização a interromper temporariamente novas entradas.

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O tamanho do grupo trouxe uma questão prática. Reunir interessados é apenas a primeira etapa; organizar uma conversa em que as pessoas consigam participar exige mediação, regras e algum planejamento.

A proposta apresentada pela criadora prevê a escolha de uma obra por mês e encontros virtuais. A participação de Scarpa em alguma atividade apareceu como desejo da organização, sem que isso representasse presença confirmada do jogador.

O primeiro livro já ganhou calendário

Segundo a programação divulgada pela Exame, a leitura de “A Morte de Ivan Ilitch” foi dividida em três semanas. Os capítulos de um a quatro ficaram para o período de 16 a 22 de setembro; os de cinco a oito, para 23 a 29; e os quatro finais, para 30 de setembro a 6 de outubro.

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As conversas semanais foram organizadas em um grupo específico no WhatsApp. A orientação é discutir apenas os capítulos previstos para cada etapa, preservando a experiência de quem ainda não avançou na história.

O encerramento prevê uma discussão pelo Google Meet. Embora cada participante possa ler no próprio ritmo, a divisão oferece uma referência comum para que as conversas não dependam de todos terminarem o livro imediatamente.

Esse formato ajuda a explicar o interesse editorial pelo movimento. A repercussão de um vídeo costuma ser medida por visualizações, mas, nesse caso, também produziu uma rotina compartilhada, com tarefas e encontros que continuam depois do primeiro contato com a indicação.

Por que a escolha de Tolstói chamou atenção

Publicado originalmente em 1886, “A Morte de Ivan Ilitch” acompanha um juiz que, diante de uma doença grave, passa a questionar a própria trajetória. O enredo coloca em discussão as escolhas feitas ao longo da vida e a distância entre reconhecimento social e satisfação pessoal.

A obra chegou ao primeiro lugar entre os livros mais vendidos da Amazon no Brasil durante a repercussão da indicação, conforme registros publicados pela imprensa em setembro. Essa posição corresponde ao período noticiado e não representa um ranking permanente de vendas.

O episódio aproxima públicos que nem sempre se encontram na cobertura esportiva. Uma pessoa pode chegar ao livro por acompanhar o Atlético e permanecer pela discussão literária, enquanto outra pode descobrir o movimento sem acompanhar a rotina do time.

Scarpa já falava de livros antes da Galeitura

Foto: Pedro Souza / Atlético

O interesse do jogador pela literatura antecede esse movimento. Em uma entrevista à Exame publicada em 2021, quando defendia o Palmeiras, Scarpa relatou como passou a substituir parte do tempo nas redes sociais pela leitura.

“Eu leio por prazer”, afirmou naquela ocasião. O meia também associou a construção do hábito à disciplina, descrevendo uma trajetória que passou por livros menores e se ampliou para autores e estilos diferentes.

Esse histórico dá contexto à repercussão atual. A Galeitura aproveita uma relação com os livros que já fazia parte da imagem pública do atleta, mas ganhou organização própria pelas mãos dos torcedores.

O próximo passo será observar a continuidade da comunidade depois da primeira obra. O movimento já tem um resultado concreto: uma recomendação feita por um jogador virou motivo para pessoas combinarem leituras e ocuparem parte da semana com uma conversa que começou no futebol.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.