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Domínguez chega a 100 dias no Atlético com saldo que divide a torcida

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Cem dias é tempo suficiente para um treinador deixar de ser novidade e passar a ser avaliado pelo que entrega. Eduardo Domínguez chegou a essa marca no comando do Atlético com um número que resume bem a sensação que ficou na torcida: 50% de aproveitamento. Nem desastre, nem caso resolvido.

A conta é direta. Em 24 jogos somando todas as competições, o argentino tem 11 vitórias, três empates e dez derrotas. O time chega ao meio do ano classificado para as oitavas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, e na nona posição do Brasileirão, com 24 pontos, apenas dois atrás do G6.

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Um início que quase custou o cargo

Vale lembrar como essa história começou. Domínguez assumiu em fevereiro, vindo de um trabalho vitorioso no Estudiantes, da Argentina, e com contrato assinado até dezembro de 2027. A ideia era projeto, não apagar incêndio.

O calendário, porém, não deu trégua. Logo nas primeiras semanas veio a eliminação para o América na semifinal do Mineiro, nos pênaltis. Depois, uma sequência de resultados ruins no Brasileirão deixou o time perto da zona de rebaixamento. Abril fechou com uma goleada de 4 a 0 sofrida para o Flamengo, dentro da Arena MRV, e o nome de Domínguez passou a circular como possível demissão.

A diretoria negou qualquer conversa sobre saída. Mas o clima dentro da Cidade do Galo, segundo relatos da imprensa esportiva mineira, era de desconfiança.

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A reação que mudou a temperatura

Foi exatamente quando a pressão estava no ponto mais alto que o time reagiu. Vitórias decisivas contra Ceará, na Copa do Brasil, e nas duas últimas rodadas da fase de grupos da Sul-Americana garantiram classificação em primeiro lugar do grupo. Antes da pausa para a Copa do Mundo, o Atlético venceu quatro dos últimos cinco jogos.

Essa sequência foi o que segurou Domínguez no cargo. Sem ela, dificilmente a conversa sobre os 100 dias teria o mesmo tom.

Esse adversário chamado calendário apertado, aliás, é o tipo de coisa que costuma definir treinadores no Brasil mais do que qualquer plano de jogo. Domínguez sobreviveu a ele.

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O dado que explica a irregularidade

Há um número que ajuda a entender por que o aproveitamento de 50% soa, ao mesmo tempo, decepcionante e aceitável. Em casa, na Arena MRV, o Atlético rende 62,5%. Fora de Belo Horizonte, esse número despenca para 30%.

A diferença é grande demais para ser acaso. Pode ser leitura tática, pode ser questão mental, pode ser proposta de jogo que não se adapta bem a outros gramados. O fato é que o Atlético de Domínguez parece ser dois times diferentes dependendo de onde joga, e isso é um problema real para quem disputa três competições ao mesmo tempo no segundo semestre.

Outro detalhe chama atenção nesse recorte de 100 dias. Domínguez não repetiu uma única escalação inicial nos 24 jogos disputados. É o tipo de número que pode significar adaptação constante ao elenco disponível, ou instabilidade na busca por um time titular.

O desafio que já está nas mãos do treinador

Treinador do Atlético
Eduardo Dominguez no Galo – Foto: Pedro Souza / Atlético

Enquanto o elenco está de férias, a pausa para a Copa do Mundo, a diretoria do Atlético trabalha em outra frente. Hulk já foi negociado com o Fluminense. O zagueiro paraguaio Junior Alonso confirmou que também sai depois do Mundial. Em compensação, chegou o zagueiro Léo Duarte, do İstanbul Basaksehir.

Domínguez tem sido cauteloso ao falar sobre a janela de transferências. Disse que todas as linhas do time precisam de reforço, mas reconheceu a realidade financeira do clube. A frase que resume seu discurso até aqui é direta: trazer por trazer, não vai trazer.

Essa postura tem um lado positivo. Mostra critério. Mas também levanta uma pergunta que a torcida já está fazendo: dá para sustentar um segundo semestre de maratona, com Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, sem reforços de impacto?

O que vem a partir de julho

Os jogadores se reapresentam na Cidade do Galo no dia 22 de junho. A partir daí, Domínguez terá cerca de um mês para treinar antes da estreia na volta da temporada, em 22 de julho, contra o Bahia, na Arena MRV, pela 19ª rodada do Brasileirão.

Depois vem uma sequência sem respiro. Palmeiras fora de casa, RB Bragantino, e logo no início de agosto o confronto direto contra o Juventude pelas oitavas da Copa do Brasil. O Atlético pode disputar 11 jogos só entre o fim de julho e o fim de agosto.

Os primeiros 100 dias de Domínguez no Galo contam uma história de sobrevivência e reação. Os próximos talvez digam se esse projeto vai virar consistência ou só mais um ciclo de altos e baixos.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.